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Contraceptivos: o controle na mão das mulheres

A descoberta dos anticoncepcionais deu liberdade à sexualidade feminina. Atualmente, diferentes medicamentos estão disponíveis no mercado, causando dúvidas sobre qual é o melhor a ser escolhido

Os anos 60 foram um marco para a independência feminina: a criação da pílula anticoncepcional. Pela primeira vez, elas poderiam escolher quando engravidar de maneira simples e barata. O método contraceptivo revolucionou o conceito de sexo que, antes, era visto como reprodução e não prazer.

A partir daí, diferentes produtos foram criados para que a mulher e seu médico pudessem escolher o método contraceptivo mais adequado, como injeção, anel vaginal e os Dispositivos Intrauterinos (DIUs), além da pílula do dia seguinte, que deve ser usada logo após o ato sexual para evitar a gravidez quando não houve cuidado.

Há, também, os métodos de barreira, mais conhecidos como preservativo masculino e feminino. De acordo com o ginecologista e obstetra especialista em Reprodução Humana de Criogênesis, Dr. Renato de Oliveira, os métodos de barreira são aqueles que evitam a gravidez com o impedimento da ascensão dos espermatozoides.

Já a anticoncepção hormonal se dá pela utilização de medicamentos, classificados como hormônios, em dose e modo adequados para impedir a ocorrência de uma gravidez não desejada ou não programada.

O perfil da brasileira

Das mulheres que usam algum método contraceptivo…

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“A anticoncepção hormonal é composta por até dois hormônios do ciclo menstrual feminino: estrogênio e progesterona. Dessa forma, pode ser um método combinado, com ambos os hormônios, ou apenas com progesterona”, explica ele.

A injeção e o anel vaginal funcionam de maneira parecida com a pílula oral. A maior diferença de métodos está no uso de DIU. O dispositivo é colocado dentro do útero e pode atuar de duas maneiras. O hormonal libera os hormônios diretamente no útero e somente 30% cai na corrente sanguínea. Já o dispositivo de cobre não possui medicamentos, somente o cobre que, por si só, mata os espermatozoides.

Segundo o coordenador do Núcleo de Ginecologia, Obstetrícia e Perinatalogia do Hospital Samaritano Higienópolis, Dr. Edilson Ogeda, a eficácia dos contraceptivos é feita de acordo com o índice de Pearl.

“Os anticoncepcionais clássicos, como a pílula oral e a injeção, têm um índice muito baixo, ao redor de 0,2% a 0,3%. Ou seja, a cada 100 mulheres usuárias, 0,2% ou 0,3% engravidam por ano por falha de método. O DIU de cobre tem índice de 0,7% e o DIU hormonal entre 0,3% e 0,4%. O preservativo masculino tem índice de 1% a 2%”, comenta.

A escolha perfeita

Para que a mulher se sinta bem, alguns pontos devem estar claros entre a paciente e o médico. A pílula oral, por exemplo, já foi vista como vilã por ser uma das causadoras de trombose.

Para o Dr. Ogeda, é necessário que a paciente faça uma consulta e exames para descartar a predisposição ao problema. A pílula também não é indicada para mulheres acima dos 35 anos de idade, fumantes ou hipertensas.

Em geral, o número de mulheres com trombose causada pelo uso desses medicamentos é muito baixo do ponto de vista epidemiológico. “Os estudos mostram que o risco de uma mulher que toma pílula ter trombose é de oito, no universo de dez mil mulheres”, afirma o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Dr. César Fernandes.

A indústria começa a pensar em diminuir o nível de hormônios no corpo feminino. As pílulas modernas possuem baixos índices hormonais, diminuindo ainda mais a chance de uma mulher sofrer com a trombose. Devem ter cuidado, também, as mulheres que estão amamentando, que não podem usar pílulas com o hormônio estrogênio.

Por outro lado, as mulheres que sofrem com a Síndrome dos Ovários Policísticos têm aumento de pelos, acne e peso e certos anticoncepcionais orais são mais adequados, porque diminuem os efeitos do problema.

“Existem mulheres que preferem não menstruar, então fazem o uso de pílula oral com as cartelas emendadas, ou seja, sem a parada usual. Fazer a pausa não faz com que a pílula seja mais eficaz do que as mulheres que emendam a cartela, assim como não há problemas hormonais para quem desejar não menstruar certos meses”, revela o médico do Hospital Samaritano.

Os tipos de métodos contraceptivos

Métodos de barreira

Preservativos masculinos: também chamados de camisinha, são indicados para todas as relações sexuais sem fins reprodutivos. É o único método de evitar infecções sexualmente transmissíveis.

Diafragma: é uma membrana de silicone em forma de cúpula, assemelhando-se a um anel flexível, com diversos tamanhos, a fim de melhor adaptação conforme o tamanho vaginal. Sua inserção deve ser feita de modo que cubra completamente o colo do útero e também a parede vaginal anterior.

Métodos hormonais

Anel vaginal: é um método combinado de fácil manuseio que deverá permanecer dentro da vagina por três semanas. Após uma semana de pausa, deve-se inserir um novo anel. O método não interfere nas relações sexuais e não limita atividades físicas.

Pílula anticoncepcional: há mais de 150 combinações disponíveis, pois cada mulher possui uma necessidade e capacidade de adaptação. Há, por exemplo, combinações melhores para combater acne, melhorar inchaços e reduzir os sintomas da Tensão Pré-Menstrual (TPM).

Adesivos transdérmicos: colados à pele, em rodízio de lugares, por três semanas. Após uma semana de pausa, inicia-se um novo ciclo.

Dispositivo Intrauterino (DIU) Hormonal: o DIU liberador de progesterona (levonorgestrel) dura cinco anos e tem uma taxa de rejeição baixa.

Injeções: há as mensais combinadas e as trimestrais, apenas com progesterona. Práticas, minimizam o esquecimento nas tomadas diárias dos comprimidos.

Fonte: ginecologista e obstetra especialista em Reprodução Humana de Criogênesis, Dr. Renato de Oliveira

O uso da pílula é iniciado, normalmente, na adolescência. E é nessa época que a orientação deve ser feita em dobro. Por mais que a pílula seja extremamente eficaz contra a gravidez, não há nenhuma segurança contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), então as usuárias que não têm uma vida sexual estável devem sempre combinar o uso dos dois métodos contraceptivos.

Já o uso do DIU é mais comum a partir da terceira década de vida. O Dr. Ogeda explica que isso acontece pelo tempo de validade. Enquanto o DIU de cobre dura até dez anos, o hormonal tem validade de cinco anos e custo mais elevado do que o de cobre. Ou seja, quem deseja usar um método por um curto período, assim como quem deseja engravidar em um período de um ano, não precisa usar o dispositivo.

Existem ressalvas, também, para quem tem fluxo menstrual intenso e sofre com cólicas. Essas mulheres podem sofrer mais com o DIU de cobre, então ele não é indicado. Por outro lado, o DIU hormonal pode reduzir consideravelmente o fluxo (chegando a não menstruar certos meses) e as cólicas menstruais.

A contracepção de emergência se dá pela ingestão de comprimido de progesterona (1,5 mg de levonorgestrel), em dose única, em situações alarmantes, ou seja, quando há um risco de gravidez na falha de outros métodos.

“Esse medicamento pode ser ingerido até cinco dias após a relação sexual. Porém, os melhores resultados ocorrem nos primeiros três dias, principalmente até 24 horas”, revela o Dr. Oliveira. A usuária deve ser orientada ao não uso excessivo da pílula do dia seguinte, uma vez que este não é um método anticoncepcional de rotina. Com a dosagem alta, pode acarretar efeitos colaterais (como náuseas, dores de cabeça e mal-estar), além de alterar o ritmo menstrual.

Foto: Shutterstock

Protagonistas do consumo

Edição 303 - 2018-02-01 Protagonistas do consumo

Essa matéria faz parte da Edição 303 da Revista Guia da Farmácia.