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Homeopatia: Tratamento além do físico

Com uma abordagem global, a homeopatia trata o doente e a doença, estimulando o organismo a responder ao tratamento e se reequilibrar

Considerada por muitos como um método de tratamento alternativo, a homeopatia é uma especialidade médica reconhecida desde 1980 pelo Conselho Federal de Medicina (Resolução 1.000) e que vem ganhando adeptos.

Apesar de não haver uma estimativa oficial sobre o número de usuários da homeopatia no mundo, segundo a Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), no Brasil, há em torno de 15 mil médicos homeopatas, número que deve crescer em função do aumento de escolas de especialização.

Já a Índia é campeã nesse assunto. “Existem mais de 600 mil médicos homeopatas no País com milhões de pessoas sendo atendidas. Outros países, como Holanda, Bélgica, Rússia, México e Inglaterra, também se destacam na prática da homeopatia. Aliás, até a família real britânica se trata com homeopatia”, comenta o médico homeopata e presidente da Associação Médica Homeopática do Paraná (AMHPR), Dr. Jorge Ricardo dos Santos.

Ele reforça que a homeopatia é um método de prevenção uma vez que ajuda a manter o equilíbrio do organismo para que a pessoa não adoeça. Vale dizer que a homeopatia trata o paciente como um todo e não apenas a doença de forma isolada.

Dispensação

Segundo a Farmacopeia Homeopática Brasileira, 3ª edição, os medicamentos homeopáticos podem ser dispensados nas seguintes formas farmacêuticas:

Líquidas

1. Gotas.
2. Cinquenta Milesimal (LM).
3. Dose única líquida.
4. Formulações Magistrais.

Sólidas

1. Glóbulos.
2. Tabletes.
3. Comprimidos.
4. Pós.

Líquidas de uso externo

1. Linimentos.
2. Preparações nasais.
3. Preparações oftálmicas.
4. Preparações otológicas.

Sólidas de uso externo

1. Apósitos medicinais.
2. Pós medicinais.
3. Supositórios retais.
4. Supositórios vaginais (óvulos).

Fonte: farmacêutica e coordenadora da Comissão Assessora de Homeopatia do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Dra. Márcia Borges

“A homeopatia também facilita a solução de traumas emocionais e favorece a superação mais rápida das diversas crises que fazem parte do crescimento humano, desde a gestação, amamentação, infância, adolescência, fase adulta, senescência e terceira idade, gerando, portanto, a adequação em cada estágio com consequente progressão normal, levando à felicidade, dignidade e ao amor”, afirma o Dr. Santos.

Baseada no princípio da cura pela semelhança – “o semelhante pode curar o semelhante” –, o tratamento homeopático consiste em fornecer a um paciente, cujos sinais e sintomas indiquem uma doença, doses extremamente pequenas de substâncias que produzem os mesmos sintomas em pessoas saudáveis, quando expostas às mesmas substâncias em um estudo de experimentação, é o que explica o médico homeopata e vice-presidente Regional Centro-Oeste da AMHB, Dr. Luiz Darcy G. Siqueira.

O tratamento homeopático vem ganhando tanto espaço que, em maio desde ano, foi aprovada a Lei 16.662, que institui o Serviço de Atendimento Homeopático na Rede Hospitalar Municipal de Saúde da cidade de São Paulo, com o intuito de oferecer acompanhamento especializado aos pacientes por meio de consultas, exames e tratamento.

De A a Z

A princípio, toda doença pode ser tratada com homeopatia, sendo que o método é muito procurado para doenças alérgicas, respiratórias em pediatria e emocionais, como ansiedade, depressão, entre outros.

“A homeopatia é uma especialidade raiz, ou seja, tem atuação em todas as outras especialidades, em determinadas patologias como coadjuvante do tratamento convencional, seja clínico ou cirúrgico”, diz o Dr. Siqueira.

Em casos de doenças como o câncer, por exemplo, quando o paciente se submete a um tratamento, muitas vezes agressivo ao organismo, a homeopatia pode entrar como tratamento complementar.

“Nesses casos, ela atua para melhorar as reações adversas geradas pela quimioterapia e radioterapia, como a perda de apetite, enjoos, reações dermatológicas, sem contar, claro, com o equilíbrio emocional do paciente”, comenta a farmacêutica e coordenadora da Comissão Assessora de Homeopatia do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Dra. Márcia Borges.

Você sabia?

Homeopatia (do grego ὅμοιος + πάθος transliterado hómoios- + páthos = “semelhante” + “sofrimento”) é um termo criado por Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843) para designar um método terapêutico cujo princípio está baseado na similia similibus curantur (“os semelhantes curam-se pelos semelhantes”).

Fonte: Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB)

Segundo ela, o medicamento homeopático pode ainda ser usado em conjunto com os alopáticos, quando há essa necessidade. “O importante é que o prescritor homeopata saiba sobre os medicamentos que o paciente está fazendo uso. Existem aqueles que são essenciais à vida de alguns pacientes. O que pode ocorrer, em apenas alguns casos, é o prescritor homeopata, aos poucos, a depender da evolução do quadro, retirar ou substituir alguns medicamentos alopáticos por homeopáticos”, diz.

Quando utilizada em conjunto, a homeopatia contribui na ampliação do entendimento do processo saúde-doença e da terapêutica. “A homeopatia não vê o ser humano apenas com um conjunto de órgãos dissociados. Com uma abordagem mais globalizante, nós consideramos os diversos aspectos da individualidade humana (psíquicos, emocionais, socioambientais, climáticos, alimentares, etc.) como parte constituinte ou desencadeadora dos distúrbios orgânicos”, diz o Dr. Siqueira.

Segundo ele, isso acontece porque a interação entre esses diversos fatores interfere no adoecer e no estar saudável. “A homeopatia se propõe a atuar nessas diversas esferas de forma integrada, englobando as diferentes suscetibilidades do indivíduo no diagnóstico do desequilíbrio vital e na escolha do medicamento homeopático”, comenta.

Dicas para trabalhar a categoria no ponto de venda

1. Treinar a equipe para conhecer a indicação do medicamento homeopático.
2. Ter um espaço determinado para a categoria.
3. Aplicar preços alinhados.
4. Ter variedade adequada de produtos à disposição do cliente.

Fonte: gerente nacional de vendas da Boiron no Brasil, Gian Cruz

O medicamento homeopático é preparado em doses mínimas, ditas infinitesimais, de modo que, na sua utilização, não são desenvolvidos efeitos colaterais nem há contraindicações registradas.

Já o tempo de resposta do organismo ao tratamento homeopático não deve ser visto como moroso, pelo contrário, esse é um mito relacionado a essa terapêutica. “A homeopatia é uma terapia reacional e isso pode ser entendido da seguinte forma: a ação do medicamento desperta a reação do organismo. Ao iniciar essa reação curativa, o tempo de tratamento e a cura são dependentes da capacidade do organismo. O que se observa é que em uma medicação bem indicada, mesmo em casos considerados graves ou em casos agudos, o paciente pode responder rapidamente às primeiras doses do medicamento”, explica a diretora farmacêutica da Boiron do Brasil, Maria Isabel de Almeida Prado.

Mais espaço

Se existe um número tão grande de homeopatas atuando no Brasil é sinal de que o número de pacientes também é expressivo, o que leva o canal farma a uma potencial abertura de espaço para esses medicamentos, ampliando o número de pontos de venda (PDVs) em que possam ser encontrados.

“Hoje em dia, as farmácias especializadas dominam esse mercado, mas com o aumento da procura, abre-se um leque de oportunidades para as farmácias convencionais. Além disso, como os medicamentos costumam ter indicação para tratar distúrbios comuns do dia a dia, o giro de estoque é seguro”, segundo o gerente nacional de vendas da Boiron no Brasil, Gian Cruz.

“As margens de comercialização também não podem ser desconsideradas. A indicação dos medicamentos homeopáticos é segura para o farmacêutico, para o paciente e para a empresa”, comenta. Segundo ele, o ideal é que a farmácia tenha um espaço demarcado para a categoria com preços alinhados conforme orientação dos laboratórios.

Perfil do paciente

A busca por hábitos cada vez mais próximos dos naturais pode ser uma das razões que têm levado muitas pessoas aos consultórios de médicos homeopatas. “Ainda há muito desconhecimento sobre o que é e como atua a homeopatia, mas vemos no dia a dia que isto está mudando. O perfil do paciente é bem variado e há desde aquelas pessoas que já sofreram com efeitos colaterais de medicamentos alopáticos até aquela mãe que sempre tratou a família com homeopatia e transmitiu isto para os filhos, por exemplo”, conta o médico homeopata e presidente da AMHB, Dr. Ariovaldo Ribeiro Filho.

Segundo ele, há ainda aqueles que buscam tratamento para situações em que não há tratamento alopático. “São pacientes com quadros relacionados ao campo emocional”, diz.

Na mira

Em cada clínica ou especialidade médica, há doenças que podem ser tratadas pela homeopatia, seja como método principal ou coadjuvante.
Confira alguns exemplos:

Pneumologia

• Asma.

Endocrinologia

• Doenças da tireoide.
• Coadjuvante no tratamento do diabetes.
• Equilíbrio geral do organismo.

Otorrinolaringologia

• Rinite.
• Amidalite de
repetição.
• Sinusite.

Psiquiatria

• Depressão.
• Ansiedade.
• Pânico.
• Falta de concentração.
• Insônia.

Pediatria

• Inquietude
em criança.
• Asma.
• Insônia.
• Agitação.
• Comportamento.
• Medos da infância.

Geriatria

• Depressão
do idoso.
• Apatia
do idoso,
fornecendo
mais ânimo.

Aliás, classicamente, as mulheres são apresentadas como o principal perfil de pacientes adeptos à homeopatia. “São elas que se ocupam da saúde da família. As pessoas identificam na homeopatia um tratamento menos agressivo, sem efeitos colaterais e que não cria dependência. Dessa forma, cada vez mais, percebe-se sua busca para o tratamento dos distúrbios emocionais que impactam na produtividade diária e no sono”, comenta Maria Isabel.

Para aqueles pacientes que estão migrando da terapia alopática para a homeopática, o Dr. Siqueira ressalta que o médico homeopata deve explicar que não se trata de uma simples troca, pois, muitas vezes, em doentes que tomam medicamentos de uso contínuo há muito tempo, não é possível suspender bruscamente o tratamento.

“Outros pacientes já mais informados entendem os conceitos de saúde e doença de uma forma mais integral e buscam uma nova opção de tratamento e de cuidados com a saúde”, finaliza.

Marco histórico

Edição 300 - 2017-11-01 Marco histórico

Essa matéria faz parte da Edição 300 da Revista Guia da Farmácia.