O Laboratório Cristália, empresa 100% brasileira, inaugurou uma unidade voltada para genética aplicada, em Campinas (SP). Instalada em uma área total de 1.006 m2, a planta conta com oito laboratórios equipados com tecnologias importadas da Suécia, Bélgica e Estados Unidos.
A unidade vai viabilizar a produção de medicamentos personalizados, que ajustam os tratamentos ao perfil genético do paciente para maior eficácia e menos efeitos colaterais.
Com investimento de cerca de R$ 70 milhões, a planta será dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de potenciais ativos na perspectiva da genética, como RNA (ácido ribonucleico) e ASO (sequências sintéticas de DNA ou RNA), bem como terapias gênicas avançadas e vetores virais.
Segundo a companhia, alguns equipamentos, como Oligosynt (RNA) e Ignite (formulação de nanopartículas lipídicas) ainda não estão disponíveis em nenhuma indústria brasileira.
Tratamento do alcoolismo
O laboratório já está desenvolvendo pesquisa de um produto voltado para o tratamento do alcoolismo.
O projeto conta com a consultoria da Professora Ana Lucia Brunialti Godard, professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que descobriu um gene responsável pela regulação da dependência e que hoje não tem um tratamento que permita sua correção.
A especialista atua no Departamento de Genética, Ecologia e Evolução da universidade. É especialista em modelos animais para estudos de doenças humanas, incluindo alcoolismo e patologias biológicas.
“Sim, o alcoolismo é uma doença. Decidimos investir na pesquisa e estamos obtendo resultados promissores”, afirma Dr. Ogari Pacheco, cofundador e presidente do Conselho do Cristália.
Soluções para terapias celulares
A planta conta também com laboratórios para o desenvolvimento de terapias celulares, como: CAR-T, tratamento genético revolucionário que reprograma as células de defesa do paciente para reconhecer e destruir células cancerígenas; CAR-NK, linfócitos Natural Killer modificados geneticamente para tratamento oncológico e hematológico; e nanopartículas lipídicas.
Os pesquisadores trabalham também no desenvolvimento de tecnologias de RNA para o tratamento da sarcopenia, a perda progressiva e generalizada de massa, força e função muscular comum após os 60 anos.
De acordo com o Dr. Ogari Pacheco, as tecnologias voltadas para genética não apenas complementam a medicina tradicional, mas redefinem o que entendemos como tratamento.
“Os grandes atributos dessas tecnologias podem ser simplificados em possibilidade de tratamento para enfermidades de origem genética, medicina de precisão, imunoterapia e miniaturização dos volumes de produção”, explica.
Investimento em inovação
Dr. Pacheco destaca que a unidade de Genética Aplicada do laboratório Cristália não é apenas um centro de pesquisa e desenvolvimento, mas um hub estratégico de inovação, capaz de gerar produtos de altíssimo valor agregado e de transformar radicalmente o panorama da medicina humana.
“A unidade é estratégica para o avanço da Saúde no país”, ressalta Dr. Pacheco. “Países e instituições que dominam essas plataformas se posicionam na vanguarda científica e econômica. Além de ajudar a salvar vidas, estamos gerando novos mercados, atraindo investimentos e consolidando a liderança em biotecnologia”, afirma.
Fonte e foto: Cristália
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