
A pandemia de Covid-19 continua acelerada em 2021, mas os efeitos têm sido reduzidos na indústria farmacêutica. Mas para aderir aos tratamentos médicos, uma boa parcela da população tem recorrido aos genéricos e biossimilares, que garantem qualidade com preço acessível. Justamente neste cenário que a Sandoz, divisão do Grupo Novartis que atua com essas classes de medicamentos, se fortalece no mercado. Somente em 2020, as vendas da companhia representaram US$ 9,6 bilhões e seus produtos atingiram mais de 500 milhões de pacientes.
Com fábrica localizada em Cambé, município da região Metropolitana de Londrina (PR), a Sandoz do Brasil conta com 491 colaboradores, dos quais 226 são mulheres e 40 estão em cargos de liderança.
Uma das mulheres que reforçam essa equipe é a diretora comercial e marketing da empresa no Brasil, Erica Galloro. Em entrevista exclusiva à revista Guia da Farmácia, a executiva, que está há 23 anos no mercado farmacêutico, sendo 17 deles dedicados à indústria de genéricos. Somente na Sandoz, são nove anos de história e muitas conquistas da equipe.
“Em 2019, registramos um faturamento acima do projetado e, em 2020, voltamos a crescer dois dígitos, com uma média de 11%. Para 2021, nossa expectativa é de que a alta alcance entre 9% a 10%, repetindo a mesma performance que o mercado teve em 2020”, comemora a executiva.
Acompanhe, a seguir, os principais momentos deste bate-papo.
Guia da Farmácia • Nestes 17 anos que acumula no mercado de genéricos, como você enxerga a evolução deste mercado no País? Como fica a força do segmento, mesmo diante da pandemia?
Erica Galloro • Um dos segmentos que menos foi atingido diante da pandemia foi o mercado farmacêutico. Medicamentos de uso crônico continuam utilizados e vemos que os genéricos, pelo fato de serem mais acessíveis, tiveram ainda mais ascensão com crescimento acentuado em unidades, diante da necessidade da população em manter seus tratamentos com qualidade a um preço mais acessível.
Esse benefício se estende quando consideramos o programa Farmácia Popular, que agrega os genéricos e traz medicamentos a um preço simbólico ou gratuito. Os benefícios podem ser comprovados com dados que mostram que o número de internações no País foi reduzido a partir do Farmácia Popular. A isso se deve, justamente, a adesão do paciente ao tratamento, por ser um medicamento financeiramente mais acessível. Portanto, vemos os genéricos crescendo mesmo antes da pandemia, com alta acima de dois dígitos.
Guia • Como ficaram os resultados da Sandoz?
Erica • Em 2019, registramos um faturamento acima do projetado e, em 2020, voltamos a crescer dois dígitos, com uma média de 11%. Para 2021, nossa expectativa é de que a alta alcance entre 9% e 10%, repetindo a mesma performance que o mercado teve em 2020.
Guia • Quais os impactos da Covid-19 na empresa?
Erica • Em 2020, conseguimos continuar um ritmo de crescimento em relação ao faturamento, mas vimos que a grande mudança foi a forma de nos relacionarmos com os nossos clientes e colaboradores. O digital tem sido o grande desafio, porque todas as interações que temos feito hoje são por esse canal.
A empresa leva muito a sério essa questão da proteção dos colaboradores e também dos clientes e é uma mudança muito grande. Tivemos de adaptar os modelos de venda e de comunicação para mantermos os resultados no ano passado.
E quando a pandemia começou, nossa expectativa era de que ‘só mais um mês e isso vai passar’ e agora já ultrapassamos um ano de pandemia, com uma situação muito pior do que a do ano anterior.
Continuamos com os nossos colaboradores em casa, ajudando com a não disseminação da pandemia e tentando adaptar a nossa forma de atendimento com o que o nosso cliente precisa, sejam os médicos ou as farmácias.
Guia • Como vocês mudaram o atendimento ao varejo farmacêutico?
Erica • Por ano, cerca de 66 mil farmácias são atendidas pela Sandoz. E durante a pandemia, as nossas maiores forças ficaram pelo atendimento pelo WhatsApp e agendado, destacando a interação digital.
Além disso, oferecemos, aos farmacêuticos, a plataforma PDV on Demand, que é uma ferramenta de capacitação para o profissional de farmácia, com videoaulas de acesso gratuito. Esses profissionais podem ter acesso aos conteúdos e com certificação.
Nessa plataforma, não falamos de produto. Nosso foco é educacional, com aulas sobre saúde feminina, depressão, ansiedade e saúde em geral, capacitando os colaboradores da farmácia para que alcancem um melhor atendimento e conhecimento das áreas.
Guia • A Sandoz tem quantos medicamentos genéricos no portfólio? A empresa está entre as líderes do mercado?
Erica • Hoje, ocupamos a quinta posição no mercado de genéricos em faturamento. Temos 80 moléculas e 250 apresentações. É uma quantidade um pouco menor do que as empresas líderes do mercado, mas temos um destaque grande nas moléculas-chave.
Entre as dez maiores moléculas da Sandoz de faturamento, nós somos líderes de mercado em sete. Trabalhamos com várias classes terapêuticas, passando por antibióticos e Sistema Nervoso Central (SNC), contemplando um leque bem grande de produtos para atender a população.
Nosso parque fabril está localizado em Cambé (PR), e temos 400 colaboradores, com capacidade de produção de 2,2 milhões de comprimidos e de 100 milhões de cartuchos por ano. Temos uma parte do portifólio que vem de outras regiões do mundo, mas 50% do que se demanda no Brasil vem desta planta.
Guia • Quais são os genéricos líderes em vendas da empresa?
Erica • A amoxilicina com clavulanato, na classe de antibióticos; a sinvastatina, voltada para dislipidemias. Temos um preço bastante competitivo e cada vez mais dentro da nossa missão, que é dar acesso aos pacientes.
Guia • Há lançamentos previstos da Sandoz para 2021 e 2022?
Erica • Sim. Temos lançamentos em várias classes terapêuticas nas quais já podemos trabalhar. Seguimos com foco grande em antibióticos, anti-hipertensivos e SNC.
Guia • Quais gargalos precisam ser vencidos para que o mercado de genéricos cresça ainda mais no País?
Erica • Existe uma necessidade de esclarecimento e entendimento sobre a importância do medicamento genérico e a economia que ele traz ao paciente. Esse é um dos grandes gargalos do setor. Para vencermos essa barreira, é importante que a indústria siga trabalhando mais o assunto e esclareça mais as dúvidas da população, mostrando, por exemplo, por que o medicamento genérico é mais acessível do que o medicamento de referência.
Guia • Como mudou a relação dos brasileiros com a saúde diante da Covid-19?
Erica • Vimos que indústrias que vendem vitaminas tiveram as vendas aceleradas e também tivemos maior atenção por parte do paciente entre doenças crônicas, isso por conta do receio da população em ter alguma comorbidade em relação à Covid, o levando, então, a fazer o tratamento da maneira correta.
Antibióticos e antigripais, em contrapartida, tiveram retração. Por conta do lockdown e crianças longe das escolas, há um menor número de infecção por vírus e bactérias. Em antibióticos, por exemplo, houve uma retração que chega perto a 40%.
Guia • Outro braço importante da Sandoz é o de biossimilares. Gostaria que você explicasse qual a diferença entre elas e por que essa categoria de medicamentos tem ganhado tanta força no mercado.
Erica • Realmente, esse tema ainda gera muitas dúvidas. O medicamento genérico tem como base a molécula sintética. Já o biossimilar tem base em molécula viva (biológicas). E o medicamento biológico mudou a forma de tratamento de várias doenças, como câncer, patologias reumatológicas, doenças inflamatórias intestinais e algumas doenças de pele. Contudo, são medicamentos de alto custo.
Os biossimilares nascem como cópias dos medicamentos biológicos, que já perderam a patente. E a Sandoz é pioneira nisso. Isso faz com que o paciente possa ter um custo mais acessível.
Guia • Como a Sandoz enxerga a transformação digital na saúde, seja via prescrição digital ou telemedicina?
Erica • Esse cenário atual se intensificou muito e acredito que no futuro a interação dos brasileiros com a saúde aconteça de forma híbrida. A mistura de realidade, alternando o atendimento presencial e virtual é bem saudável nas relações. Pós-pandemia, vejo a continuidade desse movimento.
Guia • Quais as metas da Sandoz para os próximos anos? Onde estarão concentramos os principais investimentos?
Erica • Sempre queremos buscar uma liderança sustentada em cima do pipeline que temos hoje e como Sandoz, já atingimos 500 milhões de pacientes anualmente.
Desempenhamos um papel de liderança na questão de economia de genéricos. Além disso, focamos em trabalhar melhor as fábricas que temos e novos registros.
Guia • Apesar dos brasileiros estarem com o bolso mais apertado, você acredita que a relação da população com a saúde a partir de agora vai mudar?
Erica • Sim. E por meio de programas de acesso, como o Farmácia Popular, vemos que os brasileiros passaram a dar mais atenção às doenças crônicas, ciclo positivo que evita que o sistema de saúde fique sobrecarregado.
Fonte: Guia da Farmácia
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