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Mais tecnologia no varejo farmacêutico não significa, necessariamente, mais eficiência

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 11 de agosto de 2026 Atualizado em: 11 de agosto de 2026 Nenhum comentário 4 Minutos de leitura
Mais tecnologia no varejo farmacêutico não significa, necessariamente, mais eficiência

O autoatendimento já deixou de ser apenas uma tendência no varejo para se consolidar como parte importante da jornada de compra em diferentes segmentos. Supermercados, aeroportos e grandes redes avançam rapidamente nesse modelo impulsionados pela busca por eficiência operacional, redução de filas e mais autonomia para o consumidor. No varejo farmacêutico, porém, essa discussão exige um olhar mais estratégico e, principalmente, mais criterioso.

A farmácia possui uma dinâmica diferente da maior parte do varejo. Em muitos casos, o consumidor não entra na loja apenas para concluir uma compra rápida e objetiva. Ele busca orientação, validação e segurança para tomar uma decisão. Mesmo quando o produto está exposto fora do balcão, o fator humano continua tendo um papel central na experiência.

É justamente por isso que o debate sobre autoatendimento no setor farmacêutico não deveria girar em torno da pergunta “vale ou não vale a pena implementar?”. A discussão mais importante hoje é entender onde, quando e para qual perfil de compra essa tecnologia realmente faz sentido.

Essa diferença muda completamente a lógica da decisão.

Varejo farmacêutico: quais tecnologias implementar?

Existe um movimento natural de o varejo olhar para soluções que já funcionam em outros segmentos e tentar acelerar sua implementação. Mas, na farmácia, inovação sem contexto pode rapidamente se transformar em investimento subutilizado. Mesmo em setores onde o autoatendimento já está mais consolidado, ainda existe resistência de parte dos consumidores à ausência de suporte humano durante a jornada de compra. No varejo farmacêutico, onde confiança e orientação têm peso ainda maior, essa percepção se torna mais sensível.

Ainda assim, muitas redes continuam tomando decisões com base em percepção. “Essa loja tem muito movimento”, “essa unidade possui perfil moderno” ou “a fila aqui é grande” são justificativas comuns para definir onde instalar autoatendimento. O problema é que fluxo não significa aderência.

Uma loja movimentada pode ter comportamento de compra altamente consultivo, forte presença de medicamentos controlados ou um público que valoriza mais a interação humana durante a jornada. Nesses casos, o autoatendimento não melhora a experiência do consumidor e tampouco resolve a dor operacional da loja. Pelo contrário: cria atrito, reduz a fluidez e aumenta a sensação de distanciamento em um setor onde a confiança ainda é um dos principais ativos. Por isso, antes do totem, vêm os critérios de gestão.

Fluxo por loja, horários de pico, perfil de compra, recorrência de clientes e dependência de atendimento consultivo precisam orientar qualquer estratégia de implementação. O autoatendimento não pode ser tratado apenas como símbolo de modernização ou ferramenta de redução de custo. Quando a tecnologia entra no lugar errado, o consumidor percebe rapidamente. E o impacto não aparece apenas na baixa adesão ao equipamento, mas também na perda de qualidade da experiência.

Esse ponto se torna ainda mais relevante quando observamos a transformação pela qual o varejo farmacêutico vem passando. Cada vez mais, o setor busca fortalecer o papel clínico do farmacêutico e ampliar a relação consultiva com o consumidor. Nesse contexto, talvez o principal ganho do autoatendimento não esteja apenas na agilidade do pagamento, mas na possibilidade de liberar farmacêuticos e atendentes de tarefas excessivamente operacionais para que possam atuar onde realmente geram valor.

Quando implementado com inteligência, o autoatendimento reduz atritos operacionais e abre espaço para uma jornada mais estratégica, em que a tecnologia cuida das etapas mais transacionais enquanto os profissionais concentram esforços em orientação, relacionamento e atendimento especializado.

varejo farmacêuticoO problema é que, quando a implementação acontece sem critério, a farmácia perde dos dois lados: não melhora eficiência e ainda desperdiça a oportunidade de transformar o farmacêutico em um agente mais relevante dentro da jornada de cuidado.

As redes que sairão na frente não serão as que instalarem mais tecnologia, mas as que souberem aplicá-la da forma certa. No varejo farmacêutico, o diferencial não está no totem em si, mas na capacidade de usar a tecnologia para melhorar a experiência sem perder aquilo que sustenta a relação com o consumidor: confiança.

* Artigo escrito por Rogerio Vieira, diretor de Farma da TOTVS

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