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Doenças acometem crianças que voltam às aulas

O reencontro com os amigos no início do ano letivo é motivo de muita felicidade para as crianças, mas também pode ser a porta de entrada para algumas doenças. Pais devem ser bem orientados para o período

Se por um lado o fim das férias pode ser triste, também é um momento de celebração para as crianças, já que elas retomarão o contato com seus amigos na escola. Junto com as novidades do novo ano letivo, uma preocupação pode acometer os pais: as doenças que se tornam mais comuns quando as aulas voltam.

De problemas respiratórios a piolhos, as intercorrências normalmente acontecem porque a aglomeração de crianças faz com que elas acabem transmitindo doenças entre si. Mas algumas atitudes podem ajudar a prevenir ou diminuir a incidência dos problemas em ambiente escolar.

Para que isso aconteça, o primeiro passo é estar bem informado para poder orientar corretamente os responsáveis que vão à farmácia procurar soluções para a saúde de seus pequenos.

Doenças respiratórias

Os problemas respiratórios contagiosos são os mais comuns após o retorno das crianças às aulas. Entre os principais estão: otites, bronquiolite, crise asmática, resfriado comum, gripe, amigdalite, entre outros.

“As amigdalites ocorrem pela transmissão de uma bactéria. As crianças infectadas acabam transmitindo-a para outras, até porque crianças têm um contato maior, ficam muito mais próximas umas das outras”, explica a pediatra da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dra. Wylma Hassaka.

Já as otites estão relacionadas à incidência das infecções respiratórias, que acontecem com maior frequência porque o retorno das aulas ocorre, normalmente, em fevereiro ou março, e logo depois se inicia o outono, quando há maior incidência de infecções respiratórias altas.

Primeiros socorros

Quem tem ou cuida de crianças deve ter sempre uma caixinha com alguns produtos para ajudá-las no caso de um pequeno ferimento. Não podem faltar:

  • Gaze;
  • Esparadrapo Micropore;
  • Pomada antibiótica;
  • Curativo pronto adesivo;
  • Faixa de crepe;
  • Sabão;
  • Solução antisséptica;
  • Algodão.

Fontes: pediatra da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, Dra. Vivian Pereira; e pediatra da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dra. Wylma Hassaka

Como as gripes e os resfriados causam quadros de rinite ou outras alergias, acaba acontecendo uma produção maior de secreção e, como a criança não sabe assoar o nariz como um adulto, a drenagem dessa secreção pode ser um problema, causando otites ou sinusites.

De acordo com a pediatra da Rede São Camilo, de São Paulo, Dra. Vivian Pereira, as doenças respiratórias geralmente iniciam o quadro com um resfriado comum, com tosse, coriza e febre. A febre dura até 72h, na maioria das vezes.

“Existem dois momentos para pensar que o resfriado pode ter evoluído para uma infecção bacteriana secundária: se a febre durar mais de 72h após o início dos sintomas de resfriado ou se a criança só apresentar febre dois ou três dias após o início dos sintomas. Neste momento, ela precisa ser avaliada pelo pediatra”, alerta ela.

Já a bronquiolite é a primeira crise de chiado em menores de dois anos de idade. Normalmente, inicia-se com tosse, coriza, com ou sem febre, e entre o terceiro e o quinto dias de tosse a criança apresenta dificuldade para respirar e chiado no peito.

Por fim, as crises asmáticas são desencadeadas por vírus ou por alérgenos respiratórios, como ácaros e fungos. Na escola, os vilões costumam ser os vírus, pois são transmitidos através das gotículas de saliva de pessoa para pessoa. A criança apresenta tosse e falta de ar e pode ter ou não febre.

Para tratar do resfriado comum, os pais podem dar antitérmicos, além de fazer inalação e lavagem nasal com soro fisiológico. “Nos casos de otite média aguda, é necessário o uso de antibiótico, na maioria das vezes. Portanto a criança precisa de avaliação médica. Os pacientes com bronquiolite e crise asmática precisam de avaliação médica também, para introduzir o melhor medicamento para cada fase da doença”, considera a Dra. Vivian.

A prevenção pode ser feita por meio da vacinação contra a gripe, além de ser importante que os responsáveis ensinem a criança a assoar o nariz e a fazer a higienização correta.

Piolhos

Um dos grandes vilões das crianças são, sem dúvida, os piolhos. Responsáveis por uma coceira quase insuportável na cabeça dos pequenos, sua incidência é muito maior onde há pessoas aglomeradas, por ser um parasita extremamente transmissível. Além disso, apesar de acontecer durante todo o ano, o problema aumenta no verão, pois os parasitas se proliferam melhor em ambiente quente.

Segundo a Dra. Vivian, a transmissão ocorre por meio do contato direto entre as cabeças das crianças e através da roupa contaminada. O principal sintoma é a coceira, principalmente atrás das orelhas e na nuca.

“Durante as férias, algumas crianças acabam voltando infectadas, passando o parasita de uma para outra. O tratamento é feito com xampu e pente, que deve ser realmente fino, de aço (não de plástico), que faz a remoção mecânica das lêndeas e dos piolhos adultos”, comenta a pediatra da BP.

A prevenção do problema acontece de maneira consideravelmente simples. É preciso que as crianças estejam sempre com a higiene do couro cabeludo em dia e aquelas que possuem cabelo comprido ou muito volumoso devem usá-lo preso na escola para diminuir o contato. Os pais podem, também, fazer uso do pente fino frequentemente para sempre saber que a cabeça está “limpa”.

Machucados e arranhões

As crianças costumam ser muito ativas, sendo comuns as quedas e os arranhões. Elas podem apresentar desde ralados e escoriações superficiais até cortes, normalmente na região das canelas, joelhos e braços. Para cuidar desses pequenos incômodos, o principal é a higienização.

A Dra. Wylma ensina que a recomendação é lavar o machucado com água e sabão e, se indicado, usar uma solução antisséptica. Quando há sangramento no ferimento, o ideal é fazer um curativo com gaze ou usar um curativo pronto.

É preciso um cuidado maior e atenção médica em casos onde o sangramento de um corte não estanca ou quando o ferimento não melhora. Além disso, tem de haver um cuidado especial no caso de traumatismo craniano por queda. “Quando essa queda se associa a vômitos ou perda de consciência, é preciso procurar um médico. O mesmo quando existe um trauma de velocidade, que machuca mais do que quando a pessoa está parada”, alerta a pediatra.

Contra os piolhos

Os pais que estão sofrendo devem ser orientados de duas maneiras para acabar com os piolhos:

USO DE XAMPU

Os xampus contra piolhos são formulados com permetrina e são tóxicos para os parasitas, matando os piolhos. Porém eles não conseguem agir contra as lêndeas, só contra os parasitas já “adultos”.

RETIRADA MECÂNICA

Com o uso de um pente fino de aço é possível retirar as lêndeas e os piolhos dos cabelos. O uso do pente deve ser feito frequentemente não somente para acabar com o problema, mas para evitá-lo.

Fontes: pediatra da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, Dra. Vivian Pereira; e pediatra da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dra. Wylma Hassaka

Em resumo, de acordo com a Dra. Vivian, os machucados devem ser remediados da seguinte maneira:

  • Em ferimentos leves: fazer limpeza com água e sabão e ter a vacina antitetânica em dia para evitar complicações.
  • Em ferimentos mais profundos: pressionar com um pano limpo e procurar um pronto-socorro mais próximo.

Em caso de ferimentos com objetos como prego ou faca, estes não devem ser retirados, o que só deve ser feito no hospital. Deve-se seguir essa recomendação para evitar que um vaso sanguíneo se rompa e cause uma hemorragia interna, já que muitas vezes o objeto está evitando um sangramento dentro do corpo.

Foto: Shutterstock

Expectativas para 2019

Edição 314 - 2019-01-09 Expectativas para 2019

Essa matéria faz parte da Edição 314 da Revista Guia da Farmácia.

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