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O problema da osteoporose

Com a fragilidade do osso, o risco de fraturas aumenta

Envelhecer com qualidade de vida é o sonho de muita gente, mas o cenário nem sempre é favorável e podem aparecer algumas pedras nesse caminho. Com o passar dos anos, o corpo não é mais o mesmo e as engrenagens que colocam o organismo humano para funcionar podem apresentar falhas e é aí que os problemas de saúde surgem. 

Um exemplo é a osteoporose. A palavra causa calafrios em muita gente e não é para menos. A doença afeta a resistência dos ossos, aumentando sua porosidade, fazendo com que eles fiquem frágeis, percam qualidade, resistência e massa, favorecendo assim o maior risco de fraturas. 

Para entender como esse processo acontece, o médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), Dr. Sérgio dos Passos Ramos, explica que o osso é um tecido vivo e, portanto, tem uma renovação constante. “Nos ossos, há uma célula que os destrói, o osteoclasto (célula que compõe a matriz óssea) e outra que os reconstrói, o osteoblasto (célula que produz a matriz óssea). Em algumas épocas da vida, a destruição óssea não é seguida imediatamente pela reconstrução, surgindo então grandes lacunas no osso. Isto é a osteoporose”, explica. 

O problema atinge cerca de dez milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), com predomínio no sexo feminino. “Embora atinja preferencialmente mulheres, em função da perda hormonal da menopausa e pelo menor tamanho do esqueleto, cerca de 20% das fraturas osteoporóticas ocorrem nos homens”, conta a endocrinologista do Centro Integrado de Saúde Óssea do Hospital Sírio-Libanês, professora Dra. Cynthia M. A. Brandão. 

A incidência da doença pode variar de 14% a 29% em mulheres acima de 50 anos de idade e chegar até 73% em mulheres acima de 80 anos de idade. “As projeções estimadas para os próximos dez anos revelam que se espera que o número de fraturas de quadril osteoporóticas por ano (atualmente 121.700 fraturas) atinja 140 mil pessoas por ano até 2020”, conta o presidente da Comissão de Doenças Osteometabólicas e Osteoporose, da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Dr. Marco Antonio A. da Rocha Loures. 

Segundo ele, a coluna vertebral, o quadril e o punho são os locais prevalentes de fraturas. “Em mulheres acima de 50 anos de idade, o risco de fratura do colo do fêmur é de 17,5% e da coluna, de 16%. A presença de uma fratura vertebral dobra o risco de futuras fraturas vertebrais”, alerta. 

Ainda sobre os grupos de indivíduos com maior risco de ter a doença, os caucasianos e os asiáticos são mais atingidos do que as pessoas da raça negra. “Uma em cada três mulheres brancas ocidentais e um a cada cinco homens apresentarão uma fratura osteoporótica depois dos 50 anos de idade, de acordo com a International Osteoporosis Fundation (IOF)”, diz a Dra. Cynthia. 

A osteoporose é, geralmente, uma doença silenciosa, com poucos sintomas, o que eleva o risco de fraturas, aliás o paciente só procura atendimento médico quando o problema já existe. De acordo com o Dr. Loures, a sintomatologia dolorosa muitas vezes se confunde com doenças reumatológicas. 

“Cerca de um terço das fraturas das vértebras por osteoporose são assintomáticas”, comenta. Já a Dra. Cynthia relata que estudos demonstraram que cerca de metade das fraturas vertebrais sequer são diagnosticadas clinicamente, permanecendo não identificadas.

“A fratura osteoporótica não é um sintoma, mas a consequência mais temida da osteoporose. A mortalidade no primeiro ano após a fratura de quadril é de cerca de 20%, e dos que sobrevivem, 50% precisarão de ajuda para caminhar”, ressalta.

Deficiência hormonal 

Mulheres. Elas estão no grupo de indivíduos que preferencialmente poderão sofrer as consequências da osteoporose em certo momento de sua vida. Isso porque esse distúrbio osteometabólico está relacionado, entre outras causas, à perda hormonal ocorrida na menopausa. 

“O estrogênio estimula as células responsáveis pela formação óssea e, na sua ausência, ocorre estimulo à síntese de várias citocinas inflamatórias que aumentam a reabsorção do osso”, explica a Dra. Cynthia. Para ela, embora a causa hormonal também seja importante para os homens, o próprio envelhecimento, em ambos os sexos, contribui para a má absorção de cálcio, deficiência de vitamina D e sedentarismo, levando à aceleração da perda óssea própria desta fase da vida.

O endocrinologista e membro da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Dr. Francisco Bandeira, ressalta que o estrogênio tem importância fundamental em determinar o pico de massa óssea após a puberdade e sua deficiência, com a menopausa, é a causa da perda óssea rápida na maioria das mulheres. 

Ele lembra ainda que, para prevenir a doença, é preciso investir em uma dieta adequada de cálcio desde a infância e, ao longo da vida, recorrer à suplementação de vitamina D, praticar exercícios físicos, evitar fumo e álcool em excesso. Além disso, o médico recomenda ter avaliações constantes na menopausa. “A quantidade suficiente de cálcio deve ser, em geral, de 1.000 mg ao dia para um adulto e a de vitamina D, na dose de 800 a 2.000 unidades ao dia” , diz.

Vale resaltar que o cálcio tem um papel importante na massa óssea na fase de remodelação. “Uma inadequada absorção intestinal resulta em uma baixa quantidade de cálcio no sangue, provocando secreção de hôrmino PTH que faz a reabsorção (diminuição) óssea. Já a vitamina D eleva a absorção intestinal do cálcio” , explica o Dr. Loures.

A vitamina D é na verdade um hôrmonio produzido pela pele ação dos raios ultraviolete. ” Uma de suas inúmeras funções no metabolismo ósseo é aumentar a absorção intestinal de cálcio, o constituinte mais importante da parte mineral do osso”, explica a Dra. Cynthia.

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Diagnóstico e tratamento

A detecção da doença se dá pelo exame de densitometria óssea, que avalia a quantidade de massa óssea e está indicado para todas as mulheres com mais de 65 anos de idade e homens com mais de 70 anos de idade.

“As mulheres, na perimenopausa, e os homens com mais de 50 anos de idade, mas que apresentem um fator de risco para a doença, também devem ser submetidos ao exame”, indica a Dra. Cynthia. Ainda segundo a médica, o tratamento envolve medidas medicamentosas e não medicamentosas, o que inclui alternativas fundamentais para reduzir o risco de fraturas, como, por exemplo, assegurar aporte nutricional adequado de cálcio, de preferência de fonte alimentar; ter uma dieta balanceada e sem excesso de sal, que pode provocar perda urinária de cálcio; manter níveis de vitamina D adequados, por meio de exposição solar ou de reposição; estimular a atividade física, de acordo com o condicionamento físico e a idade, com o objetivo de aumentar a força muscular, melhorar o equilíbrio e diminuir o risco de quedas; cessar o uso de tabaco e o excesso de álcool; e por fim, a correção da acuidade visual e controle do uso de sedativos que podem elevar o risco de quedas. 

“As opções farmacológicas incluem drogas antirreabsortivas, que diminuem a perda óssea, e a teriparatida, única medicação formadora de osso disponível no momento. Na classe dos antirreabsortivos ósseos, encontramos os bisfosfonatos de administração oral (alendronato, ibandronato, risedronato) e endovenosa (pamidronato e ácido zoledrônico) e, mais recentemente, o primeiro medicamento biológico para a osteoporose, o denosumabe, de administração subcutânea”, relata a médica.

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Autor: Adriana Bruno 

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Avanço na saúde

Edição 287 - 2016-10-01 Avanço na saúde

Essa matéria faz parte da Edição 287 da Revista Guia da Farmácia.

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