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Covid-19: Proteção extra

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Os imunizantes disponíveis contra a Covid-19 são todos constituídos por vacinas não vivas ou inativadas e sabe-se que elas, por natureza, são menos imunogênicas, por isso necessitam de doses de reforço, segundo explica a coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Lorena de Castro Diniz.

“Observou-se, nas últimas semanas epidemiológicas, tendência de ascensão da curva de incidência das formas graves da doença entre idosos. Estes achados podem estar relacionados à possível diminuição ao longo do tempo da resposta imune após a segunda dose da vacinação nesta população”, comenta.

A médica infectologista do Grupo Sabin, do Hospital Regional de São José dos Campos e do Hospital de Clínica Sul, Dra. Luciana Campos, afirma que embora ainda não seja claro que as doses adicionais sejam efetivas contra as novas variantes, os benefícios são significativos para a contenção da doença.

“O que sabemos é que um maior número de pessoas imunizadas completamente leva a uma diminuição da disseminação viral e da possibilidade de surgimento de novas cepas”, aponta.

Além dos idosos, outro grupo que tem merecido atenção em todo o mundo são aqueles com alto grau de imunocomprometimento. “Esses indivíduos usualmente apresentam resposta reduzida às diferentes vacinas do calendário vacinal, necessitando de esquemas de vacinação adaptados”, acrescenta.

Assim, com base nesse cenário, recentemente, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos (EUA) atualizou suas recomendações para incluir a possibilidade de doses adicionais de vacinas Covid-19 (terceira dose) em pessoas com alto grau de imunossupressão.

E a prática começou a ser adotada no Brasil e foi autorizada para idosos com mais de 60 anos, imunossuprimidos e profissionais da saúde. “Os profissionais de saúde também foram contemplados com a dose de reforço, pois estão mais expostos e também foram os primeiros a receber as doses, podendo também estarem com níveis de anticorpos neutralizantes mais baixos neste momento”, justifica a Dra. Lorena.

Mistura de marcas é segura?

Diante da falta de alguns imunizantes, a mistura entre algumas marcas de vacinas passou a ser autorizada no País e, de acordo com especialistas do setor, essa prática é segura.

“Existem vários trabalhos demostrando que a intercambialidade com o uso de dose de reforço com outra plataforma aumenta a proteção contra outras variantes”, aponta a Dra. Lorena.

A Dra. Luciana esclarece que, até o presente momento, existe a possibilidade de combinar as vacinas da AstraZeneca e da Pfizer. “Outros estudos com outras vacinas já estão em andamento”, diz.

Como entender a eficácia da vacina

Outro assunto recorrente está relacionado a entender a capacidade da vacina de prevenir a enfermidade contra a qual se destina. E a especialista da ASBAI ajuda a fazer essa interpretação.

“Quando se diz que uma vacina tem 95% de eficácia, significa que 95 a cada 100 vacinados ficam protegidos. Isto, por outro lado, significa que cinco dessas 100 pessoas podem adoecer. Portanto, manter uma cobertura vacinal elevada é essencial para protegê-las e para diminuir o risco de infecção de quem não pode se vacinar por qualquer motivo”, esclarece a médica.

A eficácia das vacinas aplicadas no País varia conforme a plataforma e o fabricante, mas os resultados não podem ser comparados entre si. “Usar a taxa de eficácia para escolha da vacina não funciona, pois cada fabricante divulga seus resultados em grupos distintos com taxas de exposição distintas”, adverte a médica infectologista do Grupo Sabin.

Doença endêmica?

Já se demonstrou que, de fato, a Covid-19 veio para ficar. Os especialistas da área acreditam, inclusive, que ela deve se tornar uma doença endêmica. “Esse quadro se dá quando o vírus se mantém circulante, porém em menor escala e de forma sazonal”, descreve a Dra. Luciana.

Portanto, a população terá de aprender a conviver com mais esta doença endêmica no mundo. “Teremos de nos prevenir com vacinação e medidas protetivas, como hábito de lavagem de mãos, distanciamento e uso de máscaras até que a circulação do vírus esteja mais controlada e a grande maioria da população vacinada”, alerta a especialista da ASBAI.

Dessa forma, a vacinação entre crianças e adolescentes deve ser estimulada. “Enquanto esta faixa etária não estiver completamente vacinada, continuaremos mais vulneráveis, pois o vírus pode continuar cocirculando nesta população e transmitindo para pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, justifica a Dra. Lorena.

Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Shutterstock

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