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Mulheres focadas na prevenção

Seja por questões culturais ou pelo aumento de campanhas sobre a saúde feminina, é fato que as mulheres se cuidam mais do que os homens. saiba quais são as maiores preocupações e onde moram os grandes riscos

Que elas costumam cuidar mais da saúde do que os homens é um fato comprovado. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde (MS), em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, apontou, por exemplo, que 71,2% dos brasileiros haviam se consultado com um médico pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores à entrevista.

Entretanto, quando o recorte do estudo avalia homens e mulheres separadamente, essa porcentagem sobe para 78% entre elas, e cai para 63,9% entre eles.

Já a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), também de 2015, e realizada em parceria entre o MS e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que avaliou o perfil dos usuários de planos de saúde no País, apontou que a frequência de adultos fumantes é menor entre o público feminino (5,4% contra 9,5%); e que o excesso de peso também é mais baixo entre elas (45,9% contra 60,4%).

Esses cuidados maiores se refletem, inclusive, na expectativa de vida das brasileiras. Segundo dados da Tábua de Mortalidade de 2016, publicada pelo IBGE, enquanto a expectativa de vida dos homens, em 2016, era de 72,9 anos, a das mulheres atingiu 79,4 anos (veja gráfico).

Mas por que elas se preocupam mais com a saúde? Para o ginecologista do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Eduardo Vieira da Motta, os motivos podem ser diversos, a começar pela força da gestação.

Expectativa de vida ao nascer – Brasil

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Diretoria de Pesquisas (DPE)

“As mulheres frequentam serviços de saúde desde mais jovens – tanto para evitar a gravidez, como para fazer pré-natal – e aprendem a importância da realização de avaliações clínicas e de exames desde cedo”, analisa, acrescentando que elas também são responsáveis, em muitas ocasiões, pelo cuidado da família, o que implica em fazer escolhas de saúde para os filhos e companheiros, como vacinação ou alimentação, por exemplo.

Somam-se a todos esses fatores, as campanhas de saúde e ações preventivas crescentes no País. “Os meios de comunicação também têm sido canais eficazes para levar informação às mulheres. Assuntos relacionados à saúde têm sido pauta frequente”, destaca.

Em relação às maiores preocupações delas na hora da consulta médica, especialistas apontam que essas questões variam de acordo com a faixa etária.

“Entre as adolescentes, o foco são os problemas relacionados à menstruação (cólica, sangramento…), sexualidade [incluindo risco de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)]e contracepção”, descreve o Dr. Motta, complementando que entre as mulheres maduras, os cuidados são voltados à gravidez, desde eventuais dificuldades até hábitos associados a uma gestação saudável.

À medida que a idade avança, torna-se crescente a preocupação com manutenção de qualidade de vida para enfrentar as mudanças da menopausa, além do aparecimento de doenças e o risco de câncer. Após a menopausa, há crescente atenção para prevenção de doenças, sendo os cuidados com o câncer de mama o mais comum.

“Aspectos da sexualidade também são importantes, considerando que a falta de hormônios pode interferir nesta questão”, diz o especialista do Sírio-Libanês.

Sedentarismo e obesidade

Embora as pesquisas apontem que a prevalência da obesidade seja maior entre homens do que em mulheres, a doença não deixa de ser alarmante no universo feminino. No Brasil, o número de pessoas com sobrepeso ultrapassou os 53,9% e do total de obesos, 50,8% são mulheres (Vigitel 2015).

“O que mais influencia para essa realidade, além da genética, são os hábitos de vida e a alimentação, com grande quantidade de industrializados”, pondera a ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, Dra. Alessandra Bedin.

Mas seja qual for o motivo, sabe-se que as consequências vão muito além de questões estéticas. “A obesidade pode levar ao aumento de doenças cardiovasculares e até dos riscos de câncer”, sinaliza a ginecologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Dra. Maria Luisa Mendes Nazar.

O Dr. Motta lembra outros problemas que também podem ser reflexo da obesidade. “Em ginecologia, crescem os casos de câncer de mama e endométrio entre pacientes com esse perfil. Hipertensão arterial e diabetes podem estar igualmente relacionadas”, adverte.

A obesidade também pode estar relacionada ao sedentarismo. Afinal, diante de múltiplas tarefas diárias entre cuidados com o lar e com a vida profissional, o tempo para atividades físicas pode ficar reduzido.

Segundo dados da pesquisa Diagnóstico Nacional do Esporte, desenvolvida pelo Ministério dos Esportes e divulgada em 2015, o sedentarismo é mais comum entre as mulheres, grupo em que o índice chega a 50,4%, enquanto entre os homens, o percentual cai para 41,2%.

“Cada vez mais, tanto homens quanto mulheres se tornaram mais sedentários. Essa realidade aumenta as chances de desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares, bem como de doenças psiquiátricas, como depressão e ansiedade”, alerta a Dra. Alessandra.

Risco iminente

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte entre as mulheres. Somente em 2015, foram mais de 57 mil óbitos, somados os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e esta incidência vem crescendo entre o público feminino.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo, o equivalente a cerca de 8,5 milhões de óbitos por ano, mais de 23 mil por dia.

Para o cardiologista da Cardio D’Or, serviço do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco especializado em saúde do coração, Dr. André Feldman, essa realidade é reflexo do aumento da proporção de mulheres inseridas no mercado de trabalho.

Principais causas de morte entre mulheres

Fonte: Óbitos por residência por Sexo segundo Categoria CID-10, 2015. Ministério da Saúde (MS)/Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)/Coordenação Geral de Informações e Análise Epidemiológica (CGIAE) – Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)

“A dupla jornada pode estar relacionada ao crescimento dos níveis de estresse, má alimentação, falta de atividade física, entre outros fatores de risco para infarto”, observa.

Após a menopausa, os cuidados devem ser redobrados. Nesse período, a mulher perde a proteção vascular proporcionada pelos hormônios da idade fértil e que são responsáveis pela proteção da formação de placas de gordura nas artérias coronárias.

“De modo geral, a partir dos 50 anos de idade, quando acabam os hormônios, os riscos de doenças cardiovasculares passam a ser iguais entre homens e mulheres”, lembra a Dra. Maria Luisa.

Entre as principais causas de mortalidade entre mulheres, também está o diabetes, doença que pode aumentar a propensão de doenças, como AVCs e IAMs. No último dia 14 de novembro, quando foi celebrado o Dia Mundial do Diabetes, a OMS alertou que cerca de 8% das mulheres – ou 205 milhões – vivem com a doença em todo o mundo.

Foto: Shutterstock

Protagonistas do consumo

Edição 303 - 2018-02-01 Protagonistas do consumo

Essa matéria faz parte da Edição 303 da Revista Guia da Farmácia.