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Micoses: doença reincidente

Mais comuns no verão, os fungos causadores das micoses não escolhem sexo e faixa etária para atacar. Fique atento e saiba orientar sobre prevenção

Assim como muitos brasileiros, os fungos causadores das micoses também adoram o verão, estação climática perfeita para a proliferação. Isso porque as altas temperaturas e a umidade formam as condições ideais para a colonização, especialmente na pele, nas unhas e no couro cabeludo.

E não é só o calor e a umidade que predispõem o desenvolvimento das micoses. Segundo a dermatologista e assessora do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Ana Claudia de Brito Soares, os fungos estão espalhados por todos os ambientes e em contato permanente com a pele, por isso eles são capazes de invadir o organismo de qualquer pessoa, independentemente de sexo ou faixa etária.

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“Além da condição climática, outros fatores podem predispor a micose, como hábitos de higiene inadequados, uso frequente e prolongado de calçados fechados, roupas justas ou molhadas e até sistema imunológico enfraquecido por conta de algumas doenças.”

O interesse maior pela prática esportiva e pelo contato com a natureza são outros fatores que têm aumentado o risco de exposição a ambientes contaminados por fungos, mas isto não significa que é preciso eliminar esses hábitos do dia a dia. Só é necessário que as pessoas adotem práticas de prevenção para driblar o desenvolvimento das infecções fúngicas.

Em geral, as micoses superficiais causam um problema estético que, de imediato, incomoda mais as mulheres. “É verdade que essa forma da doença não traz grandes riscos à saúde da maioria das pessoas, mas, é claro, não dispensa o tratamento adequado”, alerta a dermatologista. “Para evitar o comprometimento da qualidade de vida, é preciso tratar a micose de acordo com o tipo, extensão e local atingido. Ela pode começar como uma infecção cutânea ou subcutânea que, se não tratada adequadamente, pode se disseminar para outros órgãos.”

Dicas para que o paciente aprenda a se proteger da micose

Os hábitos adequados de higiene são fundamentais na prevenção das micoses. Então, vale anotar algumas dicas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) para orientar os pacientes da farmácia:

  1. Usar somente o próprio material ao ir à manicure.
  2. Evitar o contato prolongado com água e sabão e, após o banho, secar muito bem as axilas, virilhas e entre os dedos dos pés.
  3. Não andar descalço em locais que sempre estão úmidos, como vestiários, saunas e lava-pés de piscinas.
  4. Evitar ficar com roupas molhadas por muito tempo.
  5. Não compartilhar toalhas, roupas, escovas de cabelo e bonés, pois estes objetos podem transmitir doenças.
  6. Não usar calçados fechados por longos períodos. Dar preferência aos mais largos e ventilados.
  7. Evitar roupas muito quentes e justas e aquelas feitas de tecidos sintéticos, pois não absorvem o suor, prejudicando a transpiração da pele.

Segundo a Dra. Ana Claudia, as micoses cutâneas costumam se desenvolver na pele, no couro cabeludo, nas unhas e em áreas mais úmidas, que se transformam no habitat ideal para os fungos se proliferarem. “Dependendo da região acometida, os sintomas podem variar desde ardor, coceira, inflamação ou descamação da pele até deformações nas unhas. No caso das micoses subcutâneas e sistêmicas, há a possibilidade de o fungo atingir ossos e outros órgãos.”

A boa notícia é que alguns tipos de micose são tratados em poucos dias somente com o uso de cremes antifúngicos. Entretanto, certos fungos, especialmente os que afetam as unhas, exigem tratamento mais prolongado e persistente.

Combatendo o problema

O tratamento das infecções fúngicas vai depender do tipo de micose, localização e extensão. “Se não for tratada adequadamente, a doença pode ficar bastante incômoda e dolorosa”, avisa a médica. “Em geral, os tratamentos das lesões mais superficiais da pele costumam ser simples e rápidos, com o uso de medicamentos tópicos sob a forma de loções, cremes e spray.”

A dermatologista membro da SBD e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), Dra. Paola Pomerantzeff, acrescenta que quando se fala em combater os fungos que se desenvolvem no couro cabeludo, o tratamento também pode exigir o uso de medicação oral assim como as micoses das unhas. “Nas unhas, as micoses são as de mais longo tratamento e também de maior duração, podendo ser necessário manter a medicação por até um ano. Nesse caso, falamos que a persistência é fundamental para se obter a cura. Embora um pouco demorado, o tratamento não deve ser interrompido assim que cessarem os sintomas”, finaliza ela.

Micose: grupos mais suscetíveis

Considerada uma doença corriqueira e fácil de “pegar”, a micose pode se desenvolver em qualquer pessoa, desde bebês até idosos. É claro que alguns perfis de pacientes têm mais chances de apresentar essa infecção, como as pessoas acamadas e com quadros de imunodeficiência, adverte a dermatologista do Hospital 9 de Julho, Dra. Lizandra Machado.

“Esse grupo está mais suscetível à micose, pois a imunidade do organismo está comprometida, facilitando a invasão de qualquer fungo ou bactéria capazes de provocar graves complicações.”

A médica acrescenta que os portadores de diabetes se enquadram na mesma categoria, especialmente quando a glicemia está descontrolada por muito tempo, “o que aumenta não só a chance de desenvolver infecções, como também a dificuldade de cicatrização”.

Tipo de micose X tratamento

Couro cabeludo

As micoses nessa região, também chamadas de tinea capilar ou tinea do couro cabeludo, acometem mais frequentemente as crianças em idade escolar e podem causar coceira, lesões, crostas e falhas no couro cabeludo. Em geral, o tratamento envolve o uso de antifúngico oral, como griseofulvina ou terbinafina, além de xampus específicos. O tratamento pode durar de quatro a seis semanas.

Boca

Na boca, o principal fungo é chamado de cândida, popularmente conhecido como sapinho, e atinge especialmente as crianças e os pacientes cuja imunidade é muito reduzida. Em geral, a doença se manifesta por meio de aftas e placas avermelhadas e/ou brancas na boca e bochechas, podendo evoluir para as amígdalas, a garganta e o esôfago, causando dor para mastigar e engolir. O tratamento pode se dar com o uso de enxaguatórios orais ou antifúngico cujo princípio ativo é a nistatina, três vezes ao dia, por cinco a sete dias.

Virilha

O tipo de micose da virilha mais comum é chamado de tinea cruris e caracteriza-se por causar manchas avermelhadas ou acastanhadas, coceira e descamação. O tratamento dura de 15 a 21 dias e envolve o uso de antifúngico tópico, como cremes à base de imidazólicos, e também medicamento oral quando o quadro for muito extenso.

Pés

Também chamada de pé-de-atleta ou frieira, a micose nesta região surge, principalmente, entre os dedos dos pés. A descamação da pele é o principal sintoma e pode vir acompanhada de mau cheiro, pele esbranquiçada e até coceira. O tratamento pode durar de dois a três meses e engloba o uso de cremes ou sprays que contenham imidazólicos (cetoconazol, clotrimazol ou miconazol).

Unhas

A micose das unhas, tanto dos pés quanto das mãos, pode ser de vários tipos, mas as mais comuns são chamadas de tinea da unha. Nessa região, os principais sintomas são alterações na cor da unha, descolamento, fragilidade, quebra, fendas e deformações. Na maioria dos casos, o tratamento é feito com o uso de antifúngicos orais e esmaltes, podendo durar de seis a 12 meses.

Fontes: dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), Dra. Paola Pomerantzeff; e dermatologista e assessora do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Ana Claudia de Brito Soares

De acordo com a Dra. Paola, outro perfil que merece atenção especial é o paciente obeso, pois, por conta do excesso de peso, apresenta dobras de pele pelo corpo todo que ficam em contato constante com o calor e a umidade. “O mesmo raciocínio vale para os atletas ou pessoas que praticam esportes por longos períodos. Embora não seja pelas dobras de pele, o suor excessivo também facilita a proliferação dos fungos, especialmente nos pés e na virilha.”

Embora a micose no couro cabeludo seja mais comum em crianças, inclusive porque a transmissão do fungo acontece pelo simples fato de compartilhar objetos utilizados no cabelo, como pentes, escovas, elásticos, tiaras e bonés, qualquer pessoa está suscetível ao problema. “Se não tratada adequadamente, a doença pode evoluir com processo inflamatório local ao ponto de causar dor, coceira e até deixar cicatrizes”, adverte a médica do Hospital 9 de Julho.

“Por isso, é fundamental investir na prevenção. Manter a higiene adequada, evitar o uso de roupas apertadas ou molhadas por longos períodos e não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas, roupas íntimas ou lençóis, são algumas atitudes que contribuem para driblar o aparecimento das infecções fúngicas.”

Foto: Shutterstock

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Edição 322 - 2019-09-09 O que está por vir?

Essa matéria faz parte da Edição 322 da Revista Guia da Farmácia.

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