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Contraceptivos: direito de escolha

A contracepção não é apenas uma forma de prevenir uma gestação. Ela é fundamental para o livre exercício da sexualidade. A escolha do método é pessoal e deve ser adequada às necessidades e ao estilo de vida da paciente

A gravidez é algo que transforma a vida de uma mulher, de um casal, de uma família. Ter um filho é uma decisão muito importante que requer planejamento, reflexão e que só deve ser tomada com base na certeza de todas as mudanças que a chegada de um bebê traz. Não que elas sejam ruins, pelo contrário, mas é preciso estar preparado. E nem sempre as mulheres, especialmente, estão. Ou porque não chegou o momento ou porque simplesmente ela decidiu que ser mãe não está em seus planos.

Usufruir desse direito de escolha é algo que só é possível para mulheres que fazem uso de métodos contraceptivos. Ou seja, eles são fundamentais para que elas possam usufruir de sua liberdade sexual fundamentalmente sem os riscos de uma gravidez não planejada, mas também com mais segurança contra doenças sexualmente transmissíveis quando se usam métodos de barreira como o preservativo, por exemplo.

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De acordo com a médica ginecologista, professora e membro da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Dra. Zsuzsanna Jármy Di Bella, o não uso de métodos contraceptivos levaria 85% dos casais sexualmente ativos a uma gestação no período de um ano. Para ela, os métodos contraceptivos devem ser iniciados próximos do início da vida sexual num relacionamento.

“Embora um método contraceptivo possa ser iniciado a qualquer momento, orienta-se iniciar os métodos hormonais no primeiro dia do ciclo menstrual (primeiro dia da menstruação) para que a segurança do contraceptivo já ocorra no primeiro mês de uso do método”, orienta.

Uso contínuo

As pílulas de uso contínuo são cada vez mais prescritas para que haja menos sangramentos. “Diminuem-se assim os sintomas de Tensão Pré-Menstrual (TPM), de cólica menstrual, de endometriose, entre outras”, diz a médica ginecologista, professora e membro da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Dra. Zsuzsanna Jármy Di Bella.

A médica ainda explica que as pílulas de uso contínuo funcionam como anovulatórios, exatamente como as pílulas cíclicas. “Sabe-se que o uso contínuo após 120 dias aumenta a chance de haver sangramentos irregulares. Pode-se proceder a uma pequena pausa de quatro a sete dias e recomeçar o uso estendido das pílulas”, diz.

Elas ainda são indicadas para uso em períodos como o da amamentação, uma vez quea contêm um tipo de hormônio – os prostágenos e não apresentam estrogênio em sua fórmula.

Com os jovens iniciando a vida sexual cada vez mais cedo, não é incomum encontrar meninas com 14, 15, 16 anos de idade grávidas e interrompendo os estudos em função da demanda de um bebê. “A contracepção permite maior capacitação das mulheres, que conseguem melhor escolaridade e, consequentemente, mais condições para o mercado de trabalho”, comenta a ginecologista associada à Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), Dra. Ilza Monteiro.

Ela conta que frequentemente as primeiras relações sexuais acontecem sem proteção de contraceptivo ou com método de barreira, como o preservativo masculino, a popular camisinha. “Normalmente, as primeiras orientações são dadas por colegas, da mesma faixa etária, que já iniciaram sua vida sexual. Farmacêuticos também são procurados, visto que a pílula anticoncepcional é vendida sem necessidade de receita médica”, comenta.

Opções de métodos de contraceptivo

A pílula ainda é o contraceptivo mais utilizado devido sua praticidade. Porém, as mulheres têm procurado cada vez mais métodos práticos e de longa duração mais compatíveis com a vida moderna. Mas para isso, é fundamental consultar o médico ginecologista para conhecer todos os métodos disponíveis, bem como suas vantagens, desvantagens, duração e custos.

“Métodos de curta duração, por exemplo, dependem de disciplina, pois falham pelo uso incorreto ou irregular. São altamente eficazes se utilizados adequadamente, mas não é a realidade. Vida corrida, estresse, esquecimento são razões para o uso inadequado e a alta falha do contraceptivo”, alerta a Dra. Ilza.

Segundo ela, entre as opções disponíveis estão:
  • Métodos de curta duração: anticoncepcionais hormonais orais combinados, contendo somente progestágeno, injetáveis combinados mensais, anel vaginal ou adesivo transdérmico. O mecanismo de ação é a anovulação e o uso regular e constante provoca o bloqueio no eixo hipotálamo-hipófise-ovário.
  • Métodos de longa duração: dispositivos intrauterinos com cobre ou com levonorgestrel. Mecanismo de ação: dificultam a fertilização por alterarem funções vitais nos espermatozoides.
  • O implante subdérmicode etonogetrel e o Acetato de Medroxiprogesterona de Depósito (AMPD): o mecanismo de ação é a anovulação. O implante não depende da usuária para conseguir esse efeito, já o AMPD será eficaz se a mulher obedecer as datas da aplicação da injeção.
  • Anticoncepção de emergência: a eficácia da pílula do dia seguinte aumenta para 95% se a primeira dose for ingerida nas primeiras 24 horas após a relação sexual desprotegida.
  • Definitivos: laqueadura tubária e vasectomia.

Para a médica ginecologista e especialista em reprodução assistida da Huntington Medicina Reprodutiva, Dra. Ana Paula Aquino, o melhor método anticoncepcional para determinada paciente é aquele que ela vai usar. “Não adianta prescrever o método mais moderno ou inovador se a paciente não vai utilizá-lo, ou vai fazer um uso incorreto por qualquer que seja a razão. A paciente tem de estar confortável com a sua escolha, para que aquilo seja natural para ela e não um sofrimento”, comenta.

Vale dizer que existem métodos que são contraindicados para alguns grupos de pacientes. “Por exemplo, para pacientes com histórico de predisposição familiar e pessoal para trombose ou mulheres maiores que 35 anos de idade tabagistas ou hipertensas, ou com enxaqueca com aura, devem-se evitar métodos hormonais que contenham estrogênios, preferindo- se, portanto, métodos que contenham apenas os progestágenos, ou métodos não hormonais”, esclarecem os médicos ginecologistas da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Maurício Abrão e Dra. Lidia Hyun Joo Myung.

Longa duração – prós e contras

Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre, DIU de cobre com prata

  • Prós: duração de 5-10 anos, baixo custo, praticidade.
  • Contras: aumento de cólicas, fluxo e duração menstrual, aumento de doenças inflamatórias pélvicas e infertilidade.

DIU de levonorgestrel

  • Prós: duração 5 anos, redução de fluxo e cólica menstrual.
  • Contras: custo maior, escapes menstruais.

 

Métodos definitivos: laqueadura tubária e vasectomia

  • Prós: definitivos.
  • Contras: invasivos e cirúrgicos.

Fontes: médicos ginecologistas da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Maurício Abrão e Dra. Lidia Hyun Joo Myung

De acordo com eles, pacientes que foram submetidas a cirurgias bariátricas ou ressecções intestinais têm absorção oral reduzida e devem evitar as pílulas, preferindo outras vias de administração com anéis vaginais, adesivos, implantes ou Dispositivos Intrauterinos (DIUs).

“Escolhas pessoais, como métodos diários, semanais, mensais, ou trimestrais, vão da preferência de cada mulher e sua necessidade de praticidade e adaptação. A questão do parceiro na escolha do método se aplica mais às condições de métodos definitivos, em que o mesmo deve consentir em caso de união estável ou conjugal, quando da realização da esterilização definitiva, de acordo com as regras da Constituição que regem a Lei da Laqueadura e Vasectomia”, reforçam.

Foto: Shutterstock

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Edição 322 - 2019-09-09 O que está por vir?

Essa matéria faz parte da Edição 322 da Revista Guia da Farmácia.

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