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Alternativa de cura para o câncer

Tratamentos personalizados com drogas combinadas e testes genéticos em tumores são os caminhos que já começaram a ser estudados pela Roche

No foco de sua atuação e dentro de seus projetos de inovação, a Roche apresenta sua atuação dentro da área de oncologia e de que forma vem trabalhando para o futuro da cura do câncer.

A empresa ressalta a importância do diálogo para discutir as necessidades mais urgentes da América Latina, a fim de se encontrarem soluções e uma delas é a medicina personalizada, que vem transformando o tratamento de cura para o câncer. Outro destaque fica por conta da reunião de informações que se precisa ter do paciente e de seu tumor, por isso, cada vez mais, o Big Data tem se configurado como ferramenta essencial de pesquisa e tratamento.

O paciente precisa ter o direito de se tratar, sem esbarrar em obstáculos técnicos. Ele precisa saber que existem possibilidades e que elas estão sendo avaliadas. Antes, uma droga que era usada sozinha para atacar um tipo de tumor, hoje, pode ser utilizada em conjunto com outra e ser muito mais eficaz e isto tudo pode ser mais assertivo com os resultados dos testes genéticos feito nos tumores, que resultam no comportamento e evolução ou remissão do mesmo para a cura para o câncer.

A oncologia é uma das enfermidades mais caras em nível mundial, 600 milhões de pessoas morreram de câncer na América Latina no último ano e a expectativa é de que aumente 32%, superando cinco milhões de novos casos até 2030.

Para debater sobre o assunto, o diretor médico da Roche, Dr. Lênio Alvarenga, concedeu uma entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia durante o Press Day da Roche, que aconteceu na capital paulista em julho último. Confira.

Guia da Farmácia • Por que ainda é tão caro e complexo tratar o câncer no Brasil e no mundo todo?

Lênio Alvarenga • O tratamento é tão complexo quanto a doença. Então, o tratamento para a cura do câncer requer várias tecnologias. Talvez seja, de todas as doenças, a que mais necessita do que há de mais novo na ciência. E sempre o que há de mais novo na ciência é algo que tem grande custo. Eu acho que a resposta mais simples seja: é uma doença complexa, onde o tratamento envolve desde aparelhos complexos de radioterapia, cirurgias muito complexas, demoradas, que empregam tecnologias associadas até drogas altamente tecnológicas que trazem um investimento grande em termos de obtenção de dados. Então, acho que tudo isso compõe a complexidade da doença, que traz um impacto grande para o sistema de saúde.

Guia • Você tem uma estimativa de quanto isso onera o sistema de saúde e que poderia ser empregado em outras áreas, por exemplo?

Alvarenga • Não! Nós trabalhamos com outras estimativas. Porque se a gente fizer a análise exata, você pode considerar isso como gasto ou como investimento. Você também tem o impacto na família do acometido, da criança que terá a sua mãe por mais cinco anos. Qual a diferença de uma criança, para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que ao invés de perder a sua mãe com um ano, perdeu a sua mãe com cinco anos? Todo esse investimento no tratamento poderia ser usado em outro lugar, o impacto na sociedade não é só agora. Ele também é a longo prazo. O impacto não é só no paciente, mas na cadeia inteira da sociedade.

Guia • Os casos de número de pacientes diagnosticados com câncer estão crescendo, isso é fato.  Por quê?

Alvarenga • Eu sempre gosto de lembrar que quanto mais a gente trabalhar na indústria farmacêutica, mais trabalho a gente vai ter. Porque fazemos com que cada ganho nosso seja empregado em uma área terapêutica. Então, se você pegar hoje a lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Roche é a empresa que mais tem medicamentos na lista essencial. E vários desses são antibióticos, ou seja, mudamos a história da infecção. A gente resolveu a infecção e quando a gente resolve a infecção, as pessoas vivem mais. Aí começam a aparecer os problemas cardiovasculares. Resolvemos os problemas cardiovasculares. Aí as pessoas começam a viver mais e começam as doenças da longevidade. Então, a resposta principal é a nossa pirâmide etária e ela está se transformando. A saída quando você pergunta como o sistema vai ser sustentável, é a gente prevenir ao máximo para poder tratar perfeito. Acho que esse é o binômio que a sociedade precisa buscar.

Guia • De que forma o câncer está relacionado a hábitos de vida?

Alvarenga • Acho que está totalmente relacionado aos hábitos de fumo, de álcool e de obesidade. Hoje, detecta-se mais o câncer porque temos tecnologias melhores e quando você faz uma comparação histórica, provavelmente, um câncer que você detectava em uma idade X, há um tempo, hoje, você consegue detectar antes. Então, essa evolução das técnicas de diagnóstico faz com que o câncer seja identificado mais precocemente.

Guia • Quais os tumores mais diagnosticados no Brasil e quais são os protocolos de tratamento?

Alvarenga • Entre os tumores mais frequentemente diagnosticados no Brasil, temos próstata, mama, pulmão e intestino. Destes, a Roche tem atualmente disponível tratamento para mama, pulmão e intestino e, em investigação, para próstata. Todos esses cânceres podem ser tratados cirurgicamente (isoladamente ou em associação com tratamento medicamentoso e, em alguns casos, radioterapia) desde que o diagnóstico aconteça nas fases iniciais da doença (estágios I, II e III). Para os tumores estágio I, cirurgia pode ser o único tratamento necessário. Para os estágios II e III, a combinação de cirurgia, medicamentos e radioterapia é uma opção que deve ser avaliada, de acordo com o tipo de tumor e o perfil do paciente.

Para os casos mais avançados (metastáticos, estágio IV), o tratamento medicamentoso é a alternativa de escolha. Nesses casos, os objetivos do tratamento medicamentoso são controle da doença, aumento de sobrevida e qualidade de vida.

Atualmente, dependendo de cada caso, o médico tem à sua disposição uma série de alternativas desde a quimioterapia tradicional até agentes biológicos, incluindo imunoterapia e terapias-alvo direcionadas, tais como os medicamentos desenvolvidos pela Roche: pertuzumabe, trastuzumabe, atezolizumabe, bevacizumabe, alectinibe, entre outros. Esses medicamentos podem ser usados isolados ou em combinação, incluindo quimioterapia.

Guia • O paciente com câncer está nas farmácias, independentemente do tipo de tratamento que ele terá, certo? De que forma esse estabelecimento de saúde pode se preparar para esse paciente?

Alvarenga • Eu sou sempre um eterno otimista. Eu acho que a gente ainda tem muita coisa a fazer, mas já evoluiu muito. Frequento várias farmácias e vejo oferecimento de suporte. As pessoas não sabiam que eu era médico e vieram perguntar se eu queria saber mais sobre determinada medicação, o que foi uma experiência superpositiva. Todos os nossos pontos de interação com o paciente devem ser muito explorados para a educação da sociedade. Pacientes bem informados custam menos. E a farmácia é um ponto em que a gente pode colocar uma informação e ela vai atingir várias pessoas. O ponto de venda (PDV) é uma concentração de pacientes.

Guia • Estamos discutindo a medicina personalizada, com tratamento customizados para cada tipo de tumor e o teste genético como auxiliar. Em quanto tempo poderemos ter as respostas  dessas inovações para a cura para o câncer?

Alvarenga • A medicina personalizada avança a cada minuto. Hoje, o que a gente quer é conseguir fazer o mapeamento genético das fusões específicas, cada letrinha do DNA do gene do acometido e isto já está acontecendo e sendo positivo. A partir do momento em que passo a saber tudo sobre aquele gene, consigo personalizar. Daqui cinco anos, vamos ver todas essas frentes se encontrando e a gente tendo um impacto muito grande, para realmente podermos falar de uma evolução exponencial. Mas ela está se construindo a cada dia.

O que está por vir?

Edição 322 - 2019-09-09 O que está por vir?

Essa matéria faz parte da Edição 322 da Revista Guia da Farmácia.