fbpx

De malas prontas para o verão

O aumento da temperatura e os dias de folga revelam demanda maior por produtos típicos do verão. Saber organizar o ponto de venda e oferecer mix correto é determinante para o crescimento das vendas

Os meses mais quentes do ano e as férias de verão estão chegando e, com elas, todo o planejamento familiar para que os dias de descanso sejam felizes e sem preocupação. Na lista de afazeres, todos os produtos de Higiene & Beleza (H&B) necessários para que não haja imprevistos e uma ótima oportunidade para que as farmácias aumentem suas vendas baseadas nos produtos mais buscados.

Para isso, é necessário que o varejo tenha estoque planejado, ótima exposição de produtos e kits promocionais que supram diferentes demandas em somente um item. De acordo com a consultora especializada em varejo farmacêutico, Silvia Osso, o comércio varejista se prepara para as vendas já em novembro, fazendo acréscimo nas compras baseado em vendas de anos anteriores ou estudos oferecidos pela indústria.

“Este ano, como as vendas estarão relativamente fracas, é necessário fazer estudos cuidadosos e, ao receber a mercadoria, efetuar uma bela exposição para estimular as vendas e as oportunidades na farmácia. A loja tem de estar com muita cara de férias. O cliente que passar por ela tem de achar que o verão está logo ali esperando por ele ou por suas crianças. Caprichar na execução do tema férias é fundamental”, diz ela.

Apesar disso, o layout da farmácia não deve ser totalmente alterado, pois os clientes gostam de comprar em locais onde estão habituados e têm comodidade para efetuar suas compras. Já as pontas de gôndolas, os cestos expositores e o checkout devem ser muito explorados com produtos de verão, bem sinalizados e com preços interessantes e ofertas tipo “leve três e pague dois”.

Como a demanda por itens de perfumaria aumenta consideravelmente, as farmácias podem – e devem – apostar em kits que agreguem dois ou mais produtos.

Ainda que os medicamentos e produtos de H&B de inverno não saiam totalmente do cadastro das farmácias, o foco deve ser em itens de maior demanda no verão. Entre os medicamentos pensados em viagens, estão os antitérmicos, analgésicos, antiácidos, contra náuseas e vômitos e contra resfriados e viroses intestinais, que dispensam a ida ao médico e podem ser atenuados com os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs).

Quem viaja com crianças, segundo Silvia, busca por termômetros; colher medidora para preparar soro; loção ou creme para picadas de insetos e queimaduras de sol; água oxigenada para limpeza de cortes e machucados; curativos; compressas de gaze; esparadrapo ou fita microporo.

“Em perfumaria, os homens procuram barbeadores ou aparelhos para barba e cremes ou loções para o mesmo fim, além de desodorantes, gel para cabelo e protetores solares. As mulheres buscam por sabonetes; colônias; talcos; cremes hidratantes para o corpo e mãos; protetores solares; repelentes; xampus; cremes para cabelos; desodorantes; depilatórios; entre outros”, revela a consultora.

Como a demanda por itens de perfumaria aumenta consideravelmente, as farmácias podem – e devem – apostar em kits que agreguem dois ou mais produtos. É o caso, por exemplo, dos kits com dermocosméticos e itens para maquiagem. “A indústria costuma ter uma ótima pesquisa e, geralmente, lança kits que agradam aos clientes e possuem preços mais atraentes do que os montados nas farmácias. Em época de crise, os kits montados devem levar em conta muito mais o preço final do que o número de produtos”, alerta Silvia.

Ter alguns tipos de nécessaires de vários tamanhos e bem atraentes para que os clientes possam montar seus kits com itens disponíveis na loja como, por exemplo, sabonete, desodorante e bucha para banho ou algodão, acetona, base, esmaltes, alicate e lixa para unhas, pode ser um diferencial da farmácia.

Confira a seguir, algumas das categorias de maior demanda na estação.

Cutelaria

Os esmaltes seguem diretamente as tendências de moda. Não à toa, eles estão cada vez mais em evidência na rotina de beleza das mulheres. Com isso, cresce a procura por novas cores e efeitos, além da preocupação com o uso de produtos de cutelaria que possam auxiliar nas unhas perfeitas.

“A categoria de esmaltes vem ganhando cada vez mais espaço, tanto na lista de desejos dos consumidores quanto na gôndola. Explorar essa oportunidade com uma exposição de produtos adequada e atraente faz toda a diferença para o sucesso nas vendas”, revela a gerente do grupo de marketing de Colorama, Adriana Garcia.

Entre as cores que mais fazem sucesso, estão os nudes, que foram destaque nas duas últimas estações e continuarão em alta por um bom tempo. Segundo a coordenadora de marketing da Impala, Patrícia Porta, o violeta e os tons amarronzados também são apostas tanto no inverno quanto no verão. Cremosos e metalizados continuam como tendência, sendo efeitos bastante escolhidos pelas brasileiras.

Para aumentar o tíquete médio, a farmácia pode privilegiar os tipos de esmaltes que trazem mais benefícios e que possuem um melhor valor agregado (única camada, nutriverniz, nutribase, entre outros).

“As consumidoras escolhem os itens que compõem seu próprio nécessaire de fazer as unhas. Portanto, nesse cenário, os itens de cutelaria, como alicate, empurradores, cortadores, palitos e lixas são impulsionados pelos esmaltes”, explica Patrícia. Além da facilidade de ter seus próprios itens, as mulheres estão mais atentas à procedência dos objetos.

Para a diretora de marketing da Ricca, Daniella Brilha, o processo de manicuração completo não existe sem a cutelaria. A ação se divide entre sete e nove etapas, dependendo do serviço agregado. Entre todas as fases básicas, a cutelaria está presente em quatro delas: corte/lixamento das unhas; remoção da cutícula; aplicação de esmalte; e limpeza de resíduos.

Já os esmaltes devem ser organizados por marca, tonalidades, tipo de cobertura (natural, cremoso e cintilante) e por seus atributos (benefícios adicionais à cor), ajudando na identificação dos produtos. “As marcas podem ser expostas na vertical, sempre partindo das premium para as marcas de valor no sentido do fluxo do corredor e as cores podem ser organizadas das mais claras para as mais escuras”, complementa Adriana.

Para aumentar o tíquete médio, a farmácia pode privilegiar os tipos de esmaltes que trazem mais benefícios e que possuem um melhor valor agregado (única camada, nutriverniz, nutribase, entre outros). Além disso, as coleções de cores são as atrações da categoria. Por isso, devem estar expostas em locais de melhor visibilidade na categoria.

Protetor Solar

Ainda que a proteção contra os raios solares deva ser feita diariamente, o consumo de fotoprotetores cresce nos meses mais quentes do ano. Na primavera e no verão, a incidência dos raios ultravioleta (UV) se torna de três a cinco vezes superior às demais épocas do ano. Diante disso, o mercado de protetores solar atinge seu maior pico de vendas entre novembro e fevereiro.

Segundo uma pesquisa da Consulfarma e o Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele (IPUPO) Educacional, 65% da população ainda não aplica filtro solar diariamente, sendo o efeito de sazonalidade evidente quando analisados os dados de vendas sell out durante o verão.

“A categoria de proteção solar é dividida em uso familiar (praia e piscina), individual (beleza) e uso diário”, revela a diretora de trade marketing e Sales Operations da Johnson & Johnson, Juliana Sztrajtman. Além disso, a categoria está se sofisticando.

A exposição deve ser feita por marca, facilitando a identificação da categoria. Dentro de cada marca, agrupar os segmentos (facial, infantil, pós-sol, regular e bronzeadores).

De acordo com a gerente de marketing da ISDIN, Fernanda Paes, esse é o caso dos produtos com múltiplos benefícios, com fórmulas que adicionam ativos anti-idade e antioxidantes. Essas tecnologias se adéquam às necessidades de diferentes tipos de pele. Os produtos oil control, por exemplo, possuem substâncias sebo reguladoras.

Assim como o protetor solar é importante para a saúde da pele, cresce a busca pelo pós-sol. O produto tem como função acalmar e hidratar a pele, prolongando o efeito do bronzeado. Além disso, evita a descamação no caso da pele ter sido machucada pelo sol.

O pós-sol permite que a pele se recomponha da agressão sofrida pela superexposição ao sol, ainda que seja um produto sintomático, ou seja, ele alivia os sintomas, mas não impede que o processo de agressão instalado não aconteça.

A exposição deve ser feita por marca, facilitando a identificação da categoria. Dentro de cada marca, agrupar os segmentos (facial, infantil, pós-sol, regular e bronzeadores). Dentro de cada segmento, separar por aplicador e, por fim, devem ser expostos em ordem decrescente de Fator de Proteção Solar (FPS).

“Na horizontal, do início do fluxo da loja para o fim, do maior FPS para o menor. Isso porque os produtos de maior FPS têm maior valor agregado. Na vertical (de cima para baixo), são separados por área de aplicação – sendo a categoria de protetores faciais da parte de cima da gôndola até o meio e, do meio para baixo, os protetores corporais”, relaciona Fernanda.

Além disso, Juliana, da Johnson & Johnson, frisa a importância de dar destaque à categoria nos períodos de pré-verão e verão. Os produtos devem ser expostos em locais de alto fluxo, por meio de pontos extras e cross-merchandising, facilitando a lembrança e a decisão de compra da categoria.

Repelentes

O clima quente traz, junto dele, maior incidência de mosquitos. Não por acaso, cresce a procura por repelentes. Os produtos ajudam a proteger não somente das picadas inconvenientes, mas de doenças transmitidas pelos insetos – como a dengue, zika e chikungunya, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

“O clima de verão favorece o Aedes aegypti. A combinação de chuva e calor é perfeita para que o mosquito se prolifere de forma rápida, aumentando assim os casos das doenças”, comenta a supervisora técnica de Pesquisa & Desenvolvimento da Baruel, Andrea Gutierrez.

Os repelentes convencionais podem ser formulados com DEET, Icaridina e IR3535. Os três princípios ativos são recomendados contra o mosquito Aedes aegypti, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde (MS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O efeito dos repelentes se dá pelo ‘efeito nuvem’, ou seja, após a aplicação, o produto evapora e forma uma ‘nuvem’ em volta da pele que repele o inseto. Para que isso ocorra, a fórmula deve ser desenvolvida com os balanceamentos corretos”, explica Andrea.

De acordo com OFF®, sua ação (falando especificamente de DEEP e Icaridina) depende principalmente da concentração do princípio ativo em cada produto. Quanto maior a concentração, maior a duração. Entre os formatos disponíveis no mercado estão os cremes, sprays, géis e aerossóis.

“O efeito dos repelentes se dá pelo ‘efeito nuvem’, ou seja, após a aplicação, o produto evapora e forma uma ‘nuvem’ em volta da pele que repele o inseto. Para que isso ocorra, a fórmula deve ser desenvolvida com os balanceamentos corretos”, explica Andrea.

Todos os produtos são eficazes e o formato deve ser escolhido de acordo com a preferência do consumidor. Enquanto um shopper pode preferir cremes, outro pode preferir as pulverizações e aerossóis como aplicação, dependendo da aplicação mais rápida e da conveniência. Acima de tudo, os consumidores devem seguir as instruções do rótulo.

A maior parte dos repelentes é indicada para adultos e crianças a partir de dois anos de idade. Para uso em grávidas, a recomendação deve ser feita pelo médico de confiança, assim como para crianças entre zero e dois anos.

Entre as principais dicas de aplicação, OFF® cita a importância dos repelentes serem usados em pele e roupas expostas – nunca por debaixo da roupa. Além disso, deve ser usado após qualquer outro produto na pele (como maquiagem e protetor solar). É necessário evitar o contato com os olhos, lábios e orelhas e nunca ser usado sobre cortes, feridas ou pele irritada. Ao usar no rosto, o repelente deve ser aplicado primeiro nas mãos e, em seguida, distribuído sobre o rosto e o pescoço.

Bronzeadores

Ainda que os cuidados com a cútis sejam cada vez mais falados, boa parte das pessoas espera ansiosamente o verão para ter a pele mais bronzeada e iluminada. Assim como cresce a procura por protetor solar, aumenta a demanda por bronzeadores.

A categoria de proteção solar (onde os bronzeadores estão incluídos) tem 80% de suas vendas concentradas entre outubro e fevereiro, por conta da estação mais quente e do período de férias. “Já os autobronzeadores são procurados o ano todo pelo desejo de manter o bronzeado mesmo nos meses mais frios”, explica o gerente de marketing de Australian Gold, Mauricio Ferro.

Para que a pele esteja protegida – ainda que bronzeada –, os aceleradores de bronzeados devem ser usados em conjunto com o protetor solar. Nessa temporada, a aposta é na comunicação correta do uso do produto, para reforçar a importância dos cuidados.

Todos os produtos de proteção solar devem ocupar um espaço de melhor visualização nas gôndolas, especialmente durante a temporada de verão. O ponto de venda (PDV) pode comunicar – inclusive com material da indústria – sobre como usar de maneira correta os bronzeadores e protetores.

Os produtos devem ser usados em dois passos. “Aplicar o acelerador em todo o corpo, de preferência antes de colocar a roupa de banho. A aplicação deve ser feita de baixo para cima, garantindo que todas as regiões do corpo estejam com o produto e que a pele esteja hidrata. Após a pele absorver o produto completamente, depois de aproximadamente cinco minutos, há o passo dois. Deve-se aplicar o protetor solar, já que os aceleradores não possuem FPS e não podem ser usados sozinhos”, revela Ferro, da Australian Gold.

Ela frisa a importância de usar o protetor solar 30 minutos antes da exposição solar e sempre após a aplicação do acelerador de bronzeado, em todo o corpo. É o protetor solar que criará uma barreira de proteção contra os raios UV.

Todos os produtos de proteção solar devem ocupar um espaço de melhor visualização nas gôndolas, especialmente durante a temporada de verão. O ponto de venda (PDV) pode comunicar – inclusive com material da indústria – sobre como usar de maneira correta os bronzeadores e protetores.

“Como nosso foco é comunicar a educação de aplicação do acelerador de bronzeado seguido do protetor solar, desenvolvemos vários materiais de PDV para que o consumidor entenda rapidamente os benefícios dos produtos, para uma escolha fácil e simplificada, melhorando a experiência de compra”, finaliza o gerente.

Marco histórico

Edição 300 - 2017-11-01 Marco histórico

Essa matéria faz parte da Edição 300 da Revista Guia da Farmácia.