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Cicatrizes, o terror da estética

Perda da integridade da pele e dos tecidos subcutâneos facilita infecções

As cicatrizes são resultados de lesões sofridas pela pele, geralmente decorrentes de acnes severas, queimaduras, tatuagens, feridas traumáticas, vacinas e cortes cirúrgicos e costumam incomodar. Além de causar um impacto estético negativo, a perda da integridade da pele pode facilitar infecções e diminuir a sensibilidade da pele.

Segundo o dermatologista da Prime Dermatologia, Dr. Alexandre Okubo, a cicatriz é uma reação do corpo frente a um trauma que atinge a segunda camada da pele, a derme. “O corpo, na tentativa de se proteger, inicia o processo de cicatrização, ocorrendo a produção de colágeno na região envolvida para refazer o tecido lesado. Ela pode ser discreta ou tomar formas exageradas, como cicatriz hipertrófica e queloide.”

Para a dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dra. Ana Célia Xavier, cicatriz é um tecido de reparação e é diferente do original. “É formada por tecido conjuntivo denso, rico em fibras e muito pouco elástico, sua formação completa demora em torno de oito meses a um ano.”

Existem alguns tipos diferentes de cicatrizes, que variam de acordo com sua apresentação e consistência. Segundo o dermatologista do Hospital Santa Catarina de São Paulo, Dr. Leonardo Abrucio Neto, as cicatrizes podem ser classificadas como: cicatriz hipertrófica, que tem altura maior do que a pele normal adjacente, é habitualmente mais escura e o paciente tem sintomas como ardor, queimação e dor, e o queloide ultrapassa a área de injúria e tende a ter formato arredondado e restringe-se à área do trauma, tendendo a ter aspecto linear; a cicatriz atrófica, que se situa abaixo da altura normal da pele adjacente, geralmente tem cor mais clara, de aspecto esbranquiçado e o paciente não refere sintomas; e a cicatriz normotrófica, de altura e cor semelhante à pele adjacente, que possibilita que o aspecto das cicatrizes seja modificado com tratamento.

Como minimizar o aspecto das cicatrizes?

Antes de passar por cirurgias ou ao provocar uma lesão na pele, não é possível prever se o acometido terá uma boa cicatrização, mas após a cicatriz já instalada, existem tratamentos eficazes para cicatrizes recentes, como ativos hidratantes, géis de silicone e laser.

“Na sua evolução, toda cicatriz tem um período de piora com acentuação da vermelhidão, edema, durando em torno de três a quatro meses e regredindo posteriormente. Quando isso não ocorre, a pele fica maior, ultrapassando o limite de extensão da solução de continuidade, ocorrendo a formação do queloide: cicatriz dura, dolorida e inestética. Para evitar que isso ocorra em pacientes geneticamente predispostos, utilizam-se fitas de silicone que dificultam sua expansão e corticoides tópicos ocluídos. Na cicatrização normal, são usados géis com ácido hialurônico e anti-inflamatórios para induzir uma migração de células e fechamento do tecido”, revela a Dra. Ana Célia.

Segundo o Dr. Neto, para as cicatrizes hipertróficas,são prescritos corticoides tópicos de alta potência, como clobetasol, halobetasol e dipropionato de betametasona, na forma de cremes ou pomadas, e é orientado cobriro local com plásticos, como papel filme (PVC), ou então fazer curativo oclusivo, impregnado com corticoide, como fludroxicortida. Podem também ser empregados silicones em gel ou silicones oclusivos. Caso não ocorra melhora, podem ser realizadas infiltrações intralesionais com corticoides, como a triancinolona ou então a ressecção cirúrgica da cicatriz.

Tipos de tratamentos: como atuam na pele?

Atualmente, existe uma infinidade de produtos e tratamentos disponíveis no mercado que prometem minimizar e até mesmo acabar com as cicatrizes. Conheça algumas técnicas de tratamento:

  • Tratamento cirúrgico: método de remoção da cicatriz que faz a junção da pele normal de uma maneira menos evidente.
  • Dermoabrasão: método usado para suavizar cicatrizes causadas por acne, marcas de catapora ou irregularidades pequenas da superfície da pele. Uma máquina elétrica remove as camadas superiores da pele, como se fosse um lixamento, conferindo um contorno mais uniforme à superfície.
  • Tratamentos com laser e outras fontes de luz: empregam a luz de alta energia para tratar as cicatrizes. Dependendo do tipo de cicatriz, são indicados aparelhos que promovem formação de colágeno, ou que promovem um “lixamento” da pele. Há também aparelhos que agem na coloração da cicatriz.
  • Preenchimento: o uso injetável de ácido hialurônico ou outros produtos sob cicatrizes pode deixar a pele mais uniforme.
  • Peelings químicos: o uso de produtos químicos, pelo dermatologista em seu consultório, promove a remoção da camada superior da pele e estimula a formação de colágeno.
  • Microagulhamento: aparelhos que fazem diversos “microfuros” na pele estimulam a formação de colágeno e suavizam as cicatrizes.
  • Roupas de compressão: elas ajudam a diminuir a vascularização e inibir a evolução do queloide. São indicadas, principalmente, para pacientes com lesões extensas.
  • Crioterapia: procedimento que usa nitrogênio líquido para congelar o queloide de dentro para fora.
  • Remoção cirúrgica: remove parte do queloide e realiza incisões sem atingir a pele ao redor da lesão, evitando o surgimento de uma nova cicatriz.

Entre os produtos mais utilizados para melhorar o aspecto estético da cicatriz estão:

  • Gel de silicone e placa de silicone: vão ocluir a cicatriz e provocar melhora do aspecto e, além de auxiliar na hidratação da cicatriz, ajudam na remodelação do colágeno, melhorando o aspecto estético.
  • Fita adesiva com corticosteroide: além de ocluir a cicatriz, ajuda nos sintomas de coceira e dor.

Fontes: Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD); e dermatologista da Prime Dermatologia, Dr. Alexandre Okubo

“Para as cicatrizes atróficas, podem ser prescritos agentes que aumentem a síntese de colágeno e elastina, como vitamina C, ácido hialurônico e ácido retinoico. Como orientações gerais recomenda-se evitar a exposição solar, banhos muito quentes, excesso de sabonete e o uso de perfumes, para não ocorrer irritação nem traumatizar o local”, diz o Dr. Neto.

O aspecto final de uma cicatriz depende do local do corpo, da técnica de reparação e do próprio organismo. “Ela pode ser minimizada com a utilização de pomadas e adesivos, que aceleram o processo cicatricial e melhoram as condições no local para uma boa cicatrização”, explica o cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Dr. Paolo Rubez.

Segundo o Dr. Okubo, o sucesso do uso dos medicamentos para auxiliar no processo de cicatrização será mais garantido no caso de cicatrizes mais recentes, em geral, com menos de seis meses de evolução.

Foto: Shutterstock

Efeito otimizado

Edição 320 - 2019-07-07 Efeito otimizado

Essa matéria faz parte da Edição 320 da Revista Guia da Farmácia.

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