
É impossível não ficar encantado ao observar aquela cena de uma mãe amamentando seu bebê. Muito mais do que nutrir, o aleitamento materno é um ato de amor, conexão e gratidão. Embora muitas pessoas acreditem que a amamentação é algo natural e instintivo, para a mãe que acabou de dar à luz é um momento repleto de desafios, dores, lágrimas e culpa.
A insegurança e o medo de não conseguir oferecer o melhor alimento do mundo ao filho associado aos olhares de reprovação, julgamentos e às terríveis fake news são motivos suficientes para muitas mães desistirem, lamenta a ginecologista e obstetra especializada em Reprodução Humana, Dra. Karen Rocha De Pauw.
“Pode até parecer fácil, mas a amamentação exige muito aprendizado do bebê e da mamãe. Além disso, as mulheres têm de lidar com uma sociedade que as obriga a oferecer o leite materno independentemente de qualquer situação.”
Portanto, o primeiro passo para driblar os obstáculos que possam aparecer nos primeiros dias após o nascimento do bebê é buscar informação de qualidade e atualizada durante a gestação, orienta a fisioterapeuta e consultora de amamentação que idealizou o curso on-line intitulado Amamentação Sem Mistérios e Sem Dor, Virginia Ferreira.
“O item mais importante do enxoval é a informação. Mas, infelizmente, a preocupação maior é sempre com o parto. Embora amamentar seja um aprendizado constante, é fundamental ter em mente que as dificuldades existem e podem ser contornadas.”
Solucionando problemas na hora da amamentação
Embora os obstáculos sejam muitos, é possível superá-los e oferecer o melhor alimento ao bebê: leite materno!
1. Dor na amamentação não é normal
Apesar de ser muito comum, a dor não pode ser considerada normal. Se acontecer, é sinal de que há algo errado e precisa ser ajustado. Pode ser devido a, entre outras coisas, traumas mamilares, freio lingual curto, ingurgitamento mamário, mastite, fenômeno de Raynaud ou até candidíase mamária.
Como resolver o problema?
Procurar ajuda especializada, como uma consultora de amamentação, que vai identificar a causa do problema e fazer os ajustes necessários. No caso da mastite, é importante procurar o médico o mais rápido possível.
2. Pouco leite
A baixa produção de leite pode acontecer devido à mamada inefetiva do bebê por técnica incorreta ou mesmo pouco estímulo, visto que a produção de leite depende da frequência e do grau de esvaziamento das mamas. Por outro lado, também pode ser devido a uma hipoplasia mamária (subdesenvolvimento mamário ou glandular).
A baixa produção também pode vir relacionada à incerteza do “leite fraco”, o que não existe. O leite materno é e sempre será o melhor alimento, especialmente quando a mãe tem uma alimentação variada e boa ingestão de líquidos. Para saber, de fato, se a produção de leite é suficiente, o bebê precisa apresentar sinais de saciedade e de desenvolvimento.
Como resolver o problema?
Muitas vezes, tudo se resolve com a pega e posição corretas. Dependendo da causa do problema, é possível recorrer ao power pumping (protocolos de estímulo à produção de leite) e, em alguns casos, são necessários o uso de galactogogos naturais ou farmacológicos.
3. Bico invertido
Há diferentes tipos de mamilos e cada um faz parte da anatomia e constituição da mulher. Portanto, é preciso adaptar a pega do bebê ao tipo de mamilo da mãe. A boa notícia é que nenhum formato impossibilita a amamentação.
Como resolver o problema?
A mulher precisa se empoderar e não aceitar a teoria popular de que mamilo invertido impede o aleitamento materno. Mais importante do que o formato, é a maciez e flexibilidade da aréola e mamilo. A amamentação é capaz de fazer com que o mamilo se alongue e a sucção do bebê faz com que o mamilo se estique e expanda.
4. Falta de informação e preparo da mãe
Na cultura brasileira, ainda há a crença de que a amamentação é instintiva e totalmente intuitiva. Por isso, as mulheres acabam se preocupando mais em se preparar para o parto do que estudar a amamentação. Embora seja um momento de aprendizado entre mãe e filho, o despreparo pode desencadear culpa, frustração e, como consequência, desistência.
Como resolver o problema?
Preparar-se durante a gravidez e isto significa buscar informação de qualidade e atualizada. Hoje em dia, é possível fazer cursos de preparação ou consultar especialistas no assunto antes mesmo de o bebê nascer.
Atualmente, as evidências científicas demonstram que não há necessidade de preparar as mamas para amamentar. É preciso estar segura, relaxada e consciente de que o aleitamento materno é um ato de amor e exige muita paciência e dedicação!
Fonte: fisioterapeuta e consultora de amamentação que idealizou o curso on-line intitulado Amamentação Sem Mistérios e Sem Dor, Virginia Ferreira
Atualmente, as evidências científicas já demonstram que não há necessidade de preparar as mamas para a amamentação, porque “isso já vem de fábrica”, brinca Virginia. “A preparação é com informação de qualidade. Hoje, já existem cursos e profissionais especializados no assunto.”
Além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho, amamentar ajuda a eliminar os quilos extras que a mulher ganhou durante a gestação e ainda previne o desenvolvimento do câncer de mama, enfatiza a obstetra.
“Como o sistema imunológico do bebê ainda é imaturo, o leite materno fortalece a imunidade, reduz o risco de doenças alérgicas, minimiza a chance de cólicas, entre muitos outros benefícios.”
Sem culpa ou medos
Amamentar tem que ser prazeroso para a mãe e o bebê e jamais uma imposição da família, do médico ou da sociedade. Algumas mulheres têm muita sensibilidade nas mamas, não lidam bem com a dor, sentem cócegas ou até arrepios. Tudo isso torna o momento desagradável e elimina o prazer da amamentação, enumera a Dra. Karen.
“Isso não significa que essa mãe é melhor ou pior que as outras. Nestes casos, é possível extrair o leite e oferecer à criança até que todas as dificuldades sejam resolvidas.”
A consultora de amamentação Virginia acrescenta que outros obstáculos costumam aparecer no meio do caminho e, muitas vezes, associados ao cansaço e à informação incorreta, são suficientes para muitas mulheres desistirem.
“A dor é muito comum, mas não pode ser considerada normal. A boa notícia é que existe solução quando identificamos a causa. Entre as principais estão pega ou posição incorretas, traumas mamilares, ingurgitamento mamário e mastite.”
Para o sucesso do aleitamento materno, é fundamental que mãe e bebês estejam confortáveis durante o processo. Portanto, Virginia orienta escolher um ambiente calmo, com música e cheiro agradável para tornar essa experiência sempre melhor.
“Manter-se numa posição desconfortável por um período prolongado de tempo pode levar à dor nas costas, no ombro e no pescoço. Além disso, a constante movimentação da mãe pode atrapalhar a amamentação, resultando em irritabilidade e dificuldades de fazer a pega e mamar.”
Segundo a consultora, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam o aleitamento materno até os dois anos ou mais, sendo exclusivo até os primeiros seis meses de vida.
“Contudo, essa é apenas uma recomendação e não existe um limite de idade. A escolha é da mãe e do bebê e não devemos interferir nessa relação natural.”
Fonte: Guia da Farmácia
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