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Alergias respiratórias: sintomas típicos das estações mais frias do ano

Mudanças bruscas na temperatura são as inimigas número 1 dos alérgicos; tratamento vai desde lavagem nasal ao uso de antibióticos

Para quem é alérgico, a chegada das estações mais frias do ano apresentam riscos para o desenvolvimento de crises de rinite, sinusite, faringite e asma. No outono e no inverno, os espirros, a tosse e o nariz entupido podem incomodar com mais frequência.

Nesta época do ano, as pessoas enfrentam o ar frio, seco e poluído, ambientes fechados, ficam muito próximas uma das outras, aumentando as chances de infecções virais e, talvez, o pior para as vias respiratórias: usar roupas e cobertores que estavam guardados há muitos meses sem higienizá-los corretamente.

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Segundo o pneumologista e diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), Dr. Mauro Gomes, a alergia respiratória é uma reação do sistema imunológico ao ter contato com tipos de alérgenos, como ácaros, poeira doméstica, mofo, fumaça, pelos de animais e pólen. Sendo assim, quanto maior o contato com os causadores da alergia, maiores as chances de crises.

“Outros fatores também podem causar ou piorar as reações alérgicas, entre eles, a presença de infecções virais, como gripes e resfriados, comuns nesta época. Por isso, é necessário orientar o paciente sobre a importância da vacinação e da adesão ao tratamento correto das alergias respiratórias durante o ano inteiro, duas simples atitudes que por si só são capazes de minimizar significativamente as ocorrências de crises.”

Mas, afinal, alergia respiratória é diferente de infecção respiratória? A resposta é, sim! Embora ambas comprometam o funcionamento das vias aéreas superiores e inferiores e desencadeiem quase que os mesmos sintomas, as infecções respiratórias são causadas por vírus, enquanto o gatilho para as alergias é o contato com substâncias alergênicas.

Segundo a alergista e imunologista e diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Dra. Alexandra Sayuri Watanabe, há algumas formas simples de diferenciar o quadro viral de uma crise alérgica.

“Muitas vezes, o paciente chega ao consultório com a queixa de repetidas gripes e resfriados durante o ano, o que chamamos de gripe de repetição, só que, na realidade, ele tem rinite alérgica e não trata. Embora os sintomas sejam bem parecidos, na alergia respiratória, há muita coceira no nariz e nos olhos, mas o paciente não costuma ter dor no corpo, como acontece com a gripe. Pode até acontecer de ele se sentir mais cansado, mas isto costuma ser reflexo de uma noite mal dormida por conta do nariz entupido.”

O pneumologista acrescenta que outra diferença do quadro viral e alérgico é a presença ou ausência de febre. “A febre é um sinal de que o corpo está combatendo alguma infecção viral ou bacteriana e, como nos quadros alérgicos não há infecção, o paciente não vai apresentar aumento da temperatura corporal.”

Atenção: asma é diferente de bronquite

No rol das alergias respiratórias mais impactantes estão a asma e a bronquite e elas também acontecem com mais frequência na temporada das estações mais frias. É verdade que tanto a bronquite como a asma são caracterizadas pela inflamação dos brônquios, mas o Dr. Gomes alerta que os pacientes costumam usar os termos como sinônimos, o que é incorreto, já que os quadros apresentam gatilhos totalmente diferentes.

“Existem dois tipos de bronquite: a aguda que, na maioria dos casos, já aparece na infância, é causada por vírus ou bactéria e, geralmente, vem acompanhada de gripe ou resfriado, e a crônica, que tem o cigarro como seu principal responsável, por isso costuma se manifestar após os 40 anos de idade.”

Segundo o pneumologista, a bronquite não tem relação com alergia, como no caso da asma. Sem cura, as primeiras crises asmáticas costumam se manifestar na infância, uma vez que a doença conta com fatores genéticos e ambientais, como fumaça, poluição, pelo de animais de estimação, poeira e acúmulo de brinquedos e livros no quarto da criança.

Como tratar as crises de asma?

Muitas pessoas, mesmo durante as crises alérgicas, optam por não tomar o medicamento apropriado com receio de ter sono, apresentar taquicardia ou desenvolver vício pela medicação.
Na verdade, antigamente, era comum que algumas drogas pudessem trazer mais efeitos colaterais do que benefícios, mas, atualmente, com a evolução dos fármacos, isto não deveria ser considerado mais um inconveniente.

“É claro que todo medicamento pode causar efeitos indesejados, principalmente se for administrado sem prescrição médica adequada e por um período prolongado, mas pior do que isto é a inconstância ou desistência do tratamento de qualquer alergia respiratória”, adverte o pneumologista e diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), Dr. Mauro Gomes.

“Essa atitude é extremamente prejudicial para o paciente. Quando a asma é tratada adequadamente, é possível controlar os sintomas e garantir qualidade de vida e nenhum impacto na rotina do paciente.”

Segundo o médico, a base do tratamento da asma envolve o uso continuado de medicamentos com ação anti-inflamatória, com destaque para os corticosteroides inalatórios.

“Por ser administrado via inalatória, a dosagem de corticoide é pequena e fica depositada dentro dos brônquios, ou seja, não entra em contato com a corrente sanguínea, deixando o paciente isento de ganho de peso ou de problemas no coração.”

O especialista esclarece que esses efeitos indesejados só vão aparecer quando o paciente não faz o tratamento adequado de controle da asma e usa de forma regular o corticoide em comprimido ou injetável por causa das inúmeras crises asmáticas que apresenta ao longo da vida.

“Já nos momentos de crise, costumamos associar medicamentos de efeito broncodilatador, que, como o próprio nome sugere, atuam como um dilatador dos brônquios, podendo ser administrados por via oral, nasal ou injetável (neste último caso, somente em ambiente hospitalar).”

Ainda falando sobre o tratamento da asma, a alergista e imunologista e diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Dra. Alexandra Sayuri Watanabe, lembra que, em casos mais graves, há os imunobiológicos que, de acordo com a fisiopatologia da doença, atuam como bloqueadores dos efeitos inflamatórios da asma.

“Os asmáticos têm brônquios hipersensíveis e esses fatores ambientais, assim como o ar frio e seco do outono e do inverno, atuam como elementos irritantes aos brônquios, que inflamam e provocam falta de ar, dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito, chiado e tosse”, enumera o diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da SPPT.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 300 milhões de pessoas sofrem de asma. No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) indica que 10% da população é asmática e a doença é responsável por 400 mil internações hospitalares.

“A boa notícia é que, quando tratada adequadamente e sem interrupção, os sintomas e limitações da asma são controlados, garantindo qualidade de vida e nenhum impacto na rotina do paciente”, garante o pneumologista.

“Por isso, é preciso quebrar alguns mitos, como o de achar que a bombinha faz mal ao coração ou que os corticoides causam muito ganho de peso. É fato que, se a crise é frequente, há grandes chances de o paciente estar negligenciando o tratamento, nesses casos, precisa conversar com o médico para ajustar a medicação.”

Asma e rinite alérgica são quase irmãs

Preste atenção neste dado: “A asma e a rinite alérgica são doenças concomitantes em 70% dos pacientes, por isso, devem ser tratadas simultaneamente”, adverte o pneumologista da SPPT.

“Assim como a asma, a rinite também conta com fatores ambientais irritantes, ou seja, é desencadeada pela exposição frequente e repetida aos alérgenos inaláveis e agravada pelos poluentes”, enfatiza a diretora da Asbai.

“O paciente de rinite alérgica tem a mucosa inflamada e os fatores irritantes são os gatilhos para iniciar os sintomas. Por outro lado, vale lembrar que, mesmo os pais não sendo alérgicos, viver em grandes metrópoles, onde o índice de poluição é mais elevado, também é um fator considerado de risco, ou seja, 17% dos pacientes sem histórico familiar podem apresentar rinite ou asma.”

A especialista acrescenta que, no caso de quem já tem genética para rinite, a chance de ter de lidar por longas gerações com aquela incômoda sequência de espirros, obstrução nasal, coriza de cor clara e coceira no nariz, olhos, garganta e ouvidos, é grande.

“Quando os dois pais têm asma ou rinite, a chance de o filho apresentar a alergia é de 70%. Quando apenas um dos pais tem a doença, essa porcentagem cai para 40%.”

Rinite sob controle

O tratamento de manutenção da rinite também consiste em administrar corticoides inalatórios. Já os anti-histamínicos, popularmente conhecidos como antialérgicos, são prescritos apenas para o tratamento da crise, diferencia a alergista e imunologista e diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Dra. Alexandra Sayuri Watanabe. “Eles devem ser administrados durante um período de cinco a dez dias para bloquear todos os sintomas alérgicos. Além disso, recomendamos intensificar a lavagem nasal com solução salina a 0,9% e, dependendo do quadro, usamos até uma solução mais concentrada a 3%.”

A médica acrescenta que os descongestionantes nasais, disponíveis para utilização via oral ou tópica, podem ser utilizados desde que com critério, sob orientação médica e por prazo determinado.
“Eles proporcionam alívio quase que imediato, porque contêm substâncias vasoconstritoras em sua fórmula. Entretanto, o uso indiscriminado pode provocar o efeito rebote, ou seja, o nariz volta a entupir e o paciente fica dependente do produto.”

Exatamente por ser uma doença hereditária, não há como prevenir seu aparecimento, mas os especialistas garantem que é possível amenizar os sintomas e evitar as crises com algumas medidas preventivas, entre elas, ficar longe da fumaça de cigarro e da poluição; evitar ambientes com muita poeira e ácaros; não conviver com animais domésticos, especialmente gatos e cachorros; proteger-se das mudanças bruscas de temperatura; prevenir-se contra gripes e resfriados; praticar atividade física regularmente; além de fortalecer o organismo com boa alimentação e hidratação adequada.

Outra dica da Dra. Alexandra é fazer a limpeza nasal diária com soluções salinas a 0,9% pela manhã e à noite, pois esta higienização vai ajudar a eliminar qualquer acúmulo de secreções, mantendo a boa respiração. “Além disso, é fundamental seguir o tratamento preventivo proposto pelo médico durante a vida toda, sem interrupções.”

Pressão na cabeça e garganta irritada

Apesar de a asma e a rinite liderarem o ranking das alergias respiratórias, é muito comum, nesta época do ano, o consumidor buscar analgésicos e anti-inflamatórios para dor de cabeça com sensação de peso e pressão ou irritação na garganta.

De acordo com a otorrinolaringologista da clínica MedPrimus, Dra. Maura Neves, o surgimento da sinusite e da faringite (popularmente chamada de dor de garganta) não está diretamente ligado à exposição de alérgenos, mas pode ser caracterizado como quadro secundário a uma infecção viral, como a gripe, ou até mesmo consequência de quadros alérgicos.

“Os pacientes com rinite estão mais suscetíveis à instalação de processos infecciosos, já que a inflamação das vias respiratórias caracterizada neste quadro facilita a entrada de vírus e bactérias, podendo desencadear a sinusite ou até mesmo a faringite.”

“A sinusite é a inflamação da mucosa dos seios da face e não à toa alguns pacientes relatam sentir a cabeça pesada, o rosto a ponto de explodir e lutam para combater aquela secreção esverdeada que sai do nariz”, esclarece a médica.

“Esses sintomas caracterizam a sinusite aguda, que também pode desencadear alteração de olfato e febre. Além disso, o paciente não só apresenta secreção no nariz, como também o muco escorre pelo fundo do nariz para a garganta.”

O tratamento da sinusite exige o uso de antibiótico e lavagem nasal diária com solução salina a 0,9%. Se os sintomas persistirem por mais de 90 dias, a Dra. Maura alerta que o quadro pode ter evoluído para uma sinusite crônica.

“Nesse caso, além dos medicamentos, o paciente pode ser submetido a uma cirurgia e fica curado. Felizmente, a minoria dos casos apresenta difícil tratamento e requer cuidados pela vida toda.”

Por outro lado, de fácil manejo, a popularmente conhecida dor de garganta, é frequentemente causada por infecções virais, como gripes e resfriados. Por conta disso, o tratamento envolve apenas medicamentos analgésicos para aliviar os sintomas e antitérmicos, na presença de febre.

A médica acrescenta que a amígdala é uma estrutura que faz parte da faringe e também pode ser atacada por vírus ou bactérias. “Além de dor, o paciente pode apresentar placas brancas e amareladas nas amígdalas, dor de cabeça e febre. Se for causada por bactéria, o tratamento exige antibiótico.”

Aos pacientes alérgicos, a otorrinolaringologista adverte que não adianta lançar mão somente de remédios e continuar exposto aos fatores que causam a alergia.

Foto: Shutterstock

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Essa matéria faz parte da Edição 318 da Revista Guia da Farmácia.

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