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Menopausa e climatério: transição complexa

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A principal característica da menopausa é a passagem de 12 meses desde a última menstruação. Ela acontece, em média, perto dos 50 anos de idade, mas a faixa etária média está entre os 40 e os 65 anos de idade.

Quando acontece antes disso, é chamada menopausa precoce. No Brasil, a média etária da ocorrência da menopausa é de 48 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) presentes no Manual de Orientação em Climatério, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A grande maioria das mulheres teme a chegada da menopausa, seja pelo desconforto dos sintomas, seja pelo ato de envelhecer. “Em geral, acreditam que depois da menopausa serão velhas e que a vida sexual será muito afetada neste período”, pontua a ginecologista e obstetra da Clínica Pró Mulher, Dra. Renata Guarisi.
A ginecologista e obstetra, gerente médica de Saúde Feminina da Bayer Brasil, Dra. Thais Ushikusa, complementa dizendo que o grande medo das mulheres talvez seja a mudança que esse período envolve.

Dicas do Gui: O que pode antecipar a menopausa?

Fatores socioeconômicos: mulheres que têm longas jornadas de trabalho e exercem atividades estressantes têm mais chances de entrar na menopausa mais cedo.

Paridade: mulheres nulíparas, ou seja, que nunca tiveram filhos, têm menopausa mais precocemente, enquanto o aumento da paridade correlaciona-se à menopausa mais tardia.

Tabagismo: estudos de caso-controle, relacionando o tabagismo e a antecipação da menopausa, mostram que a idade da instalação da menopausa é antecipada de 12 a 18 meses em fumantes. Essa antecipação tem sido explicada pela deficiência estrogênica causada diretamente pelo tabaco, podendo não só antecipar o aparecimento de sintomas da menopausa, mas também das doenças estrógeno-relacionadas, como a osteoporose e as cardiovasculares.

Altitude: mulheres que vivem em países de altitudes maiores podem apresentar a menopausa em idade mais precoce.

Nutrição: alimentação deficiente e baixo peso levam à ocorrência precoce da idade da menopausa.

Fonte: diretora médica da EMS, Dra. Arcangela Valle

“É uma alteração importante, pois a mulher sai da fase fértil da vida e entra na fase em que não é mais capaz de gerar filhos. Muitas vezes, isso tem um impacto psicológico, pois por mais que ela não queira mais ter filhos, isso quase sempre pode pesar. A mulher sente que envelheceu, pois o seu processo é diferente dos homens, que não têm uma data marcada para isso acontecer.”

Quando esse período começa, os hormônios diminuem muito, principalmente o estrogênio, consequentemente, a alteração hormonal que pode acarretar distúrbios do humor e do sono, além de fadiga e fogachos.

Como prevenir os sintomas?

Há uma estimativa de que cerca de 80% das mulheres com menopausa vão apresentar algum tipo de sintoma, e destas, 45% acreditam que estes sintomas atrapalham a sua qualidade de vida, segundo aponta a Dra. Thais, da Bayer.

Como consequência à alteração do fluxo menstrual, está o comprometimento da qualidade da vida sexual, pois o sangramento pode causar falta de libido. “Além disso, a mulher tem menos lubrificação e isto piora a qualidade da relação sexual, pois pode sentir dor”, acrescenta.

As recomendações da especialista da Bayer para a entrada da menopausa com qualidade de vida são:

  • Cuidados com a alimentação;
  • Evitar gorduras e frituras, pois há uma redução do metabolismo e é comum ganhar peso;
  • Praticar exercícios físicos e ter hábitos de vida saudáveis, o que ajuda a ter uma boa qualidade de vida;
  • Evitar o tabagismo, pois o cigarro aumenta o risco cardiovascular e as mulheres na menopausa já apresentam um risco aumentado nesta fase, pois os hormônios param de oferecer proteção;
  • Como a menopausa também afeta a saúde dos ossos, é importante o consumo de alimentos ricos em cálcio e tomar sol todos os dias, por 15 minutos, para aumentar os níveis de vitamina D, importantes tanto para os ossos como para regular o sono e a cognição;
  • Para aquelas que apresentam fogacho, é importante evitar alimentos apimentados e com excesso de cafeína;
  • Procurar sempre um médico para fazer o acompanhamento adequado anualmente.

Opções de tratamento

Uma das formas mais indicadas para tratar os sintomas da menopausa e do climatério é por meio da Terapia de Reposição Hormonal (TRH). “A TRH envolve tomar estrogênio para substituir o declínio nos níveis deste hormônio no corpo da mulher na época da menopausa. Isso pode aliviar muitos dos sintomas associados”, segundo afirma a diretora médica da EMS, Dra. Arcangela Valle.

Segundo a especialista da EMS, a TRH deve ser oferecida às mulheres com sintomas da menopausa, depois de se discutir os riscos e benefícios com o médico.


Existem dois tipos principais de TRH:

  • TRH combinada (estrogênio e progestogênio): para mulheres com sintomas da menopausa que ainda têm o útero (o estrogênio isolado pode aumentar o risco de câncer de útero).
  • TRH exclusiva de estrogênio: para mulheres que tiveram seu útero removido em uma histerectomia.

“O tratamento está disponível na forma de comprimidos, adesivos para a pele, ou implantes. É extremamente eficaz no alívio dos sintomas da menopausa, especialmente ondas de calor e suores noturnos, mas há efeitos colaterais”, afirma a Dra. Arcangela, acrescentando que a TRH não é aconselhável para quem teve certos tipos de câncer de mama ou tem em alto risco de contrair a doença.

Para as pacientes que não podem se tratar com a TRH, o uso de isoflavonas (genisteída e daidzeína, são as mais conhecidas) pode ser uma alternativa. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a isoflavona é um composto orgânico natural presente na soja e em alimentos derivados dela. Sua estrutura química se assemelha à dos estrógenos (hormônios femininos), o que faz com que elas sejam consideradas fitoestrogênios. Seu mecanismo de ação se dá por meio de sua interação com os receptores estrogênicos; possuem efeitos antioxidantes e propriedades de inibição enzimática.

Perda óssea x menopausa

Com a aproximação da menopausa, há redução da produção do hormônio feminino pelos ovários e perda acelerada da massa óssea, podendo causar osteoporose e risco de fraturas. Todas as mulheres são mais propensas ao problema, segundo esclarece o ginecologista e obstetra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Dr. Odair Albano.

Segundo ele, desde que a criança nasce, ela vai acumulando massa óssea, que é um depósito de minerais, cálcio e fóssil dentro dos ossos. Entre os 20 e 30 anos de idade, o osso já está muito forte por conta deste acúmulo, mas eles se renovam o tempo todo.

Depois dos 30 anos de idade, a ‘perda óssea’ é maior do que o ganho e os ossos vão ficando mais frágeis, podendo causar a osteopenia, que pode evoluir para a osteoporose.

“As principais causas da aceleração dessa perda são redução de hormônio (menopausa), idade, baixo peso, tabagismo e alcoolismo, além da utilização frequente de corticoides”, diz.

Alimentação com fontes de cálcio (laticínios, vegetais verde-escuro e sardinha), exposição ao sol por pelo menos 15 minutos/dia, sem filtro solar e atividade física regular são as formas de prevenção.

“A suplementação em cápsulas ou comprimidos de 1.000-2.000 UI/dia de vitamina D também pode ser associada porque reduz o risco de osteoporose, fraturas e de outras doenças, e ainda traz melhora da imunidade contra infecções respiratórias”, finaliza o Dr. Albano.

Foto: Shutterstock

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