Fluxo de clientes buscando hidratantes aumenta 30% no outono e inverno

Nas estações mais frias, os pontos de venda devem se preparar para esse aumento de fluxo

Assim como as altas temperaturas, quando os termômetros batem graus abaixo da média, o corpo sente. Não somente as doenças respiratórias marcam presença neste momento, mas o maior órgão do corpo também é influenciado.

A pele torna-se mais áspera, menos hidratada e pode apresentar lesões e doenças cutâneas. E ainda que pareça que percamos mais água no verão, a cútis pede um cuidado especial para reidratá-la e deixá-la saudável novamente.

“Durante o inverno, a pele tem a tendência a ficar mais ressecada, tanto pelo fato da umidade relativa do ar estar diminuída, como pelo aumento da temperatura do banho. Esses são dois motivos pelos quais a hidratação deve ser mais intensa nesta época do ano”, comenta o gerente de trade marketing da Theraskin, Alexandre Braga.

Ele explica que a umidade relativa do ar influencia na taxa de água livre no extrato córneo. Os ventos secos do inverno diminuem o conteúdo hídrico da pele, alterando sua função protetora. A pele ressecada fica mais suscetível a coçar e, com isto, sofrer pequenos machucados que podem ser a porta de entrada para algumas bactérias e causar infecções na pele.

De acordo com o coordenador do departamento de oncologia cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dr. Pedro Dantas, a hidratação correta é importante para que a pele mantenha suas funções e aparência. Uma pele desidratada, além do aspecto estético mais enrugado, pode aumentar o risco de infecções, ficar mais frágil e até dificultar o controle da temperatura do corpo.

Reconhecer quando a pele está desidratada não é difícil. Ela costuma ser áspera ao toque, sem viço, podendo ter um aspecto apergaminhado e, por vezes, até descamado na sua superfície. É esse incômodo que leva grande parte das pessoas a buscar por produtos que previnam ou diminuam estes sintomas.

“Hidratantes apresentam diversas consistências, que variam de gel a loção e são apresentados em cremes ou pomadas. Têm diversos componentes, como ácido hialurônico, ureia, pantenol, silicone, entre outros, que melhoram a hidratação e a proteção da pele. Já os óleos corporais têm as propriedades de formar uma camada que reduz a perda de água e deixar a pele com toque mais aveludado”, esclarece a clínica geral do Hospital Santa Catarina, Dra. Thais Hissami Inoue Lima.

Infinidade de apresentações

A orientação correta sobre a escolha do hidratante passa, necessariamente, pelo estudo do tipo de pele do consumidor. Se a cútis é oleosa, os produtos em forma de loções ou com toque mais seco são mais indicados para o corpo e em forma de gel ou oil-free, para o rosto. Já quem sofre com pele seca deve usar cremes mais espessos, os que tenham manteiga ou óleos na composição ou balms.

De acordo com a diretora médica da Pierre Fabre Brasil (laboratório da Avène), Dra. Ana Coutinho, a ideia de o hidrante ser um creme pesado que deixa a pele pegajosa e brilhante se tornou algo antigo. Atualmente, o item pode se apresentar de diferentes formas, de acordo com a necessidade da pele e da área de aplicação.

As loções fluidas, por exemplo, são leves e fáceis de espalhar, com sensorial sedoso e rápida absorção e são indicadas para uso diário. Os cremes, normalmente, possuem um sensorial mais aveludado e fórmulas com maior viscosidade, ricas em ceras e agentes emolientes, preferidas em regiões de climas mais frios.

Já os leites corporais são apresentações extremamente líquidas e associadas com refrescância. os balms são loções cremosas, fáceis de espalhar como as loções, mas com sensorial cremoso sobre a pele, geralmente ricos em ativos emolientes.

Por dentro dos hidratantes de alta potência

Existem, hoje, no mercado, diferentes tipos de hidratantes: os dermocosméticos, com formulações mais sofisticadas e estudos clínicos, e os mais comuns que fornecem uma hidratação mais superficial.
Os hidratantes mais completos atuam na recuperação da barreira cutânea e na sua função protetora, aumentam o aporte de água das camadas mais profundas da pele e repõem substâncias que participam do fator de hidratação natural. Para isso, as formulações precisam ser compostas por ingredientes com ação emoliente, umectante e lipídeos.
Entre os emolientes mais conhecidos estão os óleos vegetais, como a semente de uva ou borragem, a lanolina, os triglicérides do ácido cáprico e i caorílico. Entre os umectantes mais conhecidos, estão a glicerina, o ácido hialurônico e a ureia. Já os principais lipídeos são as ceramidas, os ácidos graxos e os colesteróis.

Fonte: gerente de trade marketing da Theraskin, Alexandre Braga

“Para a hidratação da pele da face, além dos produtos multifuncionais que estão em todos os lugares; séruns, géis e géis cremes que hidratam a pele e oferecem texturas inovadoras como ‘water breaking’ (sensação de partículas de água sobre a pele quando aplicado o produto), com rápida absorção por 24 horas, são grandes lançamentos atuais que possibilitam a aplicação do hidratante, filtro solar e, ainda, da maquiagem”, frisa a Dra. Ana.

Ainda que exista a procura, também, por óleos corporais, nem sempre eles são o suficiente para melhorar a hidratação da pele. Os óleos têm a função de filme, ficando em cima da primeira camada da pele. Ou seja, eles servem para diminuir a perda da água, como uma barreira.

“A maioria dos óleos tem um efeito indireto na hidratação da pele. Eles acabam evitando a evaporação da água absorvida após os banhos, por isso a importância do uso de óleos e hidratantes imediatamente após o banho”, revela o Dr. Dantas.

Dentro da farmácia

A venda de hidratantes aumenta consideravelmente no inverno. Entre julho e setembro, os meses mais frios do ano, há um crescimento médio de 30% no volume de vendas da categoria. “Em 2017, nesse período, o mercado obteve alta de 14% no volume de vendas. Para 2018, a expectativa é ainda maior, tendo em vista a diversificação de produtos e o lançamento que atendem, cada vez mais, às necessidades diferentes de hidratação e sensibilidade”, comenta Braga, da Theraskin.

Para que a farmácia aproveite a sazonalidade, é necessário que o estabelecimento esteja preparado para receber seus clientes com o mix correto e organizado. De acordo com a gerente de trade marketing da Divisão Cosmética Ativa da L’Oréal, Juliana Valeriano, algumas das ações que podem ser feitas são trabalhar as pontas de gôndolas, ações promocionais, explorar pontos extras e garantir a experimentação das texturas por meio de testadores e amostras que facilitem o consumidor a encontrar o melhor produto para o seu tipo de pele.

Na rotina do consumidor

O tempo de início de percepção do resultado da hidratação depende do produto utilizado. Os dermocosméticos considerados hidratantes de tratamento têm efeitos importantes já em três dias de uso.

Os produtos devem ser usados preferencialmente após o banho.

A reaplicação deve ser feita de acordo com o modo de uso do fabricante ou orientação médica. Já existem hidratantes com eficácia de 24 horas.

Fonte: gerente de trade marketing da Theraskin, Alexandre Braga

O gerente de Theraskin complementa dizendo que revisar o planograma da loja faz toda a diferença para produtos sazonais. Como a procura pela categoria aumenta no inverno, deixar esses produtos em uma gôndola bem localizada e na altura dos olhos contribui muito para o crescimento das vendas.

“Produtos com finalidade hidratante, principalmente os cremes e as loções, ainda vendem muito por meio do sensorial, uma vez que as principais queixas dos consumidores são a textura do produto e o perfume. Portanto, uma ação que pode ajudar muito no incremento de vendas é a disponibilidade de provadores na farmácia”, frisa ele.

Além disso, é necessário treinar a equipe para atender o público que está cada vez mais bem informado. Ou seja, o mais importante é que a farmácia mostre para os clientes que tem uma variedade de produtos, preços e benefícios que atende à sua necessidade.

Foto: Shutterstock

Terceira idade em destaque

Edição 307 - 2018-06-01 Terceira idade em destaque

Essa matéria faz parte da Edição 307 da Revista Guia da Farmácia.

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