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Destaques do ano

Política e futebol dominaram as manchetes e os debates durante boa parte de 2018, mas muitos outros acontecimentos importantes foram registrados, inclusive na área da saúde

Atípico talvez seja o termo que melhor defina como foi 2018 para os brasileiros. Eventos como a Copa do Mundo e as eleições pareceram dividir o ano em dois momentos totalmente distintos. O primeiro semestre foi marcado pelo clima de festa dos jogos da seleção brasileira, apostas sobre quem seria o campeão mundial de futebol e debates sobre o comportamento polêmico do astro Neymar Jr. Bastou o campeonato acabar para que toda a atmosfera ganhasse outro tom. Todas as atenções se voltaram para a corrida eleitoral mais polarizada e polêmica da história do País.

Além de muito disputadas, as eleições deste ano também foram marcadas por momentos únicos, comprovando as singularidades que permearam os 365 dias de 2018. Primeiro, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde o último mês de maio na sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), tentou até o último instante concorrer à presidência da República. Acabou barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Já o então candidato do Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, foi vítima de um atentado e levou uma facada durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Apesar de ter passado por duas cirurgias para tratar do ferimento, se recuperou e pode acompanhar de perto a apuração dos votos que acabaram por elegê-lo o próximo presidente do Brasil. O capitão reformado do Exército recebeu 57,8 milhões de votos (55,13%) e derrotou o petista Fernando Haddad no 2° turno.

No Congresso, o brasileiro expressou o desejo de mudança. A taxa de renovação na Câmara dos Deputados foi a maior dos últimos vinte anos (53%), enquanto a do Senado Federal (SF) atingiu recorde histórico de 85% de novos parlamentares entre as 54 vagas disputadas. Além disso, houve aumento no percentual de mulheres e negros eleitos e enfraquecimento de partidos tradicionais.

Apesar da política – e o futebol, na primeira metade do ano – terem dominado as manchetes, conversas e manifestações em redes sociais durante boa parte dos 12 meses de 2018, muitos outros acontecimentos importantes foram registrados ao longo do ano – com menor destaque, mas não menos relevância. Para traçar um panorama e propor uma reflexão a respeito do ano que se encerra, o Guia da Farmácia reuniu os principais fatos que marcaram o País e, mais especificamente, o setor da saúde. Confira a seguir:

Lançamentos de medicamentos*

Ao longo de 2018, o investimento das indústrias farmacêuticas em pesquisa e desenvolvimento deu muitos frutos. Com o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vários novos medicamentos chegaram ao mercado para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Dentro do laboratório Teuto, a inovação foi tanta que a empresa foi destaque na Valor 1000, publicação especial do jornal Valor Econômico, conquistando o prêmio Fii Innovation Awards 2018 de produto funcional mais inovador. A premiação escolheu o Flobac Pro como o segundo produto funcional mais inovador. O item, um probiótico à base de Lactobacillus acidophilus, é um alimento funcional que ajuda no equilíbrio da flora intestinal.

Já a Sanofi Pasteur recebeu a aprovação de registro de uma nova vacina contra gripe desenvolvida exclusivamente para idosos. Nesta população, a vacina apresentou-se 24,2% mais eficaz na proteção contra a gripe em comparação à vacina contra influenza trivalente aprovada atualmente no Brasil.

A EMS também inovou, mas decidiu ir mais longe. Por meio da Brace Pharma – braço de inovação disruptiva (radical) da empresa nos Estados Unidos –, submeteu seu primeiro produto para a aprovação da Food and Drug Administration (FDA). Trata-se do GeNOsyl® Advanced Delivery System (ADS), device portátil de uma nova geração de óxido nítrico inalatório voltado ao tratamento da hipertensão pulmonar resistente em recém-nascidos.

Para tratamento de câncer, a novidade é o medicamento Ibrance® (palbociclibe), da Pfizer. O produto é uma terapia inovadora para o tratamento de mulheres com câncer de mama avançado do tipo estrogênio receptor positivo (ER+) e HER2. Já para os portadores de mieloma múltiplo, a Takeda lançou o primeiro inibidor de proteassoma oral usado em combinação com lenalidomina e dexametasona em pacientes com mieloma múltiplo.

Entre os genéricos, mais novidades. A Anvisa autorizou a comercialização de quatro medicamentos inéditos no País. Um deles é o entricitabina combinado com fumarato de tenofovir desoproxila, produto que será usado para o tratamento de pessoas com HIV (vírus da imunodeficiência humana).

O segundo item é o perindopril erbumina combinado com indapamida, indicado para o tratamento da hipertensão arterial. Outro produto aprovado é o bilastina, usado no tratamento sintomático de rinoconjuntivite alérgica e urticária. Por fim, há o undecilato de testosterona, usado em terapias de reposição de hormônio sexual em homens que apresentam hipogonadismo primário e secundário.

Fusões e aquisições entre indústrias*

O envelhecimento da população brasileira e o espaço para o crescimento de mercado tornam o Brasil atrativo aos olhos dos investidores que atuam no segmento de saúde. Estima-se que, até o encerramento de 2018, esse setor movimente aproximadamente R$ 3 bilhões em fusões e aquisições, segundo previsões da OktoFinance para o País.

A Biolab, por exemplo, comprou a Actavis Brasil, pertencente ao Grupo Teva. A empresa atua na fabricação, importação e distribuição de medicamentos. Dentre seus ativos, destacam-se a fábrica localizada na cidade do Rio de Janeiro e um portfólio com mais de 30 produtos, entre itens de marca e genéricos. Já a Novamed, pertencente ao Grupo NC (também detentor da EMS), assumiu oficialmente a totalidade dos negócios do laboratório Multilab, em São Jerônimo (RS). O novo controle acionário foi aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), em 22 de junho último.

Entre as gigantes multinacionais, também houve muitas mudanças ao longo de 2018. A Bayer, por exemplo, se tornou líder mundial de sementes, fertilizantes e pesticidas após adquirir a gigante americana Monsanto por US$ 63 bilhões, em junho deste ano.

Na Novartis, a movimentação foi ainda mais intensa. Primeiro, adquiriu a empresa americana de terapia genética AveXis por US$ 8,7 bilhões e vendeu sua participação na joint venture de medicamentos isentos de prescrição que tinha com a GSK para a própria companhia britânica, por US$ 13 bilhões. Meses depois, adquiriu a Endocyte, uma companhia biofarmacêutica americana especializada em tratamentos para câncer de próstata, por US$ 2,1 bilhões.**

Por último, entre as movimentações de maior repercussão, a Boehringer Ingelheim adquiriu todas as ações da Vira Therapeutics, uma empresa biofarmacêutica especializada no desenvolvimento de terapias oncolíticas virais que desenvolveu o vírus da estomatite vesicular com glicoproteína modificada (VSV-GP), em investigação isoladamente e em combinação com outras terapias. O valor total da transação foi de 210 milhões de euros.

OUTROS FATOS QUE MARCARAM 2018*

Marco regulatório

Desde julho último, está em vigor o marco regulatório para os suplementos alimentares. Itens como vitaminas e minerais, ômega-3 ou proteína do soro pertencem, agora, a uma nova categoria: suplementos alimentares. De acordo com definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), trata-se de produtos apresentados em formas farmacêuticas para ingestão oral com o objetivo de suplementar a alimentação com nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos.

De modo geral, a iniciativa regulamenta o segmento para que os suplementos sejam compostos apenas por ingredientes reconhecidamente seguros para consumo e compatíveis com seus objetivos. Para isso, a agência criou listas positivas que contemplam 383 ingredientes fontes de nutrientes, substâncias bioativas ou enzimas, 249 aditivos alimentares e 70 coadjuvantes de tecnologia autorizados na composição dos suplementos.

Fila zerada

No último mês de agosto, a Anvisa anunciou o fim da fila de espera para análise dos pedidos de registro de medicamentos genéricos. Isso aconteceu porque o órgão aumentou a velocidade de avaliação das solicitações e reduziu em 90% o passivo de petições entre abril de 2017 e maio deste ano. No total, 744 pedidos foram analisados no período.

Prejuízo ao setor

A greve dos caminhoneiros que paralisou o País também afetou o setor farmacêutico. Diversas farmácias e drogarias sofreram com o desabastecimento de produtos essenciais. Considerando apenas as grandes redes do País, 6,3 milhões de unidades deixaram de ser entregues diariamente durante o período de greve. Um dos principais problemas foram os medicamentos termolábeis, que precisam ser mantidos refrigerados e necessitam de temperatura estável até o seu destino final.

Momento difícil

A Brasil Pharma, uma das maiores empresas de varejo farmacêutico do País, ajuizou pedido de recuperação judicial depois de não conseguir resolver seus problemas financeiros extrajudicialmente. A rede Farmácia Sant’Ana, controlada pela empresa, foi uma das principais prejudicadas por esse processo de declínio. A rede, que já foi uma das maiores da Bahia, fechou 54 dos 60 estabelecimentos que ainda estavam em funcionamento.

Inauguração da CVS*

No início do segundo semestre, o varejo farmacêutico brasileiro entrou em polvorosa com rumores de que a CVS – há anos dona da rede de farmácias Onofre – finalmente faria uma estreia à altura em território nacional. De fato, no dia 13 de setembro último, a rede americana inaugurou oficialmente a primeira loja no Brasil, localizada na Av. Paulista, 1.257 (esquina com a Rua Pamplona, na capital paulista). O estabelecimento, que antes era uma Drogaria Onofre, foi reinaugurado com o nome Onofre CVS Pharmacy e traz muitos dos atrativos que fizeram a empresa ganhar fama internacional.

A loja foi pensada para oferecer uma experiência de compra diferenciada. Totens interativos estão dispostos de maneira estratégia por toda a loja. Há uma estação dedicada ao diabetes, na qual o consumidor responde a uma série de perguntas para identificar aspectos relevantes do tratamento ou prevenção da doença. Já na área da beleza, os totens permitem uma rápida avaliação para identificar o tipo de pele e dão orientação quanto aos cuidados necessários, problemas mais comuns e dicas de produtos.

Para oferecer um atendimento mais ágil, o picking dos medicamentos para dispensação é feito por um robô que busca o medicamento na prateleira (que não está mais à vista do cliente) e o entrega em uma bandeja para o farmacêutico. A loja segue ainda a tendência de serviços farmacêuticos e conta com a Onofre Clinic, onde os pacientes podem aferir pressão, medir glicose, fazer acompanhamento de doenças crônicas, realizar exame de bioimpedância, entre outros.

Na hora do pagamento, mais inovação. O cliente pode pagar seus produtos em qualquer lugar da loja, junto a atendentes que carregam máquinas de cartão enquanto circulam pelos corredores. Também é possível terminar a compra sem nenhum auxílio, por meio de um self-checkout. “É o templo onde o shopper vai, sem dúvida nenhuma, realizar a melhor experiência de compra da sua vida. A farmácia reúne toda a evolução estratégica de trade markerting com a transformação tecnológica. Une inteligência de mercado e avanços digitais”, define o presidente do Grupo SSP, gerente geral da Enter/Varejo e coordenador do Programa Retail Farma, Paulo Gomes.

Tendências para o varejo farmacêutico*

As 24 redes de farmácias e drogarias movimentaram R$ 22,78 bilhões no primeiro semestre de 2018, um crescimento de 7,54% sobre o mesmo período de 2017. O resultado permanece bem acima da média do varejo brasileiro, cuja alta foi de 3,1%, de acordo com o Boa Vista SPC. Os dados são da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e foram compilados pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP). Embora representem 9,2% do total de 76 mil farmácias no País, as redes associadas à entidade concentram mais de 45% do faturamento do setor.

Os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) foram os principais responsáveis pelo resultado. Com faturamento superior a R$ 3,5 bilhões, essa categoria teve um avanço de 15,42% e representou 16% das vendas totais. Segundo informa o presidente executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, cerca de 60% dos pacientes recorrem a esses medicamentos sob orientação farmacêutica para gerenciar os sintomas do dia a dia. Os consumidores estão se tornando mais proativos em relação ao autocuidado com a saúde.

As farmácias estão entrando em uma nova era, de mudanças rápidas provocadas pela Internet das Coisas (IoT), Aplicativos (apps) etc. O foco deve estar na velocidade e habilidade para mudar como fatores competitivos crucias para a manutenção dos negócios no presente e relevância no futuro. Há uma revolução da conectividade. São 240 milhões de celulares, dos quais 138 milhões são usuários de smartphones. Sistemas inteligentes mudarão o mundo: 71% dos shoppers usarão múltiplos canais de compras. Em 2021, cada pessoas estará conectada a sete devices em média.

Algumas mudanças rápidas para se pensar:

  • Uso de imagens e cor;
  • Sensação de movimento;
  • Sensação de mais interação: a loja fala com o cliente (sem necessariamente utilizar mais gente);
  • Interação com a cidade, a cultura e o meio ambiente;
  • Alinhamento com tendências, bem-estar, vida saudável;
  • Entrega de maior informação ao cliente;
  • Negócio de tijolo que se conecta ao virtual e vice-versa;
  • Investimento em telessaúde;
  • Farmácia como parte do ecossistema de saúde e bem-estar.

Primeiro medicamento brasileiro à base de canabidiol*

A Prati-Donaduzzi será o primeiro laboratório a desenvolver produtos à base de Canabidiol (CDB) no Brasil. O pioineiro, com pesquisa iniciada em 2015, é o Myalo® – medicamento indicado para controle de crises de epilepsia refratária, grau mais crítico da doença, cuja incidência é mais comum em crianças.

O fármaco é fabricado com Canabidiol de elevado grau de pureza, obtido a partir de extrato vegetal purificado derivado da planta Cannabis. O projeto teve investimento inicial de R$ 11 milhões, parte desse valor com aporte da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Uma das principais partes do investimento foi usada na construção do prédio do Centro de Pesquisas em Canabinoides – primeiro centro exclusivo para essa finalidade no mundo, doado pela Prati-Donaduzzi.

* Fonte: www.guiadafarmacia.com.br
** Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/bayer-conclui-a-compra-da-monsanto-por-us-63-bilhoes.ghtml
Foto: Shutterstock

 

 

Como vender mais em 2019

Edição 313 - 2018-12-04 Como vender mais em 2019

Essa matéria faz parte da Edição 313 da Revista Guia da Farmácia.

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