Durante muito tempo, a relação de muitos homens com a farmácia parecia seguir a lógica de um pronto-socorro cotidiano: entrava-se apenas quando havia uma necessidade imediata, uma dor, uma receita médica ou uma compra rápida feita quase no piloto automático.
Hoje, esse roteiro começa a mudar. A farmácia passa a funcionar também como uma vitrine de autocuidado, onde saúde, estética, prevenção, conveniência e bem-estar se encontram no mesmo corredor. E nesse novo cenário, o consumidor masculino deixou de ser coadjuvante.
A transformação acompanha mudanças culturais. O homem que antes restringia sua rotina ao desodorante, ao perfume e ao aparelho de barbear, agora olha para prateleiras de skincare; cuidados capilares; barba; suplementos; vitaminas; performance esportiva; e sexual wellness com mais naturalidade.
“A farmácia deixou de ser apenas um local de compra emergencial e passou a ser também um espaço de cuidado pessoal, conveniência e saúde, bem-estar e longevidade”, afirma a fundadora e CEO da Connect Shopper, Fátima Merlin.
No Dia Nacional do Homem, celebrado em 15 de julho, veja as necessidades e como atender bem esse público na farmácia.
DO BÁSICO AO ESPECIALIZADO
O crescimento do autocuidado masculino acompanha uma tendência de sofisticação da demanda. O consumidor não procura apenas um produto genérico: ele quer itens pensados para sua pele, seu cabelo, sua barba, sua rotina e seus objetivos.
“Nos últimos anos, o homem passou a ser um grande alvo de consumo e vem recebendo atenção especial, principalmente com lançamento de linhas especiais para cuidados da pele, do cabelo e da barba”, detalha a mentoring empresarial, palestrante e consultora de empresas, Silvia Osso.
“Como o uso de barba e bigode passou a ser símbolo de beleza, vimos o número de linhas específicas para essas áreas crescer e trazer inovações, como óleo para barba, cera para bigode, ingredientes e fragrâncias diferenciadas”, acrescenta.
EXPERIÊNCIA OBJETIVA
Para o consumidor masculino, a experiência de compra precisa ser objetiva. Quanto mais organizada estiver a gôndola, maior a chance de o cliente encontrar o que precisa e descobrir o que ainda não sabia que precisava.
As categorias com maior destaque acompanham essa busca por conveniência e benefício perceptível. Entre os segmentos citados por Fátima estão skincare masculino; cuidados com barba; vitaminas e suplementos; performance esportiva; sexual wellness; cuidados capilares; e produtos voltados à praticidade e ao bem-estar.
Silvia também aponta os cuidados com barba, cabelo e pele como subgrupos de maior destaque, mas reforça que o potencial não se limita a uma única frente. “Os homens têm se mostrado excelentes consumidores. Basta que sejam orientados sobre benefícios e forma de uso”, recomenda.
A FORÇA DO PONTO DE VENDA
Embora o ambiente digital tenha papel importante na descoberta, a loja física continua sendo decisiva para confirmar escolhas, esclarecer dúvidas e estimular compras. O ponto de venda (PDV) funciona como uma espécie de filtro de confiança: é ali que o interesse se transforma em compra.
“Estão abertos às orientações e sugestões; daí a necessidade de profissionais capacitados no atendimento. Geralmente, veem nas mídias as informações, mas se certificam em PDVs físicos”, explica Silvia.
A exposição também exerce papel relevante. Produtos espalhados em diferentes áreas podem dificultar a jornada, especialmente para quem deseja resolver a compra com rapidez. Quando itens masculinos estão organizados em uma categoria clara, com seções bem-definidas, a farmácia reduz atrito e aumenta a possibilidade de venda complementar.
“Os homens têm preguiça ou dificuldade de encontrar os produtos em vários lugares, portanto, o fato de ter uma categoria de masculinos com todos os artigos juntos permite que façam compras com mais conforto, agilidade e facilidade”, sugere Silvia.
Ela recomenda que a farmácia tenha uma categoria denominada Homem ou Masculino, reunindo desodorantes; artigos para barba; produtos para os pés; acessórios; preservativos; lubrificantes; sabonetes líquidos masculinos; produtos para banho; tinturas; xampus; condicionadores; anticaspa; perfumes; fragrâncias; géis e cremes para pentear. A orientação é agrupar os itens em uma única gôndola, mas separados por seções, para facilitar a navegação.
ATENDIMENTO QUE ORIENTA
O crescimento do consumo masculino dentro da farmácia não depende apenas de sortimento. A equipe precisa estar preparada para orientar sem constranger, acolher dúvidas e identificar oportunidades de venda responsável.
Para Silvia, um dos erros mais comuns ainda está justamente na falta de preparo das equipes e na exposição pouco atraente. “Falta capacitação de profissionais para fazer o atendimento. Não existem funcionários treinados para atender e explicar e nem arrumação atraente”, alerta.
A farmácia que deseja atender melhor esse público precisa começar por três pilares: categoria, comunicação e conveniência. A categoria deve ter lógica clara, reunindo itens de uso masculino e facilitando compras combinadas. A comunicação precisa falar sobre benefícios concretos, com linguagem direta e sem estereótipos. A conveniência deve aparecer tanto na exposição quanto no atendimento.
Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Shutterstock