
Existe vacina contra depressão? Ainda não. Mas sabe-se que boa parte das pessoas que ficaram internadas pela Covid-19 e se recuperaram da doença, apesar de terem vencido o vírus, podem sofrer por outro problema: o estresse pós-traumático. Esse risco existe, segundo uma pesquisa divulgada por cientistas da Universidade College London, da Inglaterra.
Os pesquisadores embasaram o levantamento em mais de 70 países com mais de 3,5 pessoas hospitalizadas com Covid-19, Sars e Mers, síndromes respiratórias causadas por outros tipos de coronavírus. O resultado focou nos diagnósticos de problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e transtorno do estresse pós-traumático.
Dados como esses não espantam já que a pandemia veio rodeada de notícias inquietantes, perdas, quarentena sem fim, mudanças consideradas drásticas, além do isolamento social. Nessa toada, os cuidados com a depressão merecem atenção redobrada e cuidados preventivos.
Saúde mental no isolamento social
A depressão é uma doença psiquiátrica cada vez mais comum no mundo, que tem como sintomas clássicos tristeza, desânimo e dificuldades em ver prazer na vida na maior parte do tempo.
Aliás, a descrição da depressão faz lembrar o estado em que o mundo vive hoje, segundo comenta o psicólogo e especialista em Psiquiatria e Saúde Mental, pelo Centro Universitário Ítalo-Brasileiro, Emerson Marques.
Mas ele alerta que é preciso diferenciar emoções de um processo de doença. “O momento atual, de fato, é delicado. Com a quarentena e o isolamento social, gerando quadros de ansiedade, medo, fobias e, por vezes, tristeza e desesperança. É natural ‘reagir’ aos contextos que estamos vivendo, e esperado passar por fases como a negação e raiva em relação à realidade”, diz.
Fatores que são reais na vida das pessoas, como perda de emprego e consequente endividamento ou risco de morte por contato com o vírus (muitas vezes no ambiente médico) deixam a população mais susceptível a pensamentos negativos. Além disso, mesmo com o início da retomada, os desafios continuam.
“O corpo que fica confinado e recluso em pequenos espaços e se vê obrigado a ir para a rua, enfrentar o vírus, também se sente reprimido”, acrescenta o terapeuta em Análise Bioenergética e pelo International Institute for Bioenergetic Analysis (IIBA), Gefferson Eusébio.
E, neste ambiente, há uma diferença de comportamentos entre o universo masculino e o feminino. Para Eusébio, a mulher tem uma atitude muito mais honesta em relação ao que sente, diferente dos homens.
“Se a gente coloca isso dessa forma, notamos que, devido à cultura que vivemos (excessivamente hetero normativa), acaba que o homem custa muito a buscar ajuda. O que não acontece com as mulheres, que tendem ser mais corajosas em enfrentar a realidade”, conclui.
O que fazer para sair desta?
Enquanto a vacina não chega, é necessário cuidar da mente. Muitos médicos, inclusive, já aderiram às consultas on-line, o que é uma boa opção para quem está no grupo de risco ou até mesmo se sente sozinho.
“Atendo 12 pacientes por semana por meios de ferramentas da web e nas lives que promovo para auxiliar pessoas que sofrem com a pandemia. As visualizações chegam a mil acessos, todas dispostas a ouvir e discutir o tema comportamento durante o distanciamento social”, comenta Eusébio.
Marques explica que fortalecer a crença de que é um momento e que tudo vai passar pode ajudar a diminuir a ansiedade e inquietudes.
“É preciso dar vazão as emoções, fortalecendo relações de amizade e laços familiares, mesmo que virtualmente. Falar sobre o que dói. Buscar ajuda profissional sempre que as coisas parecerem fugir do controle”, esclarece.
Nesse sentido, segundo Marques, são hábitos importantes:
- Manter uma alimentação saudável;
- Praticar atividades físicas, dentro de casa mesmo há vários vídeos disponíveis na internet para iniciantes, praticantes de yoga, meditação;
- Leitura;
- Ouvir músicas;
- Manter contato por telefone ou redes sociais com amigos e familiares para evitar o sentimento de solidão;
- Reparar nas coisas que dão prazer e fazem se sentir bem;
- Buscar atividades de relaxamento e distração, como meditação, brincar com o pet, escrever, desenhar, bordar, etc.
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