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A demora do crescimento econômico e social

Sem fortes investimentos privados, não há a mais remota possibilidade de crescimento econômico e social

Encontra-se o Brasil com um dos maiores índices de desemprego de sua triste história econômica. Um contingente próximo à população da cidade de São Paulo. A reversão dessa barbárie só ocorrerá se o empresariado, de maneira geral, convencer-se de que o jogo político em curso, em que Michel Temer terá de enfrentar inclusive oponentes dentro da base aliada, será favorável ou não às necessidades do País, já que muitos políticos ainda não vislumbraram o estado deplorável da economia e do tecido social. 

Na atualidade, sem fortes investimentos privados, não há a mais remota possibilidade de crescimento econômico e social. Para que o chamado “espírito animal” empresarial seja despertado, algumas decisões duras terão de ser tomadas imediatamente, a saber: uma diminuição acentuada da taxa de juros (que se choca com o problema da inflação resistente em altos patamares); avanço das parcerias público-privadas, objetivando a reconstrução da precária infraestrutura brasileira; diminuição do déficit público, visando recuperar a capacidade de investimento estatal (União, estados e municípios); e reforma contundente da claudicante Legislação Trabalhista, com ênfase na aprovação do Marco Legal, incrementando e aperfeiçoando o processo de terceirização das atividades. 

Não seria por demais afirmar que, se a população em geral não pressionar os políticos, essas mudanças não ocorrerão e o nível de emprego não se recuperará tão cedo. A inação, nesse aspecto, delegará ao avanço da tecnologia a oportunidade de tornar a Legislação Trabalhista letra morta, já que muitas das chamadas atividades fim estão desaparecendo em caráter mundial.

Algumas notícias ajudam a focar melhor o problema. 

1) Título: “Navios de Carga Podem Dispensar Tripulação no Futuro”.

Fonte: Valor Econômico, 2/9/16, pág. B-9: (…) Projetistas de navios, operadores e reguladores estão se preparando para um futuro em que embarcações de carga irão cruzar os oceanos com uma tripulação mínima ou mesmo sem nenhuma. Avanços na automação e uma comunicação de dados cada vez mais veloz, mesmo no meio do oceano, podem causar a maior transformação no transporte marítimo desde que os motores diesel substituíram os a vapor. (…) Pode-se chegar a navios cargueiros não tripulados até 2030 e navios totalmente autônomos até 2035.

2) Título “A Vida na Mina Sem Ninguém ao Volante”.

Fonte: Valor Econômico, 6/9/16, pág. B-3: (…) Na Suécia, a montadora de veículos pesados Volvo desenvolveu um novo caminhão para uma mineradora. Tal caminhão é chamado FMX. O referido veículo fica tão escondido quanto a prata e o ouro explorados pela mina de Boliden, de onde saem também cobre e zinco. Com a ajuda de sensores, o veículo circula a 800 metros de profundidade. (…) Um mundo de veículos sem motorista, seria uma maravilha. Ele não precisa sequer olhar para a trilha percorrida pelo FMX. O caminhão segue em frente, desliza suavemente em curvas sinuosas e, finalmente, dá, sozinho, a marcha a ré, para voltar ao ponto de partida. (…) No Brasil, o caminhão autônomo já começou a ser testado também em plantações de açúcar.

3) Título “O Bolsa Família dos Países Ricos”.

Fonte: Revista Exame CEO, set./16, págs. 58/59: (…) Um estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, analisou 700 postos de trabalho, com diferentes graus de complexidade e chegou à conclusão de que 47% deles poderão ser automatizados nos próximos 20 anos. Robôs comandados por algoritmos deverão ser capazes de realizar tarefas que sempre precisaram de interação humana, como dirigir automóveis e caminhões para o transporte de mercadorias. Estima-se que um terço dos postos de trabalhos no setor de varejo na Europa desaparecerá até 2025, em razão do desenvolvimento da robótica. 

4) Título “Bancos tentam controlar despesas com redução de agências e pessoal”.

Fonte: Valor Econômico, 13/9/16, pág. C-1: (…) Para cortar gastos, as medidas adotadas pelas instituições financeiras têm ido em duas principais linhas: a redução de agências e a diminuição do quadro de pessoal. (…) Nos 12 meses encerrados em junho, os quatro grandes bancos fecharam um total de 413 agências. Para comparação, apenas 19 agências foram fechadas entre junho de 2014 e junho de 2015. (…) A redução das agências está ligada ao uso crescente de canais de atendimento digital por parte dos clientes. (…) Os bancos também têm enxugado o quadro de funcionários, em especial ao não repor aqueles que deixam a instituição ou se aposentam. Entre junho/15 e junho/16, os quatro maiores bancos cortaram 12.200 postos de trabalho. 

5) Título “Uber lança primeira frota de táxis autoguiados”.

Fonte: Valor Econômico, 15/9/16, pág. B-6: (…) O Uber lançou, sua primeira frota de táxis autoguiados em Pittsburgh, Pensilvânia (EUA), e pulou à frente de empresas como Google, Tesla, Ford e GM na corrida para desenvolver tecnologias para veículos autônomos. (…) Para o Uber, os veículos autônomos são uma aposta de longo prazo no que a empresa acredita que será o futuro do transporte urbano e no que poderia, no fim das contas, reduzir o custo do transporte ao acabar com a necessidade de motoristas. Portanto, assim como já ocorreu em países desenvolvidos, logo o Brasil será alcançado por essas tendências de automação em velocidade acelerada, provocando irreversíveis danos ao já decrescente número de postos de trabalho.

Foto: Shutterstock

Sobre o colunista

Fernando Pinho

Economista e consultor financeiro da Prospering Consultoria



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