Tratamento e causas da impotência

problema pode ter causas psicológicas ou orgânicas e tem impacto significativo na vida dos homens. indústria farmacêutica oferece tratamento de ponta 

Conhecida popularmente como impotência sexual masculina, a Disfunção Erétil (DE) é definida como a incapacidade de ter ou manter uma ereção que permita ter uma relação sexual satisfatória. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em 2014, com 1.506 pessoas entre 40 e 69 anos de idade, das classes A, B e C de todas as regiões do País, 59% dos homens já tiveram problemas de ereção. Desses, 12% convivem com a dificuldade de forma recorrente. 

Segundo o professor de urologia da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador da equipe de urologia do Hospital do Coração (HCor), Dr. Antonio Corrêa Lopes Neto, as causas da DE podem ser físicas ou psicossomáticas. 

“As físicas são decorrentes de problemas vasculares, hormonais ou neurológicos. Algumas doenças são conhecidas por sua ‘capacidade’ em prejudicar a ereção, como diabetes mellitus, vasculopatias e doenças neurológicas, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Parkinson, entre outras neuropatias. Alguns medicamentos podem causar prejuízo na ereção, como antipsicóticos, alguns anti-hipertensivos e diuréticos. Já as causas psicossomáticas são decorrentes de ansiedade, estresse do dia a dia, questões conjugais e de relacionamento. O aumento da adrenalina nessas situações leva a um bloqueio e prejuízo da ereção”, esclarece.

Todo homem pode acabar experimentando, em algum momento da vida, alguma falha, seja ela por cansaço ou fatores psicológicos. O que caracteriza impotência ou não é a frequência com que o problema ocorre.

O urologista e secretário do Conselho Médico do Hospital Santa Cruz de São Paulo, Dr. Antonio Monteiro da Fonseca Neto, diz que a ereção está diretamente relacionada à dinâmica da musculatura lisa dos corpos cavernosos (duas estruturas cilíndricas dentro do pênis, que se enchem de sangue), e havendo relaxamento desta musculatura, origina-se a ereção e a contração da mesma leva à detumescência (flacidez do pênis). “Doenças ou quaisquer fatores, que desequilibrem a homeostase de relaxamento da musculatura e consequente diminuição do fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos podem causar distúrbio erétil.”

Além de abalar a autoestima, a disfunção pode ser o primeiro sinal para outras doenças do sistema circulatório. “Cerca de 50% dos homens acima dos 40 anos de idade apresentam DE de intensidade leve a severa. Quanto mais idoso o homem, maior a probabilidade de apresentar o problema. Mas os episódios podem atingir homens em todas as idades: os mais jovens com a prevalência de fatores psicológicos, em especial a ansiedade; e os mais velhos, levando em consideração a idade e doenças associadas”, comenta o Dr. Fonseca Neto.

A impotência sexual causa um impacto negativo na qualidade de vida do homem e do casal. “A falta de uma vida sexual satisfatória pode levar a prejuízos na vida social e conjugal e desencadear alterações psicológicas significativas”, alerta o especialista do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano de São Paulo, Dr. Thiago Seiji.

Segundo o Dr. Lopes Neto, os impactos são realmente intensos. “Os homens chegam ao consultório muito preocupados e chateados com a situação. A confiança e a autoestima ficam rebaixadas e a incapacidade de ter uma relação sexual traz muita infelicidade.” 

Sintomas e prevenção

Entre os sintomas da DE, estão a redução do tamanho e da rigidez peniana, a incapacidade de obter e manter a ereção, a redução dos pelos corporais, a atrofia ou ausência testicular, pênis deformado, doença vascular periférica e distúrbios das funções do sistema nervoso.

O sistema circulatório é um dos responsáveis pela ereção e quando afetado por hipertensão, colesterol, etc., pode gerar problemas de ereção, indicando a possibilidade de doenças cardiovasculares. 

“Os cuidados gerais com a saúde, como redução de peso, controle de colesterol, açúcar e atividade física, melhoram o funcionamento cardiovascular e podem evitar as causas vasculares de desenvolvimento da DE. Redução do estresse, da ansiedade, o relaxamento e a atenção às questões conjugais podem ser úteis para minimizar os níveis de adrenalina e o envolvimento psicogênico”, revela o Dr. Lopes Neto.

Segundo o Dr. Fonseca Neto, outra forma de prevenção é a informação e a educação. “Para um homem prevenir a DE, a receita é levar uma vida equilibrada do ponto de vista de sua saúde física e mental. Cuidar da saúde física é essencial, pois a ereção depende de pleno funcionamento do sistema cardiocirculatório, endócrino e neurológico. Então, ter uma alimentação equilibrada, sem excessos de gorduras, sal ou açúcar; praticar atividades físicas regularmente e ter uma boa noite de sono são práticas essenciais, além de ter um equilíbrio emocional, para que as diversas situações de estresse e demandas do dia a dia não atrapalhem. Somando-se a tudo isso, um relacionamento adequado às expectativas, em que os parceiros se entendam, se respeitem e desenvolvam uma intimidade de qualidade, é fundamental.” 

Fatores emocionais X fatores físicos

A falta de ereção, muitas vezes, não quer dizer ausência de excitação. Mesmo com o desejo, o órgão sexual pode não reagir ou reagir inicialmente e não se manter rígido. A tensão pode inibir o mecanismo de ereção, já que o cérebro é o responsável por receber e enviar os estímulos para o enrijecimento do pênis. 

“Transtornos de ansiedade, ‘medo de falhar’, entre outros distúrbios psicológicos, podem ser a causa ou agravar o problema. Homens com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, devem ser avaliados de maneira criteriosa, pois distúrbios cardiovasculares potencialmente graves podem estar presentes, como doença coronariana, por exemplo”, diz o especialista do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano de São Paulo, Dr. Thiago Seiji.

São fatores emocionais importantes para a causa de impotência sexual: ansiedade, estresse, problemas de relacionamento, depressão, pessimismo e insatisfação. Já exemplos de fatores físicos são: doenças cardiocirculatórias, diabetes, hipo ou hipertireoidismo, doenças neurológicas, disfunção induzida por medicamentos, pós-cirurgias e pós-radioterapia.

“Fatores emocionais, como estresse e ansiedade, levam a um aumento dos níveis de adrenalina circulante no sangue. Esse hormônio leva a uma inibição da ereção”, explica o professor de urologia da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador da equipe de urologia do Hospital do Coração (HCor), Dr. Antonio Corrêa Lopes Neto.

Tratando o problema

O Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, de Carmita Abdo, revela que a DE atinge homens de 18 anos de idade em diante, na seguinte proporção: entre 18 e 25 anos de idade – 34,4% de DE mínima, 10,7% de moderada e 1,1% de DE completa; e acima dos 70 anos de idade, 20,8% de DE mínima, 35,4% de moderada e 10,4% de completa.

Existem, atualmente, três formas de tratamento, cada uma indicada de acordo com o caso. São tratamentos de primeira linha os medicamentos orais, como a sildenafila, vardenafila, tadalafila, lodenafila e udenafila; de segunda linha, os  injetáveis nos corpos cavernosos do pênis; e de terceira linha as próteses penianas. 

O tratamento da DE é realizado após minuciosa avaliação clínica, e dependendo da situação, com a realização de exames laboratoriais. “O processo deve seguir alguns princípios: diagnóstico e correção de alterações hormonais (redução de testosterona) por meio de reposição intramuscular ou tópica; correção de hiperglicemia (aumento de açúcar no sangue), de hipercolesterolemia (aumento de colesterol) e redução de peso; antidepressivos e ansiolíticos no caso de envolvimento psicogênico na etiologia da DE; e medicamentos que auxiliam na ereção, que devem ser tomados 30 minutos antes da relação (tadalafila, sildenafila, vardenafila, lodenafila, entre outros), ou tomados diariamente em uma dosagem menor (tadalafila 5 mg)”, explica o Dr. Lopes Neto. 

Atualmente, há no mercado vários medicamentos voltados para a melhora da ereção. São indicados para homens que referem dificuldade em ter ou manter ereção, queixa de ereção pouco firme e pouco duradoura. 

“Vários medicamentos estão disponíveis e todos demonstraram eficiência e segurança comprovada, porém existe uma visível adaptação pessoal de cada homem. Ou seja, alguns notam efeito mais satisfatório com determinado princípio em relação a outros. O mecanismo de ação é similar: inibição da enzima 5 fosfodiesterase, que é uma enzima responsável pela detumescência peniana. Sendo assim, sua inibição ocasiona ereção mais efetiva e prolongada. Os efeitos colaterais mais comuns são cefaleia, rubor facial e congestão nasal. Esses efeitos são muito particulares de cada homem, sendo que alguns têm estes pronunciados, tornando difícil a utilização da medicação. Aparentemente, não há interferência na sua eficácia com alimento ou bebida alcoólica e, geralmente, sua ação se inicia 30 minutos após a ingestão e é contraindicada em homens que fazem uso de dilatadores coronarianos (nitratos)”, esclarece o Dr. Lopes Neto. 

Bebida alcoólica e a impotência

Existe uma associação fixada entre o consumo de bebida alcoólica e a dificuldade de manter a ereção. O problema não está no consumo, mas, sim, na quantidade que é ingerida. “A bebida alcoólica consumida de forma moderada não interfere na função erétil, mas um indivíduo que a consome de maneira descontrolada pode desenvolver desde insuficiência hepática, até maior descontrole de glicemia ou colesterol e triglicérides, e ainda prejudicar sua saúde a ponto de piorar muito a função erétil”, comenta o urologista e secretário do Conselho Médico do Hospital Santa Cruz de São Paulo, Dr. Antonio Monteiro da Fonseca Neto.

O especialista do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano de São Paulo, Dr. Thiago Seiji, quebra o tabu e afirma que o uso de álcool em pequena quantidade não é fator predisponente à impotência sexual, mas, sim, seu consumo em excesso.


Autor: 
Renata Martorelli

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Esperança Ilusória

Edição 283 - 2016-06-01 Esperança Ilusória

Essa matéria faz parte da Edição 283 da Revista Guia da Farmácia.

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