
Durante a pandemia, o brasileiro não deixou de lado o hábito de usar os desodorantes. Mas algo mudou. Por conta do momento econômico e das incertezas relacionadas à renda, nos últimos meses, o squezee, por ter um custo mais baixo, ganhou espaço na escolha do consumidor.
É o que mostrou o Painel de Dados de Mercado da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). “O squeeze teve um crescimento de 21% no acumulado de janeiro a setembro de 2020, quando comparado ao mesmo período de 2019, tomando espaço de outros tipos de apresentação, como o aerossol, que teve queda de 6,1%”, explica o presidente executivo da entidade, João Carlos Basilio.
Mesmo assim, o aerossol não perdeu sua majestade, já que continua sendo o campeão isolado, com 59% das vendas, seguido por roll-on (17,7%); squeeze (17,2%); creme (5,6%); e bastão (0,4%).
Conforme apontado no Caderno de Tendências (2019-2020), desenvolvido pela Abihpec em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a categoria desodorantes é dinâmica e está sempre trazendo novidades que vão ao encontro dos desejos do consumidor brasileiro: longa duração, clareamento das axilas, hidratação da pele, inibição do crescimento dos pelos, efeito antibacteriano, ação antimanchas em roupas, etc.
“Outras tendências do setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPC) se aplicam à categoria dos desodorantes, como é o caso da busca cada vez maior por ingredientes de origem natural e a preocupação com o meio ambiente”, explica Basilio.
DICAs DO GUI:
Potencialize as vendas de desodorantes nesse verão
CENÁRIO: os principais players do mercado vêm adicionando benefícios funcionais às fórmulas e tempos de ação mais altos como maneira de atrair a atenção do consumidor.
EXPOSIÇÃO: a forma como essa categoria é exposta na gôndola também influencia nesse momento de decisão. Assim, prateleiras mais altas (altura dos olhos) devem abrigar itens com maior valor agregado; separar e organizar a gôndola por gênero (masculino e feminino), e dentro de cada gênero, organizar por aplicador (aerossol, roll-on, stick) para facilitar a escolha.
AÇÕES PROMOCIONAIS: a realização de promoções e a oferta de embalagens promocionais (exemplo: compre dois e leve três) ajudam na manutenção do desenvolvimento da categoria.
Fonte: presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basilios
O desejo por produtos especiais (“premiunização” da categoria), ou seja, com mais valor percebido agregado, é outra tendência que pode ser aplicada a esse setor, com o investimento na criação de opções com perfumaria fina e embalagens e ingredientes diferenciados.
“Essa categoria vem se mostrando muito competitiva, ganhando novos players, obrigando as principais marcas a aumentar as ações de promoção por meio de descontos ou de embalagens promocionais para estimular a demanda”, diz ele.
Com a chegada do verão, a expectativa da Abihpec é a de que, à medida que as práticas de distanciamento social forem amenizadas, o consumidor brasileiro busque por produtos que possam ser usados não só dentro de casa, mas também em trânsito e com segurança. Isso passa por novos formatos e apresentações, como produtos sólidos e embalagens menores e compactas.
Desodorantes x Antitranspirantes
“Os desodorantes são usados para disfarçar o odor que acompanha as áreas de sudorese. Possuem substâncias antissépticas como álcool e triclosan, diminuindo o crescimento das bactérias que provocam o mau odor, já que o suor, na verdade, é inodoro”, explica a dermatologista da clínica Dr. André Braz, Dra. Laís Leonor.
“Já os antitranspirantes”, continua ela, “possuem ingredientes ativos que inibem a produção de suor ou dificultam sua eliminação pelas glândulas sudoríparas, sendo uma das maneiras mais eficazes de controlar a transpiração”.
“O recomendado é aplicar o desodorante no início do dia, mas nada impede de reaplicá-lo no fim do dia. Isso depende muito também de cada pessoa, do grau de sudorese, de odor e dos hábitos diários e se pratica atividades físicas ou não”, explica a dermatologista Dra. Mariana Corrêa.
Em relação à apresentação, não há uma mais adequada que a outra. Optar por roll-on, squeeze, aerossol ou cremes é uma escolha individual e que leva em consideração o aplicador que melhor atende às necessidades de cada um, afinal, a farmácia oferece opções para todos. O importante é verificar se há irritação na pele ou alergia.
“Existe risco de irritação da pele e até obstrução dos poros e inflamação da glândula”, explica a dermatologista da clínica Dr. André Braz, Dra. Laís Leonor.
“O ideal é usar uma fórmula hidratante e suave, de preferência sem álcool ou alumínio, que são ingredientes que podem irritar a pele delicada das axilas. A dermatite de contato, reação de hipersensibilidade a algum componente do produto, ao produzir uma inflamação, principalmente em pessoas com fototipos mais altos (que têm mais melanina), tende a escurecer as axilas”, explica. Nesse caso, o ideal, diz a médica, “são as opções hipoalergênicas, com substâncias calmantes como o Aloe vera e sem perfume”.
Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock