
O relatório Worth Health Statistics, da Organização das Nações Unidas (ONU), publicado no ano passado, apontou que as pessoas estão vivendo mais. No Brasil, o documento mostra que a expectativa de vida ao nascer passou de 69,9 para 75,1 anos entre 2000 e 2016, e a esperança de vida saudável ao nascer (número de anos que se espera viver em plena saúde) subiu de 61,5 para 66 anos.
Mas em um piscar de olhos, o mundo foi surpreendido por um vírus que acometeu, principalmente, a população idosa e na sequência, foi atingindo os demais grupos.
Segundo o geriatra do Hospital Sepaco de São Paulo, Dr. Kevork Chamliam Avakian, estudos constataram que esse público tem mais chances de apresentar os sintomas mais graves do Covid-19.
“A resposta do organismo às infecções se torna mais lenta, dando tempo ao vírus para proliferar mais rapidamente. Outro fator importante é o fato de que muitos dos idosos são portadores de doenças crônicas, o que aumenta ainda mais os riscos de complicações”, explica o médico.
DICAS DO GUI:
Atendimento inclusivo para a terceira idade
SORTIMENTO: os clientes idosos esperam encontrar no ponto de venda (PDV) produtos que os beneficiem e que os auxiliem na qualidade de vida.
ATENDIMENTO: neste quesito, é preciso enxergar que a menor habilidade física não significa menor capacidade mental. É preciso perceber que apenas parte da população idosa é “carente” e precisa de atenção especial. Portanto, não se deve tratá-los como se fossem incapazes. O profissional de farmácia tem de estar capacitado para atender bem a todos os públicos e deixar de lado um tratamento especial apenas para o idoso. A inclusão é vital.
DIGITALIZAÇÃO: eles querem interagir com produtos eletrônicos, por exemplo, mas são mais impacientes em relação ao novo. Nesse sentido, as empresas podem investir em interfaces mais amigáveis e desenvolver manuais de leitura mais agradáveis e fáceis.
INFRAESTRUTURA: as lojas não precisam ser adaptadas para idosos. Elas precisam ser funcionais e servirem para todos os públicos. Atualmente, elas devem ter ótima sinalização visual, tanto para as categorias quanto para os grupos ou subgrupos.
CUIDADOS COM A PANDEMIA: nesse sentido, valem as sinalizações para as regras de convivência, como “use máscaras”, “evite ficar próximo das pessoas”. Outros cuidados são presença de suportes para álcool gel; tapetes higienizadores; corredores mais largos; balizas com faixas impedindo aproximação do balcão; e barreiras protetoras de acrílico/vidro nos caixas.
ATENÇÃO FARMACÊUTICA: este serviço tem uma gama variada para atendimento e deve ser disponibilizado a todos os clientes. Afinal, os jovens também precisam de atenção sobre diabetes ou nutrição. Portanto, todos os serviços fazem parte da oferta para todos, incluindo os testes laboratoriais e as vacinas.
NECESSIDADE DE INCLUSÃO: é preciso desmistificar o idoso como um “velhinho desprotegido”. Isso é cultural, no Brasil, e deve ser abolido no atendimento ao consumidor. As farmácias ainda não têm necessidade de segmentar esse tipo de atendimento, layout ou mix.
Os esforços no Brasil, desde a segunda quinzena de março, quando houve o alerta para o isolamento, sempre estiveram ligados aos grupos de alta vulnerabilidade. O impacto do novo Coronavírus na vida dos idosos foi tema central de discussão internacional levantada pela ONU.
“A COVID-19 é uma doença nova e podemos considerar que ainda há muito a ser conhecido. Contudo, até o momento, sabe-se que as pessoas idosas e aquelas com comorbidades têm maior risco de adoecimento com formas mais graves, assim como maior mortalidade associada à Covid-19”, reforça a infectologista do Hospital Santa Catarina, de São Paulo, Dra. Glaucia Fernanda Varkulja.
A médica explica que os cuidados com este grupo devem ser os mesmos aos anunciados para toda a população.
“As medidas de proteção passam por higienizar as mãos com frequência (valendo para isso lavá-las com água e sabão ou utilizar produto alcoólico específico para essa finalidade); usar máscara cobrindo nariz e boca; manter distância segura das pessoas (1,5 m a 2 m); não tocar os próprios olhos, o nariz ou a boca; e, em caso de tosse ou espirros, ‘cobrir sua tosse’ com o braço dobrado (mesmo que esteja em uso de máscara). Caso tenha de sair, procurar ambientes bem ventilados e evitar aglomerações. Se puder permanecer em casa, melhor”, orienta a profissional.
Rotina médica
O envelhecimento traz inúmeras alterações fisiológicas que tornam o idoso mais vulnerável. Assim, mesmo antes da pandemia, muitos deles já tratavam de outras doenças, como diabetes, hipertensão ou enfermidades cardíacas, realidade que pede acompanhamentos médicos constantes.
“Esse público não pode atrasar em nenhum atendimento de emergência para sua condição médica de base, por medo da Covid-19. É importante buscar informação junto ao médico quanto à urgência ou criticidade do acompanhamento e se é seguro postergar a avaliação. Pode haver possibilidade de consulta por telemedicina, por exemplo, ou receitas de medicamentos de uso contínuo com prazo de validade maior”, sugere a Dra. Glaucia, alertando que a demora em ir ao médico pode implicar num agravamento da condição clínica, dificultando o manejo.
Como cuidar da saúde do idoso
O coordenador de Psicologia do Hospital São Vicente, de Jundiaí, Roberto Tafarello, explicou que, para lidar com os idosos, é necessário criar artifícios para isto. “São carentes por natureza e possuem a necessidade do convívio social”, avalia o especialista ao se posicionar sobre o motivo dos idosos reclamarem tanto de não poderem frequentar mais espaços públicos ou casa de parentes.
Contudo, para o psicólogo, neste momento ainda de isolamento social, deve existir, sim, a preocupação de manter as relações familiares e sociais para ajudar os idosos de alguma forma. “Buscar uma atividade que interesse a eles, como leitura, caça-palavras ou pinturas, é uma forma de ocupar o tempo e se distraírem com algo que lhes cause bem-estar”, conclui Tafarello.
O mais importante é mostrar que os familiares estão presentes, mesmo de longe, para que não se sintam abandonados. “Manter uma rede de solidariedade, utilizando os recursos de tecnologia disponíveis para encontros virtuais com familiares, é a melhor forma de contato”, propõe a Dra. Glaucia.
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