
A incontinência urinária durante a gestação e no pós-parto ainda é um assunto sensível para as mulheres, gerando impacto emocional e influenciando, inclusive, a maneira como lidam com a categoria de produtos para escapes urinários no ponto de venda.
É o que mostra a pesquisa “TENA: o impacto das perdas de urina na gravidez e no puerpério”, realizada por TENA, marca de produtos para incontinência urinária em adultos da Essity, com brasileiras que vivenciaram episódios de perdas espontâneas de urina durante a gestação e no pós-parto.
O estudo aponta que:
- 50% relata episódios de vazamentos duas a três vezes por semana, geralmente com fluxo considerado muito leve;
- 84% já passaram por um escape de forma desprevenida no trabalho, na casa de terceiros ou em locais públicos;
- 95% mudaram algo em sua rotina por conta da incontinência urinária;
- 89% sentem os impactos emocionais causados pela condição;
- 86% relatam desconforto, principalmente com o mau odor (43%), umidade na região íntima (39%) e uso constante de absorventes (38%).
Segundo Carla Girólamo, gerente de Marketing de TENA no Brasil, o objetivo do levantamento é ampliar o debate público e contribuir para a educação em higiene e saúde.
“TENA entende que falar sobre incontinência urinária é uma questão de bem-estar e qualidade de vida. Ao trazer dados concretos sobre a experiência de mulheres brasileiras, buscamos quebrar o tabu e incentivar a busca por informação e tratamento. A condição tem cura em muitos casos e, enquanto está sendo tratada, é importante utilizar produtos desenvolvidos especificamente para essa necessidade, com tecnologia de alta absorção e controle de odor”, afirma.
Incontinência urinária na gravidez
A incontinência urinária na gestação é a perda involuntária de urina, mesmo que sejam apenas pequenas quantidades. Pode ocorrer ao tossir, espirrar, rir, fazer esforço ou levantar peso.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 40% das gestantes no país apresentam incontinência urinária, sendo mais frequente no 2º e 3º trimestres, quando o útero exerce maior pressão sobre a bexiga.
Os principais fatores estão o crescimento do bebê no útero, as mudanças hormonais e a sobrecarga do assoalho pélvico – aspectos que geram maior dificuldade de conter a urina.
Mudança de hábitos
Antes de sair de casa, 53% dizem ir ao banheiro preventivamente e 40% procuram saber se haverá sanitário disponível no destino.
Em relação ao consumo de líquidos, 45% reduziram a ingestão, enquanto 34% evitam beber à noite.
Mudanças no vestuário também são frequentes: 39% alteraram o tipo de roupa íntima, 21% passaram a evitar peças claras ou justas e 5% relatam usar duas peças íntimas como forma de prevenção.
Constrangimento e desinformação
No primeiro episódio de escape, 82% relatam sentimentos negativos, como vergonha, desconforto e medo.
Apenas 1/3 (um terço) procurou um médico imediatamente após os primeiros escapes e 55% buscaram informações com médicos em algum momento. Embora 73% já soubessem que escapes poderiam ocorrer durante a gravidez, principalmente por orientação médica (47%), muitas relatam falta de aprofundamento sobre o tema nas consultas.
O assunto ainda é pouco compartilhado: apenas 36% conversam sobre o tema com pessoas próximas, como mãe, irmã ou amigas.
Diante do constrangimento, o termo “escape” é o preferido das entrevistadas, por carregar menor conotação negativa, de doença. Já “incontinência urinária” é visto como um termo mais técnico, sem tom negativo e usado por médicos e farmacêuticos.
Para a ginecologista e consultora do estudo, a médica Joele Lerípio, a falta de informação contribui para o sofrimento silencioso. “Embora seja frequente na gestação e no pós-parto, a incontinência urinária não deve ser encarada como algo que a mulher simplesmente precisa aceitar. Existem diferentes abordagens terapêuticas, como fisioterapia pélvica, mudanças comportamentais e, em alguns casos, tratamentos médicos específicos. O primeiro passo é falar sobre o tema e buscar orientação profissional”, explica.
Segundo a médica, reduzir o consumo de líquidos por conta própria pode trazer outros prejuízos à saúde. “Diminuir a ingestão água e outras bebidas não é uma solução e pode favorecer infecções urinárias e outros problemas. A avaliação individualizada é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida da paciente”, completa.
Produtos específicos para incontinência ainda são pouco conhecidos
Segundo o levantamento, metade desconhece que existem produtos específicos para incontinência urinária.
A principal razão para não os experimentar é a dificuldade de encontrá-los para comprar (32%). Além disso, o hábito de usar absorventes menstruais e o receio de admitir a necessidade de produtos específicos também influenciam essa decisão.
O estudo identificou que grávidas e puérperas usam mais protetores diários ou improvisam soluções, enquanto mulheres no pós-parto recorrem a absorventes menstruais ou específicos para incontinência.
A pesquisa também revela que as mulheres não conhecem a diferença entre produtos menstruais e para incontinência urinária: 37% não têm certeza e 18% não sabem.
Segundo a TENA, as versões de produto para incontinência absorvem mais, possuem barreiras mais eficazes contra vazamentos e são melhores no controle de odor da urina.
De forma geral, as mulheres têm pouca familiaridade com a categoria de incontinência urinária e a associam com casos mais graves, como idosos ou pessoas doentes, além de produtos volumosos, como fraldas. Em geral, elas pouco conhecem opções, como calcinhas descartáveis ou laváveis.
Cesta de compras e comportamento no PDV
Após os episódios de incontinência, as entrevistas relataram ter aumentado o uso de alguns produtos ou terem começado a usar, por exemplo: sabonete íntimo (51%), lenço umedecido (67%), papel higiênico (23%), pomada para área intima (36%) e desodorante íntimo (21%).
O levantamento identificou uma barreira emocional no ponto de venda: muitas mulheres evitam a gôndola de produtos para incontinência e permanecem na categoria de absorventes menstruais, que transmite maior sensação de conforto.
A hipótese é a de que existe resistência em reconhecer a condição de perda de urina como algo mais duradouro, o que reduz a busca por soluções específicas e reforça a percepção de que se trata de uma situação passageira.
Metodologia
A marca TENA encomendou o levantamento à Okno Núcleo de Estudos, que conduziu o estudo a partir de entrevistas com mulheres brasileiras que vivenciaram episódios de perdas espontâneas de urina durante a gestação e no pós-parto.
Foram ouvidas gestantes com mais de 24 semanas (35 a 43 anos) cujo quadro começou na gestação atual; puérperas da mesma faixa etária, com filhos de até 1 ano e que convivem com a condição desde a gravidez; e mulheres de 35 a 50 anos, com filhos de até 7 anos, que desenvolveram os escapes durante a gestação. O objetivo foi compreender percepções, impactos na rotina e nível de informação sobre o tema.
Foto: Shutterstock
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