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Farmacêuticos: profissionais em evolução

O presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, mostra como os farmacêuticos têm se desenvolvido e ganhado cada vez mais importância no mercado

“A profissão farmacêutica se desenvolveu e cresceu muito. É uma das dez profissões com as maiores taxas de ocupação do Brasil.” Foi com essa constatação que começou este rico bate-papo com o atual presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João.

Convidado justamente para falar sobre o futuro desta profissão no mês em se celebra o Dia do Farmacêutico, João mostra que é não é por acaso que representa a maior entidade do setor no País.

Farmacêutico graduado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), ele é mestre em Ciência dos Alimentos e Nutrição pelo Instituto de Nutrición de Centro America y Panamá (INCAP), na Guatemala. Foi, inclusive, professor, por 23 anos, na universidade em que se graduou.

Atualmente, João também é membro titular da Academia Nacional de Farmácia e presidente da Federação Pan-Americana de Farmácia (Fepafar).

Sob a sua administração, o executivo liderou a aprovação de importantes resoluções para a classe farmacêutica. Entre elas, as que regulamentam as atribuições clínicas do farmacêutico, a prescrição farmacêutica, a atuação do farmacêutico na floralterapia, na estética e na perfusão sanguínea.

Acompanhe, nesta entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, qual a sua visão sobre o farmacêutico do futuro e tendências nesta carreira.

Guia da Farmácia • No mês de janeiro, celebra-se o Dia do Farmacêutico. Como o senhor avalia a evolução dessa profissão ao longo dos últimos anos?

Walter Jorge João • A profissão farmacêutica se desenvolveu e cresceu muito. É uma das dez profissões com as maiores taxas de ocupação do Brasil. Em 2018, figurou como a terceira com o maior número de contratações formais no mercado de trabalho. Esse dado reflete o intenso movimento clínico, liderado pelo CFF, que segue em franca expansão no Brasil.

A evolução é tamanha que a profissão conta atualmente com dez áreas de atuação que englobam a produção industrial e análise de alimentos; as análises clínico-laboratoriais; a educação; a farmácia; a farmácia hospitalar e clínica; a indústria de medicamentos; a gestão; as práticas integrativas e complementares; a saúde pública; e a toxicologia; áreas que abarcam mais de 130 especialidades profissionais regulamentadas por meio de resoluções do CFF.

Guia • No varejo farmacêutico especificamente, de que forma esses profissionais têm crescido em importância diante do advento da farmácia clínica?

João • Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), já são 2,9 mil farmácias com salas e consultórios em operação e mais de oito mil farmacêuticos focados neste atendimento. Esse modelo também se apresenta como alternativa para os estabelecimentos independentes.

A atuação clínica do farmacêutico nas farmácias também tem reflexos positivos para a saúde pública, uma vez que contribui para a obtenção dos melhores resultados no tratamento farmacoterapêutico, diminuindo, com isso, os riscos relacionados ao uso inadequado do medicamento. Certamente, a farmácia clínica é uma tendência mundial e, no Brasil, também veio para resolver uma grande demanda de saúde da população, principalmente no que se refere à atenção básica.

Guia • Como as farmácias com serviços têm ajudado tanto a população como o sistema público de saúde?

João • O farmacêutico sempre esteve presente nas farmácias, atuando na dispensação e oferecendo à população informações sobre o uso seguro e racional de medicamentos.

Mais recentemente, por força de resoluções do CFF que regulamentaram as atribuições clínicas e a prescrição farmacêutica (respectivamente Resolução/ CFF 585/ 13 e Resolução/ CFF 586/13), o papel desse profissional dentro das farmácias públicas e privadas foi ampliado.

Ele agora está respaldado a acolher o paciente que chega com uma demanda espontânea, uma queixa sobre um determinado sinal e/ ou sintoma, podendo prescrever um Medicamento Isento de Prescrição (MIP) ou até uma terapia não farmacológica, aliviando os sintomas.

Certamente, a farmácia clínica é um grande avanço na área da saúde e pode contribuir muito para a diminuição dos problemas de saúde da população.

Guia • Como o senhor avalia a qualidade dos cursos de Farmácia pelo País?

João • As novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) priorizam o Cuidado e a Tecnologia e Inovação em Saúde. Esses eixos abarcam, respectivamente, 50% e 40% das quatro mil horas distribuídas em cinco anos de integralização. O restante é destinado aos conhecimentos de Gestão em Saúde (10%). As novas DCNs também valorizam a prática, com estágios que se iniciam, no máximo, até o 3º semestre.

As novas DCNs do Curso de Graduação em Farmácia reforçam a posição do CFF contra o Ensino a Distância (EAD) na saúde. Não por acaso, em fevereiro de 2019, o CFF passou a integrar o rol de conselhos profissionais que proibiram o registro de diplomas de egressos de cursos EAD. O CFF defende a formação por meio do ensino presencial como requisito fundamental para a qualidade da assistência à saúde.

Guia • Além da farmácia clínica, que novos campos surgem para quem atua na área?

João • Na área industrial, a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos biológicos, terapia genéticas e celulares se mostram como área também muito promissora para a qual será necessário grande número de farmacêuticos especializados.

Guia • Quais as principais atribuições que o senhor vê como fundamentais para o farmacêutico no futuro?

João • Sem dúvida, um profissional humanizado terá destaque no mercado de trabalho em quaisquer das dez grandes áreas ou 130 especialidades farmacêuticas. Por isso, por meio de novas regulamentações e legislações, o Conselho tem procurado garantir, ao farmacêutico, o respaldo que ele necessita para diversificar sua atuação.

Uma iniciativa pioneira, e que está acontecendo em vários estados brasileiros com bastante sucesso, é o projeto Cuidado Farmacêutico, voltado à capacitação para a implantação de serviços, que abrange dois cursos, um deles destinado aos farmacêuticos do Sistema Único de Saúde (SUS) e o outro, para farmacêuticos de farmácias comunitárias privadas.

Guia • Quais são as metas do CFF para 2020?

João • Um desafio é fazer com que o farmacêutico seja capaz de se empoderar desse novo perfil profissional. Que ele se conscientize de que as ferramentas estão postas e a sua valorização também está em suas mãos, não podendo ser uma luta exclusiva das entidades.

Guia • Qual a mensagem que o senhor deixa para os próximos formandos em Farmácia pelo Brasil?

João • Sejam muito bem-vindos a essa linda profissão que escolheram e que faz muita diferença na vida das pessoas. Pois, se há uma profissão que apresenta, sistematicamente, um grande movimento, é a de farmacêutico.

Nos últimos anos, nós conseguimos, depois de muita luta, ter o reconhecimento da sociedade e das autoridades públicas. Lutamos muito, todos juntos, para que essas autoridades voltassem seu olhar para a nossa profissão e que passassem a entender, claramente, toda a contribuição que nós temos a dar para a saúde deste País. Por isso, desejo que todos vocês abracem essa missão com garra e sabedoria para contribuir de forma efetiva com a saúde da população brasileira.

Farmacêuticos 4.0

Edição 326 - 2020-01-01 Farmacêuticos 4.0

Essa matéria faz parte da Edição 326 da Revista Guia da Farmácia.