O processo inflamatório responsável pelas espinhas e cravos

As espinhas e os cravos surgem em decorrência de um problema: acne. Ela tem início na fase da adolescência e acompanha cerca de 10% das pessoas na vida adulta. farmácias auxiliam no tratamento e na prevenção

A saúde da pele se reflete diretamente na autoestima de grande parte das pessoas. Em uma época de inseguranças e transformações, alguns problemas podem surgir no rosto. A adolescência é marcada pela acne, responsável pelo aparecimento de cravos e espinhas, o que pode causar insegurança e, dependendo de seu grau, necessitar de medicamentos para ser tratada.

“A acne é uma doença caracterizada pela presença de cravos e espinhas que surgem em decorrência de um processo inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos”, resume a dermatologista da Mantecorp Skincare, Dra. Mamy Honda.

Ou seja, acontece a obstrução dos poros pelo excesso de sebo produzido e pelo estreitamento e obstrução da abertura do folículo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microrganismos que provocam a inflamação característica das espinhas.

De acordo com a dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), Dra. Luciana Gasques, a incidência da acne é mais comum na adolescência porque é quando acontecem as alterações hormonais, tanto nas meninas quanto nos meninos, aumentando a produção de sebo.

Medicamento necessário

A acne se divide, em geral, em não-inflamatória (quando predominam comedões fechados e abertos) e inflamatória (que é subclassificada em leve, moderada e grave, de acordo com a presença de pápulas, pústulas, nódulos, pseudocistos, cistos e tratos sinuosos).
O acompanhamento de um médico dermatologista é importante para avaliar o grau da acne e para indicar o tratamento específico para cada caso, que pode ser:
1. Tratamento tópico: os produtos, que devem ser aplicados na área afetada, exigem um uso regular e normalmente prolongado. Os principais ingredientes têm ação queratolítica, antimicrobiana e anti-inflamatória. Os mais conhecidos são: peróxido de benzoíla, ácido salicílico, retinoides e enxofre.
2. Tratamentos sistêmicos: quando a acne é moderada, podem ser usados antibióticos orais para diminuir as inflamações. Mas quando é muito grave, deve ser tratada com isotretinoina, que atrofia as glândulas e é considerado um tratamento definitivo.

Fontes: dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), Dra. Luciana Gasques; e gerente de pesquisa e desenvolvimento de Asepxia, Soraya Baione

O problema chega na puberdade, que acontece cada vez mais cedo. É comum notar meninas que iniciam o amadurecimento aos nove ou dez anos de idade, e os meninos mais tardiamente. A acne pode acometer até 96% dos adolescentes, desde um grau leve até grave. Muitas vezes, os cravos são, inclusive, um dos sinais de que a pessoa entrou na puberdade.

“Estudos demonstram que combinando a idade e o gênero, existe uma frequência de acne de 61% aos 12 anos de idade e de 83% aos 16 anos, para o sexo feminino; e de 40% aos 12 anos, com aumento para cerca de 95% aos 16 anos, para o sexo masculino. Em 10% dos casos, a acne persiste além dos 25 anos, podendo chegar até os 50 anos”, esclarece a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Asepxia, Soraya Baione.

Sem fim

Apesar de serem uma minoria, algumas pessoas podem sofrer com a acne na vida adulta, principalmente as mulheres. Segundo a Dra. Luciana, da SBD e da SBCD, ela acontece primordialmente por causa da síndrome do ovário policístico, uma alteração ovariana em que a pessoa tem cistos no ovário que deixam a taxa hormonal elevada, causando hiperfunção das glândulas sebáceas e a persistência da acne.

Quando o problema não é hormonal, pode ser causado pelo estilo de vida, pela alimentação rica em carboidratos e derivados de leite e pela falta de cuidados com a pele. No caso dos homens, a maior incidência acontece por causa da alimentação ou pelo uso de suplementos vitamínicos – muito usados pelos praticantes de esportes.

“A acne tem predisposição genética e suas manifestações dependem dos hormônios sexuais. A maior oscilação e possíveis disfunções hormonais femininas (como disfunção menstrual e ovário policístico) podem fazer com que a acne persista nas mulheres na vida adulta”, complementa Soraya.

As principais dúvidas

Chocolate e refrigerante causam acne?

O carboidrato causa acne, então, se o refrigerante não for zero, ele causa acne, por ter muito açúcar. Já o chocolate pode ser prejudicial por ser derivado do leite, mas se consumidos aqueles com baixo índice glicêmico e pouco leite, como os 70% ou 80%, não há problema.

Espremer espinhas faz com que elas se proliferem?

Se feito de forma inadequada e com pouca assepsia, espremer a espinha pode aumentar o processo inflamatório da lesão e proliferar os microrganismos causadores da acne. É recomendado fazer este procedimento com um dermatologista ou profissional de estética especializado.

Maquiagem causa acne?

É importante escolher produtos de maquiagem adequados para a pele oleosa com tendência à acne, dando preferência a produtos que não obstruam os poros, não contenham óleo (oil free) e que não provoquem cravos (não comedogênicos). Um produto de maquiagem com textura mais cremosa e com óleos em sua formulação pode ser comedogênico.

Como a higienização da pele deve ser feita? Quais são os produtos que podem ser usados?

A pele oleosa com tendência à acne deve ser limpa pelo menos duas vezes ao dia com sabonetes antiacne líquidos, em barra ou gel, que limpam sem ressecar a pele. O tratamento cosmético para este tipo de pele deve conter agentes que estimulem a renovação celular (ácido salicílico e outros alfa-hidroxiácidos), reduzam a taxa de sebo (PCA de zinco) e tenham ação calmante para reduzir a irritação (alfa-bisabolol) e antimicrobiana (enxofre e melaleuca).

Filtro solar deve ser usado diariamente? Qual a melhor formulação?

A proteção solar é essencial para todos os tipos de pele e ajuda a prevenir o envelhecimento precoce, mas é importante escolher fórmulas livres de óleo, não comedogênicas, que tenham a propriedade de controlar o brilho e, se possível, com ação antiacne. Já existem protetores que ajudam, inclusive, a tratar a acne, reduzindo a oleosidade.

Fontes: dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), Dra. Luciana Gasques; e gerente de pesquisa e desenvolvimento de Asepxia, Soraya Baione

Mas, ainda que possa ser um problema recorrente, alguns hábitos podem ajudar a acabar com o incômodo. Segundo a Dra. Mamy, a limpeza adequada da pele e o uso de cosméticos que controlem a oleosidade (com ação queratolítica) ajudam a reduzir o aparecimento de cravos e espinhas.

“A limpeza da pele é o primeiro cuidado para ajudar a prevenir e reduzir cravos e espinhas e deve ser feita no mínimo duas vezes ao dia. O ideal é usar produtos que sejam desengordurantes e adstringentes, de forma equilibrada, pois a lavagem em excesso pode provocar sensibilização ou mesmo efeito ‘rebote’ (maior produção de sebo na pele)”, explica Soraya.

É importante também ter uma alimentação saudável, usar protetor solar para pele oleosa e ir regularmente ao dermatologista para receber as orientações corretas para o tipo de pele. Cada pessoa tem que ser analisada para saber quais os melhores produtos para ela.

Tipos de lesões

A acne pode causar alguns tipos de lesões, se não for cuidada da maneira correta:

  • Pápulas: bolinhas avermelhadas sem pus;
  • Pústulas: bolhas de pus;
  • Cistos: são várias pústulas juntas que formam uma lesão maior;
  • Comedões: mais conhecidos como cravos, são uma lesão aberta com conteúdo escurecido dentro (queratina).

Fonte: dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD),
Dra. Luciana Gasques

“Alimentos que têm alto nível glicêmico, como carboidrato e açúcares brancos, aumentam a taxa de glicemia e isso é muito ruim para a acne. O paciente deve preferir alimentos integrais, com baixo nível glicêmico, e evitar leites e derivados. Além disso, é preciso evitar lavar o rosto ou tomar banho muito quente, pois isso estimula a pele a produzir mais sebo”, alerta a Dra. Luciana.

O tratamento pode variar dependendo do grau da doença: a acne mais leve pode ser tratada só com pomadas, sabonete e protetor solar. Quando um pouco mais grave, às vezes é necessário o uso de antibiótico oral. Se for muito severa, o tratamento é feito com isotretinoína.

No caso dos adultos, se há desconfiança de alteração hormonal associada (quando a pessoa ganha muito peso, começa a ter muito pelo, entre outros sintomas), o médico precisa pedir exame de sangue e ultrassom do ovário, porque não adianta só tratar a pele sem tratar a alteração.

Foto: Shutterstock

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Edição 313 - 2018-12-04 Como vender mais em 2019

Essa matéria faz parte da Edição 313 da Revista Guia da Farmácia.