Sintomas da menopausa

Um dos maiores problemas enfrentados pelas mulheres, é o ressecamento vaginal

 

Ela não tem data exata para chegar, mas a partir dos 45 até os 55 anos idade, é esperada. É essa a faixa etária para que as mulheres encerrem seu ciclo fértil e entrem em uma nova fase, a menopausa. Marcada pelo fim da menstruação e consequentemente da atividade ovariana, a menopausa traz consigo uma série de transformações. 

São mudanças que podem afetar também o lado emocional, uma vez que mexem, literalmente, com o funcionamento de um organismo tão complexo e ao mesmo tempo tão delicado. 

De acordo com estimativas do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), em 2007, a população feminina brasileira totalizava mais de 98 milhões de indivíduos. Nesse universo, cerca de 30 milhões tinham entre 40 e 65 anos de idade, o que significa que 32% delas estavam na faixa etária em que ocorre o climatério. 

“Atualizando esses dados para 2016, considerando que as proporções foram mantidas, temos mais de 34 milhões de mulheres nessa faixa”, diz o ginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Sérgio Podgaec. 

Na menopausa, os ovários param de produzir o hormônio estrogênio, completa ou quase que completamente, e esta alteração tem como consequência problemas, como o ressecamento vaginal, isto porque o estrogênio é o grande responsável pela manutenção das várias camadas de células da mucosa vaginal, produtoras da boa lubrificação da região.

Além disso, a mulher pode apresentar queda na libido e fogachos ou calorões. “A vaginite atrófica, ou ressecamento vaginal, pós-menopausa acomete 40% das mulheres nessa faixa etária, sendo 20% sintomáticas. Quanto mais avança a idade, mais frequente esse sintoma se torna”, diz o Dr. Podgaec. 

Ele explica ainda que especificamente na vagina há redução do número de camadas celulares no epitélio da parede vaginal; estas células tinham a função de acumular glicogênio e, sob ação do estrogênio, transformá-lo em ácido lático para manter o pH vaginal mais ácido, em torno de 3,8-4,0.

“Quando essas células estão reduzidas, além dos desconfortos causados pelo ressecamento, o pH fica mais alcalino, mudando a flora bacteriana local e permitindo mais infecções urinárias e vulvovaginites”, diz.

Há, ainda, alterações anatômicas trazidas pela falta de estrogênios dessa fase, determinando encurtamento do canal vaginal e mudanças na própria uretra que, em última análise, podem desencadear incontinência urinária.

Causas diversas

O ressecamento vaginal também é uma condição comum em mulheres que tenham tido ambos os ovários removidos em cirurgias, em fumantes, pacientes em tratamento contra o câncer de mama (quimioterapia e radioterapia) e também no pós-parto e na fase de amamentação, mas a menopausa é mesmo a causa principal. 

“A frequência de ressecamento vaginal em um estudo foi de 4% no início de transição da menopausa, 21% na transição final da menopausa, e 47% das mulheres nos três anos pós-menopausa, respectivamente”, diz a ginecologista e coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho, Dra. Bárbara Murayama. 

De acordo com a médica, no início da transição da menopausa, as mulheres podem notar uma ligeira diminuição da lubrificação vaginal após a excitação sexual, o que é muitas vezes um dos primeiros sinais de insuficiência do estrogênio. 

“Quando o hipoestrogenismo se torna crônico, sintomas adicionais podem ser relatados pela mulher, incluindo uma sensação de ressecamento vaginal durante as atividades diárias, não necessariamente durante a sexual”, completa a Dra. Bárbara. 

Mesmo na menopausa, as mulheres obesas tendem a ter menos problemas com o ressecamento vaginal. “A gordura corporal produz um pouco de estrogênio, fraco, o que minimiza os sintomas”, explica a ginecologista e diretora do Centro de Endometriose São Paulo, Dra. Rosa Maria Neme. 

Diferentemente das demais causas, todas ligadas à falta ou à drástica diminuição de estrogênio, o tabagismo, por exemplo, leva a uma constrição dos vasos sanguíneos, diminuindo a irrigação das paredes vaginais. “Já o álcool diminui a secreção vaginal por ter um efeito desidratante nos tecidos. Importante salientar que não é só vaginal, estes efeitos deletérios acontecem no organismo como um todo”, explica o ginecologista do Hospital Samaritano de São Paulo, Dr. Rodrigo Pereira de Freitas.

Menos fluidos, mais sintomas

A diminuição na quantidade de fluidos vaginais naturais que as paredes da vagina secretam frente a diferentes estímulos, tanto do cotidiano, como meio de autolimpeza vaginal, quanto sexual, caracteriza a condição de ressecamento vaginal. E claro que isso vem acompanhado de uma série de sintomas bastante desagradáveis, entre eles, ardor vaginal, coceira, sensação de queimação local, dor e até sangramento durante as relações sexuais. 

“Os sintomas dependerão da intensidade da secura vaginal, ou seja, quanto menos secreção, mais intensos eles serão. Essa condição pode levar a mulher a ter, inclusive, quadros de lesões nas paredes vaginais, infecções vaginais e urinárias de repetição”, afirma o Dr. Freitas. Segundo o médico, o tratamento para o ressecamento vaginal depende da causa dessa atrofia. 

Além dos sintomas físicos, o ressecamento também tem impacto psicológico, pois pode comprometer atividades do cotidiano feminino e até mesmo atrapalhar o relacionamento afetivo, inibindo a prática sexual saudável e prazerosa. 

Hidratante X Lubrificante – as principais diferenças

Hidratantes

• São de uso contínuo, independente das relações sexuais.

• Têm ação prolongada por 72 horas.

• Restauram o pH natural da vagina.

• Não contêm agentes hormonais.

• Restabelecem a umidade natural.

Lubrificantes

• São de uso pontual.

• Têm curta duração, necessitando ser reaplicados a cada relação sexual.

• Não alteram o pH vaginal.

Fonte: Teva

Reposição da hidratação perdida

O tratamento para o ressecamento vaginal se dá por meio do uso de cremes ou óvulos vaginais que podem ser ou não hormonais, ou seja, contendo ou não estrogênio. Segundo o ginecologista, Dr. Luciano de Melo Pompei, os não hormonais contêm substâncias que retêm a umidade na mucosa vaginal, hidratando-a.  “É importante não confundir os cremes ou géis hidratantes não hormonais, também chamados de hidratantes vaginais, com os lubrificantes íntimos. Os lubrificantes são produtos que devem ser usados durante a relação sexual. Os hidratantes são empregados fora das relações sexuais, bem como os cremes/óvulos hormonais”, orienta. 

Ainda segundo o médico, tanto os cremes/óvulos hormonais quanto os hidratantes vaginais promovem boa melhora dos sintomas. “Uma vantagem dos hidratantes é que podem ser usados mesmo quando há contraindicações aos hormônios”, diz. 

Em relação à duração do tratamento, o Dr. Pompei afirma que isso é muito variável, mas geralmente é de longo prazo, ou prazo indeterminado, já que a condição está ligada a falta do estrogênio. Além disso, ele destaca a importância do tratamento adequado e de acordo com a prescrição médica. “A adesão é o que vai permitir que se obtenha o melhor resultado que o tratamento pode oferecer. Além disso, se não houver o uso apropriado do que o médico prescreveu, fica difícil saber a causa de uma eventual falha no tratamento. Portanto, não interrompê-lo é fundamental, se isso acontecer, provavelmente, haverá recidiva dos sintomas”, alerta. 

Autor: Adriana bruno

 

Substituição Otimista

Edição 289 - 2016-12-01 Substituição Otimista

Essa matéria faz parte da Edição 289 da Revista Guia da Farmácia.

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