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As ações bem definidas da Aspen Pharma

Está no DNA da Aspen Pharma promover saúde e acesso por meio de seus produtos ou pela iniciativa de apoiar causas sociais

O câncer infanto-juvenil é considerado uma das principais causas de morte entre crianças e adolescentes. Só perde para os acidentes domésticos, que estão em primeiro lugar.

Pensando nisso, o laboratório sul-africano Aspen Pharma e o Instituto Ronald McDonald fecharam uma parceria em prol dos acometidos pela doença. Desde maio último, diversas atividades estão sendo desenvolvidas pela farmacêutica para engajar seus funcionários à causa e difundir mais informações sobre o câncer infanto-juvenil no País.

Para falar sobre a iniciativa e demais projetos da empresa, o CEO da Aspen Pharma no Brasil, Alexandra França, concedeu uma entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia.

O executivo lembra que ações sociais fazem parte do DNA da Aspen mundialmente e que essa nova parceria envolve uma grande causa, que é difundir o combate ao câncer infanto-juvenil e gerar conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce por meio de diversas iniciativas que envolvem os colaboradores. “As atividades que vamos desenvolver esse ano não só ajudam a manter o Instituto financeiramente, como também estimulam a propagação do tema e do trabalho desenvolvido em prol de crianças e adolescentes com a doença.”

A Aspen Pharma do Brasil é subsidiária da Aspen Pharmacare, marca líder no continente africano e uma das 20 maiores do segmento de branded generic no mundo. A Aspen Pharmacare possui 18 plantas produtivas em 14 países, nos seis continentes, e fornece medicamentos para mais de 150 países. O Grupo entrou oficialmente no mercado brasileiro de medicamentos em 2009, após adquirir 100% da Cellofarm, com sede no Rio de Janeiro.

A missão da Aspen do Brasil é abastecer o mercado interno, além de garantir a expansão do Grupo na América Latina, com foco em crescimento através de aquisições globais com outras multinacionais. Para isto, tem recebido investimentos que conferem maior competitividade em infraestrutura e em seu portfólio de produtos.

A Aspen possui uma linha abrangente que engloba medicamentos de marca, similares, genéricos, fitoterápicos, biológicos, alimentos e cosméticos que fazem parte do dia a dia dos consumidores brasileiros.

A grande estratégia de crescimento vem sendo as aquisições de grandes marcas. Como mais recente exemplo, desde agosto de 2012, a Aspen Pharma passou a comercializar o Leite de Magnésia de Phillips, Kwell e Nedax, anteriormente da GlaxoSmithKline (GSK). Além de expandir o leque de atuação no mercado através de aquisições, a empresa também planeja lançamentos próprios.

Guia da Farmácia • Por que a Aspen Pharma escolheu o Instituto Ronald McDonald para a parceria e qual a importância de se realizar ações sociais como essa?

Alexandre França A Aspen Pharma já tem um histórico de ações sociais. Queremos que isso fique como DNA da empresa e, até então, não tínhamos uma ação que entrasse na nossa estratégia e que tivesse um planejamento de longo prazo. Começamos a procurar, a olhar no mercado algo que coubesse no nosso objetivo e aí veio o Instituto Ronald McDonald. Tivemos uma primeira conversa com o presidente do Instituto, Francisco Neves, e já nesse primeiro encontro podemos dizer que “deu um clique”.

Percebemos que existiam visões em comum, objetivos muito semelhantes e decidimos rapidamente que seria uma parceria. A segunda conversa já foi muito mais para desenhar como seria essa parceria, como seria esse planejamento, porque a decisão já estava tomada. Teremos ações em datas específicas, marcantes, que signifiquem algo ou para o Instituto ou para a Aspen Pharma. Acho que essa é a grande diferença de tudo o que a gente vinha fazendo no passado. Antes eram ações mais pontuais, mas agora, além do coração, a gente tem a razão. A gente tem a visão de longo prazo e, hoje, se o Alexandre França sair da Aspen Pharma, tenho a absoluta certeza de que o projeto continua, porque agora não é mais um DNA individual, é um DNA da corporação.

Guia • Quais são as ofertas da Aspen Pharma para o projeto?

França • Essa é a coisa mais bacana da parceria, ela não é engessada. Ela não diz: “você tem que fazer todo mês um depósito”, ou outra coisa. O grande lance da parceria é a flexibilidade. Então, pode tanto ser umsuporte financeiro, como pode ser um suporte material ou humano. Vai depender de cada situação, de cada evento. A gente quer participar ativamente de tudo, não só com dinheiro, mas com pessoas.

Guia • Isso envolve a população também?

França • De certa forma sim, porque envolve o público que o Instituto cobre, as crianças e suas famílias. Envolve indiretamente os colaboradores da Aspen, os personagens que vão participar, as famílias em torno disso. Esse é nosso maior objetivo.

Guia • Quantas crianças são atendidas?

França • Na casa do Instituto Ronald McDonald do Rio de Janeiro são 100 crianças.

Guia • Mudando um pouco de assunto e falando sobre perspectivas de atuação no canal farma, como a Aspen Pharma avalia 2018, até agora?

França • Se a gente comparar com 2017, está bem melhor. E não só no sentido de números, mas no sentido de espírito de confiança, de comportamento. Você vê o mercado mais disposto a crescer, mais aberto a negócios, a parcerias, a iniciativas. Em 2017, você tinha redes de farmácias e distribuidores bem conservadores – com razão –, bastante reticentes em assumir riscos. Agora, vemos pessoas dispostas a conversar novamente sobre propostas do passado. Pela minha experiência, os números são consequência desse comportamento. A partir do momento que as pessoas aceitam conversar, aceitam riscos de novos negócios, os números vêm. Então acho que 2018 será muito melhor que 2017.

Guia • Você percebe uma tendência maior para alguma classe medicamentosa, para um nicho específico de mercado?

França • No caso da Aspen, a nossa linha de anestésicos está indo muito bem. Na verdade, é fácil explicar, porque todo dia tem alguém sendo operado. E à medida que a situação econômica começa a melhorar, essas atividades começam a ser retomadas. E o mais importante é que antigamente a linha de anestésicos era muito atrelada ao governo. As nossas estratégias recentes se descolaram do governo; temos agora negócios privados. Até porque o negócio público é sempre o último a se recuperar, quando você vem de uma recessão.

Guia • E no varejo farmacêutico?

França • Os negócios de OTC [Over The Counter – Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs)] estão indo muito bem e eles são medicamentos extremamente ligados à recuperação econômica. São quase produtos de consumo, ainda que sejam medicamentos. Se a economia começa a reagir, os MIPs seguem essa tendência. Mas se você olhar o setor farmacêutico como um todo, ele está mostrando sinais de recuperação – genéricos, medicamentos de prescrição etc.

Guia • Essa tendência faz parte de um movimento de autocuidado?

França • Exatamente. A gente tem um cuidado muito grande de explicar a diferença da autoprescrição para o autocuidado. Nenhuma indústria farmacêutica séria incentiva a autoprescrição, até porque é perigoso. O autocuidado é mais amplo e seguro, é fazer os exames regularmente, ter uma vida saudável, cuidar da alimentação e, se necessário, tomar o medicamento adequado baseado em uma orientação médica. Se é uma coisa pequena, em 24 horas tem que passar; se não passou, não insiste, vai ao médico.

Guia • Existe uma máxima no mercado de que algumas doenças crônicas poderiam ser evitadas se fossem tratadas com o uso de MIPs. A Aspen acredita nisso?

França • A gente acha exatamente isso. Se for falar de um paciente que tem hipertensão, ele não precisa ir ao médico toda vez que vai tomar o medicamento; ele sabe que vai tomar o medicamento o ano todo. Ele vai ao médico, é diagnosticado, o médico prescreve o medicamento, depois disso entra em uma rotina.

Isso facilita até os processos no Sistema Único de Saúde (SUS). Você tem uma fila imensa para tratar dor de cabeça, diarreia, enjoo – sem querer minimizar o problema, mas essas doenças ocupam a hora do médico, que deveria ser investida em pessoas com sintomas ou doenças muito mais graves. Se você tem o autocuidado, você evita essa ida desnecessária ao médico.

Guia • Como vocês determinam o que vêm da África para o Brasil?

França • Esse é um ponto bem bacana. Primeira coisa: a Aspen não trabalha com expatriados, ou seja, diferente das multinacionais nas quais você tem presidente suíço em uma empresa suíça, um alemão em uma empresa alemã, a Aspen Pharma entende que quem conhece o mercado local, são os locais. Se você encontrar alguém de nacionalidade diferente é porque a gente contratou a pessoa aqui, não foi imposição da matriz.

Por conhecer o mercado, a gente tem mais liberdade de dizer o que funciona ou não no Brasil. Claro que às vezes tem discussões, não é perfeito. E aí, acabam um pouco as semelhanças com a África do Sul. Lá, tem alguns medicamentos que vendem muito e eles acham que aqui venderiam tremendamente. Mas o Brasil é um país com características bem diferentes de consumo de medicamentos quando comparado à África do Sul. Lá, fitoterápicos são produtos de primeira linha. Eu acho que é uma questão de maturidade de mercado. O mercado brasileiro é mais maduro, é mais criterioso, ele não acredita em qualquer “receitinha de vovó”.

A editora-chefe do Guia da Farmácia, Lígia Favoretto, viajou ao Rio de Janeiro (RJ) para o evento de lançamento da parceria Aspen Pharma e Instituto Ronald McDonald, quando realizou esta entrevista, a convite da Aspen Pharma.

  

Tecnologia aplicada ao varejo

Edição 310 - 2018-09-01 Tecnologia aplicada ao varejo

Essa matéria faz parte da Edição 310 da Revista Guia da Farmácia.

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