
A memória depende de múltiplos processos biológicos, como neurotransmissores, fluxo sanguíneo cerebral e controle do estresse oxidativo, conforme explica o cirurgião do aparelho digestivo e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Dr. Renato Araújo Pereira. “Precisamos que os neurônios se comuniquem bem e que o organismo esteja em equilíbrio”, pontua.
Nesse processo, vitaminas, compostos naturais e antioxidantes aparecem como promessas para proteger o cérebro e retardar o declínio cognitivo, especialmente a partir da meia-idade. Mas até que ponto esses produtos realmente funcionam?
Segundo a ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, Dra. Aline Marques, os suplementos mais buscados para melhorar a memória incluem vitaminas do complexo B (B6, B9 e B12), vitamina D, vitamina C, ômega-3, coenzima Q10, ginkgo biloba e resveratrol.
Ela alerta, porém, que as evidências científicas ainda são limitadas e contraditórias. “Eles podem trazer benefícios, mas sem comprovação robusta”, afirma.
Começando pelo ômega-3, a Dra. Aline explica que ele é o componente estrutural dos neurônios e atua como antioxidante e anti-inflamatório. Já as vitaminas do complexo B participam da síntese de neurotransmissores e da regulação da homocisteína, associada a um maior risco de demência.
Segundo a médica, há relatos de melhora da memória em idosos com a combinação de ômega-3 e vitamina B, enquanto o ginkgo apresenta efeitos mais modestos.
Somados a eles, o especialista da SBCBM acrescenta outros suplementos com respaldo para esse fim, como o magnésio, especialmente quando há deficiência nutricional ou sobrecarga mental. A creatina também pode ajudar na fadiga mental e na memória de curto prazo.
“Os suplementos podem ajudar, mas funcionam melhor quando são personalizados e acompanhados de mudanças no estilo de vida”, conclui.
Também é preciso ter atenção aos efeitos adversos. O ômega-3 pode provocar náuseas, diarreia, gosto de peixe na boca e aumentar o risco de sangramento em quem usa antiagregantes plaquetários. Já doses elevadas de vitaminas do complexo B podem causar neuropatia. O ginkgo biloba também exige cautela em usuários de anticoagulantes.
MEDIDAS PREVENTIVAS
Apesar do benefício dos suplementos, eles não atuam sozinhos. O estresse e o cansaço mental também impactam a memória. “O aumento do cortisol prejudica a função cognitiva, especialmente em mulheres, devido à queda do estradiol, que antes atuava como fator protetor”, diz a Dra. Aline.
Também são fundamentais a alimentação equilibrada, o sono adequado e a atividade física regular
Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Shutterstock