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A desagradável incontinência urinária

O vazamento involuntário de urina é um incômodo que pode levar o paciente à reclusão. O que muitos não sabem é que, com o tratamento certo, o problema pode desaparecer

Ir ao banheiro é um momento íntimo e não muito falado pela maior parte das pessoas. Ainda que urinar seja algo natural e comum a todos, a ação é tida como algo pessoal e comumente não compartilhada.

Mas para muitas pessoas, o simples “fazer xixi” pode se tornar uma tarefa muito difícil. É o caso daqueles que sofrem com incontinência urinária. O termo é, resumidamente, a perda involuntária de urina.

A patologia acomete, principalmente, mulheres e idosos e cria situações desagradáveis para quem, nem sempre, consegue segurar para chegar ao banheiro.

“A incontinência urinária acontece quando a pressão na bexiga é maior do que a musculatura presente no sistema urinário consegue segurar, fazendo com que haja um vazamento. Pode acontecer pela deficiência na musculatura ou pelo excesso de pressão na bexiga”, explica o urologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Cesar Nardy.

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), são quatro os tipos de incontinência urinária:

Esforço: é a perda de urina que ocorre ao tossir, espirrar, caminhar, correr, pular, entre outros esforços. Acontece quando os músculos do assoalho pélvico têm grande esforço físico e se tornam enfraquecidos ou alongados demais.

Urgência: é a perda associada a um desejo súbito e urgente de urinar, que acontece porque a pessoa não consegue chegar ao banheiro a tempo. É o que ocorre na bexiga hiperativa, uma situação em que o músculo detrusor (que forma a bexiga) se contrai involuntariamente, mesmo se a bexiga não estiver cheia.

Mista: alguns indivíduos têm os dois tipos de incontinência urinária ou sintomas que podem ser dos dois tipos.

Paradoxal: ocorre quando a bexiga está extremamente cheia e a perda acontece por uma espécie de transbordamento; o problema, neste caso, é a incapacidade de esvaziamento da bexiga, mas o sintoma é a perda de urina.

Apesar dos músculos serem os principais responsáveis pelo problema, alguns fatores ambientais podem se tornar fatores de risco – principalmente no caso da bexiga hiperativa.

Para o urologista do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano Higienópolis, Dr. Raphael Moreira, algumas coisas podem irritar a bexiga, piorando a situação. Entre eles estão o cigarro, a cafeína, os alimentos ácidos, alguns temperos e o chocolate.

O diagnóstico da incontinência urinária é feito de acordo com a história clínica, além de exames de urina com cultura, ultrassom de vias urinárias e da próstata. Além disso, em certos casos, pode ser usada uma sonda cheia de soro que, quando o paciente faz esforço, é avaliado se há vazamento.

Coadjuvantes na ajuda dos pacientes

Aqueles que sofrem com a incontinência urinária, muitas vezes, recorrem ao uso de absorventes, fraldas e roupas descartáveis. Os produtos garantem certo conforto e segurança aos acometidos.

O uso é uma escolha pessoal do paciente de acordo com o nível de vazamento e incômodo de cada um. Atualmente, existem vários tipos de fraldas e absorventes no mercado, alguns mais modernos e outros menos, que o paciente pode testar e se adaptar.

Fontes: urologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Cesar Nardy; e urologista do Núcleo de Urologia do Hospital Vitória, Dr. Fernando Saito

Para evitar o problema, o paciente deve ter atividade física regular, controle do peso (evitando sobre peso e obesidade) e avaliação constante com o ginecologista de confiança ou com o especialista urologista, no aparecimento dos primeiros sintomas.

Os pacientes podem sofrer com diferentes níveis de incontinência urinária, desde leve até grave. Há graus muito leves, em que a perda da urina ocorre de forma esporádica, em gotas; e graus mais severos, em que as perdas se tornam muito frequentes ao longo do dia e o volume de urina é elevado.

Nos casos severos, há grande impacto no dia a dia do paciente. Muitos ficam reclusos, não saem mais de casa, deixam de fazer passeios ou viagens e sentem-se envergonhados”, diz o urologista do Núcleo de Urologia do Hospital Vitória, Dr. Fernando Saito.

Além do corpo

O problema da incontinência urinária traz um empecilho talvez ainda maior do que a parte física: as consequências psicológicas. A falta de controle do próprio corpo faz com que o acometido sinta vergonha e medo de ter algum imprevisto em público, deixando de fazer suas atividades comuns.

Para o urologista do Hospital Samaritano, a patologia – principalmente nos níveis moderado e grave – causa um grande impactado na qualidade de vida das pessoas. Os pacientes, angustiados, abandonam a vida social.

“Há paciente que acaba nem saindo de casa porque acha que está cheirando mal. Outros não procuram tratamento, especialmente os idosos, porque acham que é normal. Porém, cada causa tem o seu tratamento e pode ajudar o acometido a voltar a ter sua vida de antes”, comenta o Dr. Cesar, da BP.

Os tratamentos, inclusive, são relativamente simples. No caso da perda devido à urgência, o paciente pode ter controle da dieta, fisioterapia (para controlar a bexiga) e usar medicamentos anticolinérgicos, que controlam as contrações. No caso das medidas mais simples não funcionarem, pode usar toxina botulínica (botox) dentro da bexiga para controlar as contrações.

Para casos refratários, pode ser usado, ainda, um marca-passo que controla o movimento da bexiga. “Já nos casos de esforço, há a possibilidade de fisioterapia para recuperar a musculatura ou tratamento cirúrgico. Ainda não há medicamentos porque é preciso fortalecer toda a musculatura. Ao menos oito de cada dez mulheres que fazem a cirurgia ficam satisfeitas com o resultado”, frisa o Dr. Moreira.

Quem mais sofre

De acordo com um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em sete países, incluindo o Brasil, concluiu-se que entre as pessoas de 60 anos a 74 anos de idade, 9% dos homens e 22% das mulheres já tiveram incontinência urinária. Já na população acima dos 75 anos de idade, a incidência aumenta para 23% nos homens e 36% nas mulheres.

A maior incidência entre o público feminino acontece devido à anatomia da mulher. A uretra delas é mais curta, deixando o caminho da urina menor, facilitando a perda involuntária. Além disso, uns dos fatores de risco para a patologia acontecer são os partos naturais.

O urologista do Hospital Vitória nomeia, ainda, outros fatores: mulheres na menopausa, sobrepeso ou obesidade e histórico familiar. “As mulheres são mais atingidas por questões inerentes à anatomia dos sistemas urinário e reprodutor. No caso dos homens, fazem parte do grupo de risco aqueles que passaram pela cirurgia para tratamento do câncer de próstata”, revela.

Foto: Shutterstock

Inovação é chave do sucesso

Edição 304 - 2018-03-01 Inovação é chave do sucesso

Essa matéria faz parte da Edição 304 da Revista Guia da Farmácia.