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Climatério e menopausa: episódios próximos mas diferentes

Climatério e menopausa são palavras que se confundem, mas cada uma representa um período na vida da mulher

Confundir climatério com menopausa é algo que acontece constantemente, já que ambas as situações se referem a um momento de vida da mulher, porém, cada uma representa um período distinto. O climatério é a fase dos sintomas que surgem antes da menopausa, causados pelas variações hormonais, e a menopausa é a última menstruação da mulher.

Segundo o ginecologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dr. Ricardo Andrade Freire, climatério é um período da vida da mulher na transição da fase reprodutiva para não reprodutiva (menopausa), em que surgem alguns sintomas específicos, graças às variações hormonais.

“Entre os sintomas, estão a alteração do ciclo menstrual, alteração do humor – como irritação e depressão, diminuição do desejo sexual, dor de cabeça e tontura. Podem aparecer também alterações locais no aparelho genital feminino, como, por exemplo, ressecamento da mucosa vaginal podendo, em alguns casos, levar a desconforto ou dor na relação sexual”, explica.

Outros sintomas podem aparecer com o climatério, mas levam mais tempo para se manifestarem, como osteoporose e doenças cardiovasculares.

Reposição hormonal – quando e como fazer?

A terapia de reposição hormonal alivia os sintomas físicos, psíquicos e ginecológicos do climatério, além de funcionar como prevenção contra a osteoporose e trazer uma melhor qualidade de vida para as mulheres.

“A indicação atual para a terapia hormonal do climatério consiste em sintomatologia climatérica aguda e na administração de estrogênios, por meio de pílulas, gel, implantes ou adesivos, sendo associados ou não à progesterona, de acordo com cada mulher. Para o público que apresenta sintomas moderados e severos, a terapêutica hormonal é indicada, pois é o tratamento mais efetivo para aliviar, principalmente, os sintomas vasomotores, que afetam muito a qualidade de vida. Estudos mostram que as mulheres que têm maior benefício com a reposição hormonal são aquelas com idade entre 50 e 59 anos ou com menos de dez anos de pós-menopausa”, explica a médica ginecologista, obstetra e mastologista para todas as fases de vida da mulher, Dra. Fernanda Torras.
Segundo o ginecologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dr. Ricardo Andrade Freire, a reposição hormonal deve ser feita com orientação e acompanhamento médico.

“São indicadas medicações orais, cremes, gel e implantes, porém precisamos lembrar que a qualidade de vida está muito ligada à forma como a mulher irá se sentir na fase do climatério até chegar à menopausa. Muitas vezes, os sintomas vão refletir o modo de vida e, por isto, é muito importante a mulher cuidar da alimentação, evitar o fumo e o consumo de álcool e o principal, não deixar de praticar atividade física.”

O tratamento costuma variar de paciente para paciente. “Utilizamos estrógenos conjugados, como glicoronidas e os sulfatos (estrogênios equinos sulfoconjugados); e fitoestrogênios, como isoflavona liguininas e os corimestronas”, explica o ginecologista do Hospital Santa Catarina de São Paulo, Dr. Flávio Roberto Tanesi.

Existem contraindicações que devem ser avaliadas criteriosamente. “A reposição hormonal deve ser individualizada de acordo com os benefícios em qualidade de vida. Devem ser analisados fatores de risco, como idade, tempo de pós-menopausa, risco de trombose e embolia, doença cardiovascular e câncer de mama”, revela a Dra. Fernanda.

De acordo com o médico ginecologista do Hospital Santa Marcelina, Dr. Marcelo Costa Moreira, a reposição hormonal deve ser instituída quando a menopausa prejudica a qualidade de vida da mulher, já que pode trazer efeitos colaterais.

“O climatério é o período da vida biológica da mulher que marca a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo. É o conjunto de sintomas que surgem antes da menopausa, quando ocorrem oscilações hormonais e variação no ciclo menstrual, até a fase de pós-menopausa. É comum a irregularidade menstrual nessa fase, geralmente com ciclos mais longos em intervalos, assim como sintomas da depleção hormonal, típicos da menopausa, que podem já surgir nesta fase”, comenta a médica ginecologista, obstetra e mastologista para todas as fases da vida da mulher, Dra. Fernanda Torras.

“O climatério corresponde à transição do período reprodutivo, menarca, para a senilidade, dividindo-se em pré, peri e pós-menopausa”, diz o ginecologista do Hospital Santa Catarina de São Paulo, Dr. Flávio Roberto Tanesi.

A pré-menopausa representa a queda na fertilidade, podendo ser reduzida para 20% entre os 35 e 40 anos de idade, sem grandes sintomas no organismo. A perimenopausa ou climatério é a fase de transição para a menopausa e traz todos os sintomas desconfortáveis para a mulher, começando, geralmente, dois anos antes da última menstruação e se estendendo até um ano após a menstruação ter sido finalizada.

Menopausa: sintomas e impactos

De acordo com o Dr. Freire, a menopausa é a última menstruação começando um novo período para a mulher. “É a parada da menstruação, o que significa que ela não conseguirá mais engravidar.”

Segundo a Dra. Fernanda, a menopausa, geralmente, ocorre por volta dos 50 anos de idade, variando entre 45 e 55 anos. “O diagnóstico é feito quando há ausência de fluxo menstrual por um ano.”

Algumas mulheres sofrem com a menopausa tardia, que acontece após os 55 anos de idade, e outras com a menopausa precoce, antes dos 45 anos de idade.

Os sintomas são iniciados no climatério, com a irregularidade menstrual, podendo diminuir ou aumentar a frequência do ciclo da menstruação e diminuir ou aumentar o fluxo menstrual, podendo, em alguns casos, causar hemorragia.

“Podem surgir as ondas de calor, conhecidas como fogachos; irritação do humor ou depressão; labilidade emocional (ausência de estabilidade emocional); alteração do sono; diminuição do desejo sexual; alterações de atrofia, como na vagina; ressecamento da mucosa vaginal, levando ao desconforto ou à dor na relação sexual; dificuldade para o esvaziamento da bexiga; infecções repetidas e até incontinência urinária. Os impactos na vida das mulheres hoje em dia são grandes. Elas não querem envelhecer e isto se transforma em um grande desconforto e preocupação. Os problemas que surgem causam um dano na qualidade de vida, podendo desencadear um desequilíbrio em cascata, prejudicando o ambiente profissional, familiar e até a ela mesma”, explica o Dr. Freire.

Características importantes

Segundo a Dra. Fernanda, a falta dos hormônios produzidos pelos ovários acarreta, em menor ou maior grau de sintomatologia, alterações nas esferas neurogênica, com fogachos e ondas de calor, calafrios, sudorese, taquicardia, cefaleia e tonturas; psíquica, como ansiedade, intensificação de depressão e irritabilidade; sexual, como diminuição da libido, ressecamento vaginal e diminuição de lubrificação, sangramentos por ressecamento intenso e dor durante as relações; sistêmica, como osteoporose, piora do perfil de colesterol, placas de ateroma e maior risco cardiovascular; urogenital e sexual, como prurido na vulva, urgência miccional, incontinência urinária aos esforços, dor ao urinar e aumento do risco de infecções urinárias; e cutânea, como alteração de pele com afinamento, dermatites e alteração na pilificação.

“Os sintomas citados podem afetar as mulheres em menor ou maior grau, sendo os mais frequentes: os vasomotores e psíquicos, como fogachos, insônia e distúrbios do humor (60% a 80% das mulheres no climatério e menopausa notarão estes sintomas em algum grau) e sintomas urogenitais e sexuais, como falta de lubrificação, sintomas urinários e dor durante a penetração (20% a 45% das mulheres na pós-menopausa). De acordo com o grau de sintomas, há piora significativa na qualidade de vida, avaliada em escala de sintomas, para posterior indicação de tratamento”, revela a Dra. Fernanda. O período da pós-menopausa abrange a última menstruação até os 65 anos de idade, quando a mulher atinge a terceira idade.

Pesquisas indicam que um estilo de vida saudável, com exercícios físicos regulares e alimentação balanceada, podem reduzir os sintomas do climatério, já que o período também é influenciado pelos níveis de estresse no organismo. Evitar o tabagismo também trará muitos benefícios, já que além de causar diversas doenças, o hábito pode antecipar a menopausa em um ou dois anos. O consumo de alimentos ricos em cálcio ajuda a reduzir os casos de osteoporose.

Foto: Shutterstock

Efeito otimizado

Edição 320 - 2019-07-07 Efeito otimizado

Essa matéria faz parte da Edição 320 da Revista Guia da Farmácia.

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