
Mesmo com a flexibilização do isolamento social, muitas pessoas ainda se sentem inseguras de frequentar academias ou qualquer ambiente fechado para movimentar o corpo por receio de infecção pela Covid-19. A solução, nesse caso, é recorrer às aulas virtuais ou praticar exercícios dentro de casa por conta própria.
O problema dessa alternativa é a pessoa achar que o corpo continua condicionado como anteriormente e retomar os exercícios rotineiros na mesma intensidade a que já estava acostumada, alerta o ortopedista, traumatologista e médico do esporte e vice-presidente da Confederação Sulamerica de Medicina do Esporte (Cosumed), Dr. Ricardo Munir Nahas.
“O ideal seria realizar testes físicos que mostrem a condição física atual do praticante para um reinício seguro e menos suscetível a lesões musculares. Se isso não for possível, deve-se reduzir o volume semanal de treinamento em pelo menos 50% para uma nova adaptação do treino”, ensina o Dr. Nahas.
Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o ganho de peso decorrente da quarentena. Na maioria das vezes, os exercícios são praticados por músculos antigravidade e os quilos a mais impõem esforço extra, explica o médico. “Por isso, além de reduzir o volume de treino, a progressão deve ser lenta e gradual, algo em torno de 10% de aumento a cada mês de treinamento.”
As causas de lesões musculares
Segundo o Dr. Nahas, as principais causas de lesões musculares são sobrecarga excessiva de exercícios, número inadequado de repetições do exercício, postura errada durante a prática do esporte, falta de condicionamento físico, assim como a falta de acompanhamento de um profissional de educação física.
“A dor muscular tardia, aquela famosa ‘dor do dia seguinte’, é a mais frequente e reflete pequenas lesões, mas em quantidade suficiente para doer. A câimbra é outro sinal de fadiga muscular e, embora se resolva de maneira espontânea, pode ser dolorida e incômoda.”
De qualquer forma, é sempre importante ressaltar que os benefícios de levantar do sofá e movimentar o corpo superam os riscos e, de quebra, equilibram a saúde física e mental, fundamental nesse momento de pandemia e isolamento social.
Foco no alívio da dor
Geralmente, as lesões mais leves se resolvem apenas com repouso, massagem suave, banhos quentes e uso de analgésico para alívio da dor. Segundo o ortopedista, a recuperação acontece em pouco tempo, no máximo três dias. No entanto, rupturas musculares de maior gravidade, que são mais frequentes na prática de esportes coletivos e de alta intensidade, exigem uma avaliação médica mais detalhada e podem demorar meses para a total recuperação.
Entre as lesões musculares mais comuns estão estiramento, distensão, contusão e, por fim, mas também não menos comum, a ruptura, que envolve o rompimento parcial ou total das fibras musculares.
“Nesses casos, os sintomas são observados logo após o trauma, como dor, inchaço, dificuldade de movimentação, fraqueza e rigidez articular”, adverte o Dr. Nahas. Por isso, a prevenção é o melhor remédio e vem acompanhada de exercício físico na dose certa.
Como identificar fraturas
Sofrer lesões faz parte da vida de qualquer indivíduo, mas é necessário ter cuidado na hora de praticar atividade física, adverte o ortopedista do esporte e médico da Comissão Atlética Brasileira de MMA e UFC Brasil, Dr. Daniel Carvalho.
“Como várias lesões apresentam sintomas parecidos, é difícil diferenciar se houve ou não fratura. Por isso, é importante saber diferenciar os tipos e graus do ferimento.”
A fratura é caracterizada pela perda da continuidade óssea. E mesmo que os ossos tenham certa flexibilidade, eles podem fraturar. “Isso pode ser identificado por meio de sintomas, como dor, inchaço na região, presença de hematomas, dormência e formigamento da área, diferença de temperatura entre o local machucado e o resto do corpo e a incapacidade do funcionamento normal da parte afetada”, enumera.
“Quando a fratura ocorre, é imprescindível procurar ajuda médica. O tratamento varia de acordo com cada lesão. Em casos mais graves, placas de metal e parafusos aplicados internamente podem ser necessários”, acrescenta.
Segundo o Dr. Carvalho, as fraturas dos braços, antebraços e clavículas são as mais comuns. “Como os ossos das pernas são mais resistentes, as fraturas nesse membro são mais raras.”
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