
O isolamento social trouxe uma carga de grandes desafios. Desde o isolamento propriamente dito, à adaptação ao home office, ao acúmulo de tarefas, à mudança de rotina e até os filhos em casa provocaram estresse que atingiram milhões de pessoas pelo mundo.
A psicóloga e membro da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), Suely Sales Guimarães, conta que desde o início da pandemia, pesquisas realizadas em diferentes países apontam que o índice de estresse entre mulheres é consistentemente mais alto do que o encontrado entre homens.
“Na busca pela preservação da própria saúde e da vida, as pessoas perdem múltiplas atividades ou situações associadas à qualidade de vida. Nesse contexto, a mulher tem maior demanda pelas atividades domésticas e cuidados com filhos pequenos, familiares idosos e pessoas doentes em casa, que são tarefas tradicionalmente a elas atribuídas”, comenta Suely.
Ela destaca que a literatura internacional também aponta aumento nos níveis de violência doméstica, em termos físicos, sexuais, emocionais e financeiros.
“As principais vítimas desses crimes são tradicionalmente as mulheres e, nesse momento de isolamento social, elas convivem todo o tempo, ou a maior parte dele, com o agressor que também, na maioria das vezes, é seu parceiro ou um familiar”, alerta.
Ação dos fitoterápicos nos quadros de estresse e insônia
Passiflora incarnata
Atua na insônia e na hiperexcitabilidade nervosa induzindo ao sono próximo do fisiológico. Normalmente, medicamentos contendo Passiflora incarnata são indicados para tratar estados de irritabilidade, agitação nervosa, tratamento de insônia e desordens da ansiedade. Saliente-se que eles não devem ser usados com medicamentos sedativos e depressores do Sistema Nervoso Central (SNC).
Acredita-se que os flavonoides presentes na espécie vegetal sejam os principais responsáveis pelas atividades farmacológicas. Estes constituintes, em sinergismo com os alcaloides também presentes no vegetal, promovem ações depressoras inespecíficas do SNC, contribuindo assim para a ação sedativa e tranquilizante.
Os estudos clínicos dão base para sua utilização para tratamento de sintomas de ansiedade e tratamento de insônia relacionada a sintomas de ansiedade, tratamento de abstinência, além das propriedades para amenizar os efeitos da menopausa.
Valeriana officinalis
Atua com os receptores de serotonina e de melatonina, relacionados ao sono, à cognição e à modulação do ciclo circadiano (esse mecanismo regula diversas atividades, como sono, hora da alimentação, metabolismo energético, funções imune e endócrina). Tem efeito ansiolítico, moderador do humor, relaxante muscular, antiespasmódico e facilitador do sono.
Melissa officinalis
É usada há muito tempo como calmante natural e suas propriedades estão relacionadas à diminuição da agitação e insônia.
Hypericum perforatum (erva-de-são-joão)
Indicado no tratamento dos estados depressivos leves a moderados. Pacientes sofrendo de depressão particularmente apresentam distúrbios somáticos e sintomas como: problemas de sono, exaustão, fadiga, dores musculares e cefaleia.
Fonte: farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti
O fato é que a pandemia multiplicou os quadros estabelecidos já conhecidos, como: estresse, ansiedade e angústia. “Nunca na história houve tantas alterações negativas como agora, em função da pandemia do novo Coronavírus. Todas as ‘saúdes’ foram alteradas: a saúde emocional, a econômica, a conjugal, a social e todas as que envolvem a dinâmica do ser humano”, comenta o psicólogo Alexandre Bez.
Sono prejudicado
Com a pandemia, os problemas de sono também têm aumentado muito. De acordo com Suely, o sono pode ser prejudicado devido às variações em horários para dormir e levantar.
“A rotina de sono deve ser preservada em qualquer situação para evitar comprometer o ritmo circadiano. O sistema nervoso de cada pessoa tem um ritmo de horário para dormir, acordar e número de horas dormidas que deve ser respeitado”, diz. A quebra desse ritmo pode comprometer a qualidade de sono e trazer diferentes consequências, como distração, fadiga, ansiedade.
A insônia é, segundo Bez, uma das primeiras representações noturnas de ansiedade. “A instituição familiar também é afetada porque os membros integrantes da relação perderam o espaço físico diário, causando, assim, atritos na relação. O marasmo conjugal foi aumentado consideravelmente, tanto que já se observa um aumento de brigas e divórcios entre casais”, comenta.
Como se cuidar
O primeiro passo, segundo Suely, é buscar o diálogo e demonstrar compreensão pelo momento em que o outro familiar está vivendo. “Para mulheres sobrecarregadas, é importante conversar com as pessoas da casa para dividir tarefas. Aquelas que não contam com outro adulto em casa e têm filhos pequenos, o trabalho doméstico deve ser realizado como possível, priorizando os cuidados com as crianças e o descanso pessoal tanto quanto possível”, orienta.
Ela ainda recomenda falar com amigos e familiares por telefone, internet e redes sociais como forma adequada para manter o contato e trocar ideias sobre as experiências e soluções adotadas.
“Outras opções incluem livros, filmes, conversas com quem reside na casa, meditação, relaxamento, bordados, costura, jardinagem e qualquer atividade prazerosa possível de ser feita em casa, mesmo que o chão não tenha sido varrido nesse dia. A saúde física e mental acima de tudo”, finaliza.
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