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Fibras para auxiliar no funcionamento intestinal

Fibras e outras substâncias ajudam quem tem dificuldade de ir ao banheiro e recriam uma rotina importante e saudável para os que sofrem com o problema

Estar fora de casa, viajando ou até no trabalho, são algumas das razões para que algumas pessoas apresentem dificuldades de ir ao banheiro. Motivo de vergonha, a evacuação pode se tornar um problema causado não só pela questão social, mas também por maus hábitos, como alimentação incorreta ou falta de exercícios físicos.

“A prisão de ventre ocorre, principalmente, como mecanismo de retardo da evacuação devido a experiências dolorosas no ato de evacuar. Estas experiências podem estar relacionadas à má qualidade das fezes (pouco volume ou ressecadas), ou a processos irritativos e inflamatórios na porção terminal do sistema digestório (cólon, reto e ânus). Também pode ter correlação com questões psicossociais relacionadas à insegurança no uso de banheiro fora de casa. Em alguns casos, o uso de medicamentos pode ocasionar a constipação intestinal como efeito adverso”, explica o diretor-adjunto de P&D da Natulab, Olavo Rodrigues.

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O fator social é um dos responsáveis por fazer a mulher sofrer mais, chegando a ser três vezes mais comum no público feminino do que no masculino. De acordo com a Hypera Pharma, além deste fator, as mulheres apresentam dificuldade maior por conta dos hormônios. Especialmente a progesterona exerce alta influência sobre o intestino. Os hormônios relaxam a musculatura das vísceras intestinais, diminuindo o ritmo de funcionamento do órgão.

Simbióticos e probióticos – você sabe o que são?

Probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde das pessoas.

Prebióticos são ingredientes fermentados seletivos que resultam em mudanças específicas da composição e/ou atividade da microbiota gastrointestinal, conferindo benefícios à saúde.
Simbióticos são produtos que contêm probióticos e prebióticos juntos em sua composição, proporcionando benefícios à saúde conferidos por cada um dos seus componentes.

Fonte: Hypera Pharma

Além disso, o problema acaba se agravando justamente por motivos hormonais, comenta o gastroenterologista da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, Dr. Henrique Perobelli Schleinstein. Principalmente em condições como Tensão Pré-Menstrual (TPM) e menopausa, as mulheres acabam sofrendo mais com alterações na rotina do intestino.

Os idosos também merecem atenção especial. Segundo o gastroenterologista da Abbott, Dr. Ricardo Barbuti, eles sofrem com a constipação por vários motivos: pelo excesso de medicamentos, pela falta de força da musculatura abdominal e até pela falta de exercícios.

A diminuição do problema acontece através da ingestão diária de fibras e ao consumir bastante água, além de praticar exercícios físicos, manter a regularidade das refeições e evitar o estresse. Mas, se nem isso for o suficiente, alguns produtos disponíveis na farmácia podem ajudar.

Auxílio disponível

Para ajudar no bom funcionamento do intestino, existem os reguladores do trânsito intestinal, que englobam diversos produtos como as fibras, por exemplo.

Apesar de 78% dos internautas brasileiros afirmarem consumir fibras em sua rotina, somente 37% costumam ingeri-las mais de uma vez ao dia, de acordo com a pesquisa O Consumo de Fibras no Brasil, encomendada pela marca FiberNorm® e conduzida pelo IBOPE Inteligência. Além disso, 74% dos entrevistados sabem qual é o papel das fibras no organismo, mas desse total, 70% desconhecem a diferença entre as solúveis e as insolúveis.

“Cada fibra tem a sua importância. As solúveis têm grande capacidade de retenção hídrica, o que ajuda na formação das fezes. Já as insolúveis proporcionam um estímulo mecânico no intestino e aumentam o volume das fezes. A pesquisa mostra que as fibras estão presentes na vida dos brasileiros, mas há falta de conhecimento sobre em quais alimentos encontrá-las e como introduzi-las na dieta”, alerta a gastroenterologista e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Dra. Maria do Carmo Friche.

Quando consumidas na quantidade adequada, as fibras favorecem o bom funcionamento do intestino. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário deve ser superior a 25 g por dia. Elas podem ser encontradas em alimentos como frutas, hortaliças, vegetais e leguminosas.

E elas não são boas somente para regular o funcionamento do intestino. Segundo a Hypera Pharma, as fibras ajudam a prevenir algumas doenças intestinais, como a síndrome do intestino irritável, e contribuem para a redução dos níveis de colesterol, melhor absorção de nutrientes, prevenção de obesidade e redução do risco de doenças arteriais.

Benefícios das fibras

As fibras têm múltiplas funções: podem ajudar na retenção de água nas fezes, aumentar o bolo fecal e gerar uma consistência que facilite a expulsão das fezes, além de servirem como fonte de energia para os microrganismos presentes na microbiota intestinal, trazendo benefícios ao trato digestivo e à saúde como um todo. Por exemplo:

As fibras insolúveis ajudam:
A melhorar o trânsito intestinal.

As fibras solúveis ajudam:

  • A controlar os níveis de colesterol e de glicose no sangue;
  • A retardar o esvaziamento gástrico;
  • A contribuir para a saciedade;
  • A proteger contra o câncer de intestino.

Fontes: diretor-adjunto de P&D da Natulab, Olavo Rodrigues; e gerente de produto da União Química, Flaviana Ferreira

Porém, há pessoas que apresentam restrições alimentares ou não gostam de certos alimentos, como frutas ou alguns tipos de hortaliças e vegetais. Neste caso, o consumidor pode optar por complementar a necessidade diária com produtos que suplementam as fibras solúveis ou insolúveis.

“Elas podem ser consideradas reguladoras do intestino, pois uma dieta rica em fibras faz com que o intestino funcione melhor. Porém é preciso orientar que as fibras absorvem líquidos, então a ingestão de água é essencial, pois o consumo em excesso sem água o suficiente pode fazer o efeito contrário”, diz o gastroenterologista da Abbott.

Dentro deste universo, há outros produtos que podem ajudar o paciente. De acordo com a gerente de produto da União Química, Flaviana Ferreira, os reguladores atuam através de diferentes mecanismos de ação, desde os que retêm maior quantidade de água no intestino, aumentando o bolo fecal, como a lactulose, até os que agem diretamente na parede do intestino e os que amolecem as fezes.

“A função é sempre facilitar a evacuação. A lactulose, por exemplo, é uma molécula que não é absorvida, chamada de agente osmótico. Ou seja, ela retém a água no intestino, aumentando o bolo fecal e facilitando a evacuação”, explica a executiva.

Este é o caso, também, do fitoterápico à base de plantago ovata, que absorve água e a retém nas fezes, impedindo o ressecamento e facilitando a evacuação. O diretor-adjunto da Natulab comenta que a substância forma um gel que não é absorvido, aumentando o volume das fezes, estimulando o trânsito intestinal e aumentando a frequência da evacuação, que se torna mais fácil.

Para ajudar na evacuação existem também os laxantes estimulantes, com substâncias que estimulam o peristaltismo do intestino para que ele tenha mais movimentos que ajudem a evacuação. Porém estes fármacos podem causar mais cólica ou transformar a prisão de ventre em diarreia.

“Os reguladores têm princípio ativo melhor do que os laxantes, porque os laxantes funcionam na maior parte dos casos como irritantes: eles provocam a evacuação irritando o intestino. Já os reguladores coordenam o movimento e fazem com que o corpo responda de maneira fisiológica à evacuação”, alerta o gastrocirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Bruno Zilberstein.

Exatamente por isso os reguladores precisam ser usados todos os dias, pois esses produtos não conseguem resolver definitivamente a função intestinal. O órgão precisa receber o estímulo regulatório de maneira contínua.

Atualmente, segundo o médico, os laxantes são prescritos mais como um coadjuvante – quando esse regulador não consegue toda a sua normalidade. O medicamento é usado em última instância, quando todos os outros mecanismos já foram empregados.

“As fibras são o melhor mecanismo de estímulo laxante e de proteção porque elas funcionam como um ‘mata borrão’ das substâncias nocivas. Elas se grudam às substâncias ruins e as carregam para fora, além de puxar a água para aumentar o volume do bolo fecal e, quando ele está maior, estimular a sua evacuação”, frisa o médico.

Além do uso do regulador intestinal, é necessário que o paciente tenha dieta e ingestão de líquidos adequadas. A constipação crônica é comum, mas também pode ser secundária a condições mais sérias. Por isso, se o paciente já mudou os hábitos e mesmo assim não obteve melhora, o ideal é orientá-lo a consultar-se com um médico.

Conforme crescem os lançamentos na categoria gastrointestinal, as gôndolas estão ficando mais apertadas e pouco atrativas. De acordo com Flaviana, da União Química,  o ideal é que a exposição dos reguladores intestinais seja cuidada como qualquer outra categoria, com atenção ao seu ponto natural, além de dar visibilidade em pontos quentes e estratégicos e trabalhar exposição extra em categorias correlatas, tais como: fraldas geriátricas, alimentos funcionais (lácteos, chás, shakes, entre outros), suplemento de cálcio, produtos para prótese dentária e produtos para gestante.

Foto: Shutterstock

Como vender mais em 2019

Edição 313 - 2018-12-04 Como vender mais em 2019

Essa matéria faz parte da Edição 313 da Revista Guia da Farmácia.

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