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Amamentação: Mais do que um ato de amor

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Sem dúvida, a sensação de receber o bebê nos braços e a amamentação ao oferecer o leite materno logo após o nascimento é indescritível. Além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho, o ato de amamentar ajuda a eliminar os quilos extras que a mulher ganhou durante a gestação; previne o desenvolvimento do câncer de mama e de ovário; contribui para a redução da mortalidade infantil e neonatal; reduz o risco de diabetes; fortalece o sistema imunológico do bebê; diminui a chance de doenças alérgicas; e, de quebra, ainda minimiza o aparecimento das temidas e doloridas cólicas do recém-nascido.

Apesar dos indiscutíveis benefícios do aleitamento materno, esse ato de amor que parece ser tão natural e instintivo também pode ser um momento repleto de desafios, dores, lágrimas e culpa, alerta a obstetra especialista em Genitoscopia e Histeroscopia e coordenadora de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Municipal do Campo Limpo, Dra. Denise Gomes.

“O pós-parto é um período de muito aprendizado entre mãe e filho, mas é preciso lembrar também que a mulher passa por uma série de alterações hormonais que a tornam mais suscetível ao estresse, impactando diretamente na produção do leite.”

Se por um lado há mulheres que superam todo e qualquer desafio imposto neste período, por outro lado, há aquelas que optam por oferecer as fórmulas logo após o nascimento do bebê pelo cansaço excessivo ou até por acreditarem que o peito vai ficar flácido ou que a prótese de silicone pode ser danificada, lamenta a Dra. Denise, que também é mãe de dois filhos e mantém um canal no YouTube chamado Mamãe Plena.

“Infelizmente, ainda temos muitos mitos em relação à amamentação e, mesmo com todas as campanhas para estimular o aleitamento materno, nem sempre conseguimos atingir os objetivos.”

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendam o aleitamento materno até os dois anos de idade ou mais, sendo exclusivo até os primeiros seis meses de vida.

No mês em que 120 países comemoram a Semana Mundial do Aleitamento Materno, o Guia da Farmácia tem o prazer de reforçar que os benefícios de amamentar são extremamente importantes para a saúde da mulher e do recém-nascido.

Criada em 1992 pela Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (em inglês, World Alliance for Breastfeeding Action – WABA), a data tem como finalidade promover o aleitamento materno e a criação de bancos de leite, garantindo melhor qualidade de vida para as crianças em todo o mundo.

Beleza na amamentação

É fato que durante os nove meses de gestação, o corpo da mulher passa por uma série de alterações hormonais capazes de promover desconfortáveis mudanças físicas, como o aparecimento de estrias, manchas escuras e acne, enumera a Dra. Denise.

“Além da ação dos hormônios, o fato de a mulher necessitar de muita água para a produção de leite, é natural que sua pele fique mais ressecada neste período. Por isso, a correta ingestão de água e outros líquidos não pode falhar.”

Junto com o consumo adequado de água, a dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Talita Zane, aconselha investir em um cardápio alimentar balanceado e, claro, hidratar a pele desde o início da gravidez até o período pós-parto.

“O mercado oferece uma série de cosméticos formulados para as lactantes que ajudam a recuperar a firmeza e a elasticidade da pele. No entanto, é fundamental optar por fórmulas mais naturais e sem fragrâncias, além de não passar o creme no bico do seio no caso de quem amamenta.”

Segundo a dermatologista, algumas substâncias utilizadas na composição dos cosméticos são contraindicadas durante o período de amamentação, como formol, parabenos, ácidos e certos conservantes. “Por isso, vale checar a descrição dos rótulos e seguir as orientações médicas neste período.”

De olho na queda de cabelo

Além da pele, os cabelos também tendem a ficar mais fortes, com volume e muito brilho durante a gestação. Entretanto, após o nascimento do bebê, tudo muda e a queda de cabelo vira uma realidade, avisa a Dra. Talita.

“Esse quadro é chamado de Eflúvio Telógeno Pós-Parto e acontece por conta da queda brusca da hiperprodução hormonal. Em geral, a queda de cabelo aparece três meses após o parto e não está relacionada com a amamentação.”

Apesar de ser um período aterrorizante para muitas mulheres, o cabelo tende a voltar ao normal com o equilíbrio dos níveis hormonais, mas é possível acelerar esse processo, garante a Dra. Talita.

“Para melhorar o crescimento do fio, pode-se recorrer ao uso de suplementos de vitaminas e sais minerais, medicações de uso tópico à base vegetal e alguns procedimentos à laser, todos indicados neste período da amamentação.”

Nutrientes essenciais

Não são somente as mulheres que estão tentando engravidar que precisam recorrer ao ácido fólico e aos multivitamínicos. Na opinião da ginecologista, essa suplementação deve ser mantida durante o puerpério, em especial nos primeiros 60 dias.

“Sempre brinco que o bebê é muito inteligente e acaba ‘sugando’ os nutrientes que necessita para seu adequado desenvolvimento e, por vezes, é a mãe que pode ficar com alguma deficiência vitamínica.”

Além de ainda estar se recuperando do processo da gestação e do parto, o organismo feminino está trabalhando arduamente para produzir leite e nutrir totalmente uma nova vida. Por isso, descuidar da boa alimentação pode trazer sérios prejuízos à saúde.

“O ferro é uma das principais suplementações nesse período, já que o parto envolve uma perda importante de sangue. A deficiência desse nutriente, chamada de anemia, está ligada à baixa oxigenação dos órgãos e tecidos, implicando em diversas complicações, como cansaço, fadiga, dificuldade de respirar, dificuldade de raciocínio e até risco de infecções.”

Em casos mais extremos, a deficiência de ferro é capaz de levar à mortalidade materna, acrescenta a médica. Para as mulheres que apresentam valores séricos abaixo da normalidade, a suplementação de vitamina D também pode ser muito benéfica.

“Os complexos vitamínicos que incluem vitaminas do grupo B, ômega 3 e zinco podem ser mantidos nessa fase, especialmente por ser um período em que a mulher não consegue seguir uma alimentação tão equilibrada.”

Atendimento especializado

A consumidora gestante, principalmente se for uma mãe de primeira viagem, vai à farmácia com frequência porque tem muitas dúvidas relacionadas ao caráter físico/fisiológico e sobre o que comprar e consumir para si e para o “enxoval” do bebê.

Por outro lado, as consumidoras que já tiveram outros filhos buscam novos produtos que possam facilitar o seu dia a dia. Sendo assim, a Atenção Farmacêutica pode atuar desde o momento em que o shopper feminino desconfia que está grávida, já que os testes de urina e os testes rápidos de β-HCG são encontrados em farmácias e drogarias, até o pós-parto, alerta mentoring empresarial, palestrante e consultora de empresas, Silvia Osso.

“Se o farmacêutico oferece um bom atendimento e orientação, pode fidelizar potenciais clientes para o serviço de acompanhamento da gestante na farmácia. Nesse caso, a atendente da perfumaria com experiência é a pessoa mais adequada.”

Além do ótimo atendimento, a fidelização inclui oferecer opções de marcas e preços, sendo “no mínimo três marcas para que o consumidor possa escolher entre qualidade e custo”, sinaliza Silvia.

Outra dica importante é organizar todos os produtos na Categoria Infantil, o que facilita ao shopper encontrar as opções desejadas em um mesmo local. “Com um recém-nascido em casa, é praticamente impossível sair toda hora para comprar itens de higiene. Neste caso, é importante que o enxoval seja montado antes mesmo de a mãe dar à luz.”

Para facilitar, Silvia enumera alguns itens que fazem parte da cesta de compras desse público. Entre eles: fraldas descartáveis ou de pano; caixa de hastes flexíveis com pontas de algodão; pacote de algodão; potes plásticos; sabonete líquido neutro; frasco de álcool a 70º; garrafa térmica para água morna; lenço umedecido; tesoura sem ponta; pente ou escova de cabelo; termômetro; termômetro para banheira; pomada para prevenção de assaduras; soro fisiológico para uso nasal; bolsa de água quente pequena; e aspirador nasal.

Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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