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Alergias: Presença inconveniente

Vermelhidão e coceira são dois dos sintomas comuns para quem é picado por insetos. Mas para os alérgicos, o quadro pode ser ainda pior, principalmente no verão

O verão é marcado não somente pelas temperaturas mais altas, mas pelo aumento das chuvas e do clima úmido. Essa combinação é perfeita para a proliferação dos insetos que, não só incomodam, mas podem trazer alergias à pele das pessoas mais sensíveis.

Com a maior incidência do calor e umidade, o tempo de reprodução dos insetos é mais curto. Se o ciclo natural de um mosquito é, por exemplo, de 12 dias, nesta estação, pode diminuir para seis. Exatamente por isso, nascem mais insetos nesta época do ano.

As alergias causadas pelos mosquitos, pulgas, moscas e carrapatos são ocasionadas pela saliva injetada durante a picada, que tem efeito irritativo e pode provocar uma pequena reação com vermelhidão, inchaço e coceira no local afetado.

“Pernilongos, mutucas e borrachudos são os mosquitos predominantes. Pessoas sensibilizadas aos alérgenos desses insetos, quando picadas, podem ter desde uma reação limitada à região da picada com formação de uma pápula, vermelhidão e coceira, até graus diferentes de intensidade, como inchaço no segmento do corpo atingido, ou mais intensa, como a disseminação das pápulas por mais segmentos até inchaço a distância de onde foi picada”, revela o pediatra e alergologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Victor Nuldeman.

Ação dos repelentes

  • Aedes aegypti: além da alergia, pode causar as doenças dengue, chikungunya, zika e febre amarela.
  • Mosquitos, pulgas, moscas e carrapatos: as alergias são causadas pela saliva injetada durante a picada. Podem provocar pequena reação com vermelhidão, inchaço e coceira no local afetado.
  • Abelhas, vespas, marimbondos e formigas: as alergias são causadas pelo veneno injetado durante a picada. O indivíduo sente dor e o local fica vermelho e inchado.

Ao usar repelente, o odor do produto afasta os mosquitos, impedindo a aproximação dos insetos onde o item foi aplicado.

Fontes: médica clínica, alergista e imunologista do Hospital Alvorada, Dra. Brianna Cominato Nicoletti; e pediatra e alergologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Victor Nuldeman

De acordo com a médica clínica, alergista e imunologista do Hospital Alvorada, Dra. Brianna Cominato Nicoletti, o diagnóstico dos casos mais graves é clínico. As lesões apresentam um aspecto característico: inicialmente têm de 3 mm a 10 mm, formando uma circunferência com saliência avermelhada, com um ponto central hemorrágico. Posteriormente, é substituído por uma bolha pequena de conteúdo líquido, que se rompe espontaneamente, porque a pessoa coça, e forma uma crosta. Essa evolução acontece em aproximadamente oito dias.

Já as alergias causadas por abelhas, vespas, marimbondos e formigas são originadas pelo veneno injetado durante a picada. “Milhares de pessoas são picadas por esses insetos todo o ano. Todas desenvolvem algum grau de reação, porém menos de 5% da população é realmente alérgica. Normalmente, após a picada, o indivíduo sente dor e o local fica vermelho e inchado. A aplicação de gelo e a limpeza com uma solução antisséptica são suficientes para melhorar os sintomas”, comenta a Dra. Brianna.

Entretanto, existem pessoas que desenvolvem graves reações alérgicas que vão desde uma reação local de maior intensidade, por exemplo, acometendo todo o braço ou uma grande área do corpo, até graves reações generalizadas e choque anafilático. Pessoas que se tornam alérgicas a picadas desses insetos podem correr risco de graves sintomas ou morte.

Quem mais sofre

Estima-se que aproximadamente 10% da população tenha reação alérgica à picada de insetos do tipo hematófago (pernilongos e pulgas). As crianças podem ter reação mais exagerada, o que pode se resolver em três ou quatro anos espontaneamente, por mudança do padrão de resposta imunológica.

O Dr. Nuldeman explica que pessoas com alto metabolismo, temperatura corpórea mais alta e que suam mais tendem a atrair mais os mosquitos. Isso porque esses insetos são atraídos pelo ácido lático que o corpo produz, pelo dióxido de carbono exalado e pelos tipos de bactérias que se têm na pele.

“Pessoas que já se sensibilizaram aos insetos, ou seja, já têm em seu corpo anticorpos de classe IgE fixados nas células reservatórias de histamina, liberam a histamina assim que entram em contato com o alérgeno do mosquito pela segunda e outras vezes. Quanto menor for a criança, maior é seu metabolismo e atratividade de mosquitos e, se for sensibilizada, maior é o risco de reação alérgica”, complementa ele.

Para se prevenir do problema, o método mais eficaz é o uso de repelentes. Os produtos funcionam pela sua percepção de odor, que refuta aproximação de insetos em áreas ou ambientes onde ele foi aplicado.

Os três principais tipos de repelente são: à base de icaridina, de DEET e de IR3535. Para que ele seja eficaz, é necessário aplicar uma boa quantidade nas áreas expostas.

É preciso ter alguns cuidados no uso do produto, segundo a alergista do Hospital Alvorada, pois todos, se mal usados, podem provocar efeitos tóxicos.

O tratamento de uma pequena alergia à picada de inseto pode ser feito com gelo no local por até dez minutos e uma pomada à base de corticoide, de duas a três vezes ao dia, por cinco dias.

Deve-se atentar para a faixa etária de quem vai usar, já que é perigoso não passar repelentes específicos nas crianças, que têm pouca defesa corpórea e uma pele que absorve mais. Isso pode causar uma complicação sistêmica, além de alteração neurológica ou pulmonar. É importante lembrar que não se deve dormir com repelente.

“No Brasil, o repelente com maior durabilidade disponível é à base de icaridina, que pode durar até 12 horas na pele. Ele pode ser usado acima dos dois anos de idade. O DEET é o mais comum, presente na grande maioria das marcas e dura quatro horas na pele, em média. Não é permitido reaplicar o DEET mais de três vezes ao dia, por aumentar o risco de absorção e de toxicidade. Os produtos infantis trazem de 6% a 9% do princípio ativo e, para os adultos, a concentração gira em torno dos 14%. Já o repelente à base de IR3535 é o único indicado para bebês acima de seis meses de idade, por ser uma substância com menos risco de alergia e intoxicação”, complementa a Dra. Brianna.

A prevenção pode ser feita, também, ao eliminar depósitos de água parada, manter a casa limpa, usar inseticidas nos ralos e repelentes de insetos dentro dos ambientes (aerossóis, líquidos ou pastilhas elétricas, por exemplo), calafetar o assoalho e dedetizar a casa. Recomenda-se fechar as janelas logo ao entardecer ou usar telas mosquiteiras nas janelas e cortinados nos quartos.

O tratamento de uma pequena alergia à picada de inseto pode ser feito com gelo no local por até dez minutos e uma pomada à base de corticoide, de duas a três vezes ao dia, por cinco dias.

É recomendado evitar coçar a área, uma vez que esta ação pode levar a aumento de irritação da pele ou infecção local. Em alguns casos, pode haver necessidade de tratar uma infecção bacteriana secundária com antibiótico.

Foto: Shutterstock

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Edição 301 - 2017-12-01 Novo ano em vista

Essa matéria faz parte da Edição 301 da Revista Guia da Farmácia.

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