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Dislipidemia: Um perigo acima do peso

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Quase seis em cada dez brasileiros (57,25%) estão com sobrepeso ou obesos, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde (MS). “Este acúmulo de gordura no organismo aumenta o risco de doenças, como o aumento do colesterol. Desta forma, a preocupação com o excesso de peso vai além da questão estética. É um problema de saúde pública, já que é um fator de risco para uma série de doenças e distúrbios metabólicos”, alerta a cardiologista do Grupo Fleury, Dra. Paola Smanio.

Um cenário desafiador e que gera muita preocupação, já que o colesterol alto atinge de quatro em cada dez brasileiros, e que pode levar a complicações cardiovasculares mais graves, de acordo com o MS. Por isso, o colesterol é uma palavra que causa calafrios em quem batalha para mantê-lo sob controle, dentro das taxas consideradas normais. Mas por outro lado, é bem verdade que este lipídio é um tipo de gordura encontrada no organismo e que tem grande importância para o seu funcionamento normal.

“É uma substância cerosa encontrada no sangue, utilizada para construir também células saudáveis”, resume a médica nutróloga do Departamento de Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein, Dra. Andrea Pereira.

O colesterol é uma espécie de ingrediente natural das membras celulares e está presente em todo corpo: na pele; no cérebro; nos intestinos; nos músculos; no fígado; nos nervos; e, principalmente, no coração.

“O organismo utiliza o colesterol para produzir alguns hormônios”, explica a Dra. Paola. Entre eles, estão os ácidos biliares que curiosamente ajudam na digestão das gorduras, a vitamina D, a testosterona, o estrógeno e o cortisol. “Cerca 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo, no fígado, enquanto os outros 30% são provenientes da alimentação”, acrescenta a médica.

Segundo a endocrinologista da Rede de Hospitais São Camilo, Dra. Cristiane Lauretti Funaro, o colesterol circula no sangue e, à medida que os seus níveis aumentam, eleva-se também o risco para a saúde.

“Estar acima do peso ou obeso pode aumentar as chances de triglicerídeos e colesterol altos devido ao tecido adiposo aumentado no corpo, o que significa que quantidades maiores de ácidos graxos livres (um tipo de gordura que circula no sangue) são entregues ao fígado”, exemplifica.

Obesidade x colesterol

A obesidade é uma doença crônica, que se caracteriza principalmente pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. “O número de pessoas obesas tem crescido rapidamente, tornando a doença um problema de saúde pública. A principal causa de obesidade é a alimentação inadequada ou excessiva. Para manter o peso ideal, é preciso que haja um equilíbrio entre a quantidade de calorias ingeridas e a energia gasta ao longo do dia.

Quando há abundância de alimentos e baixa atividade energética, existe o acúmulo de gordura. Por isso, o sedentarismo é o segundo fator importante que contribui para a obesidade e, consequentemente, um ambiente propício para o aumento do colesterol, que é uma das causas das doenças cardiovasculares”, reforça a Dra. Paola.

As doenças cardiovasculares são as principais responsáveis pelos óbitos registrados anualmente no Brasil. “O desenvolvimento dessas doenças cardiovasculares está associado a diversos fatores de risco, tais como: obesidade; aumento do colesterol; pressão alta; diabetes; e tabagismo, os quais podem ser controlados com alimentação saudável e prática de atividades físicas. Além desses fatores, a hereditariedade pode determinar um colesterol alto mesmo em pessoas que tenham hábitos saudáveis, por isso, além da prática de atividade física e da alimentação equilibrada, é importante verificar regularmente as taxas de gordura no sangue e, se necessário, utilizar medicamentos sob prescrição e acompanhamento médico”, destaca a cardiologista do Grupo Fleury.

Colesterol bom x colesterol ruim

O colesterol bom, chamado HDL, é uma lipoproteína de alta densidade. “Ele ajuda a retirar a gordura dos vasos sanguíneos, protegendo-nos contra eventos cardiovasculares”, esclarece a médica do Hospital Israelita Albert Einstein.

Já o colesterol ruim, o LDL, é uma lipoproteína de baixa densidade. “Ele pode aderir nas paredes dos vasos sanguíneos provocando obstruções, levando a derrames e infartos em diversos órgãos”, acrescenta a especialista.

Considerando a Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, de 2017, a orientação é de que há os seguintes valores como ideais para pacientes em jejum no exame de sague:

• Colesterol total: <190 mg/dL.
• HDL: >40 mg/dL.
• LDL: <130 mg/dL.

De acordo com o cardiologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, Dr. Nilton Carneiro, além da composição do colesterol e quantidade e conformação de lipoproteínas, o que diferencia se ele é ruim do bom é se ele está relacionado ao aumento de chance de doenças.

“O nível ideal de colesterol para determinado indivíduo também depende de seus fatores de risco. De forma geral, podemos tolerar valores para um jovem sem outras doenças que não seriam adequados para indivíduos com mais comorbidades, como tabagismo, idade avançada, níveis baixos do colesterol bom e presença de parentes próximos com doença cardiovascular precoce”, completa.

Para a Dra. Cristiane, se houver uma condição como doença cardíaca ou diabetes, será recomendado uma meta de LDL de 70 mg/dL ou menos. “Para o HDL, recomenda-se nível superior a 40mg/dL para homens e 50mg/dL para mulheres”, exemplifica.

Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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