
Um carro com motor potente pode até rodar por muitos anos. Mas sem revisões, com combustível de má qualidade e sob constante sobrecarga, ele inevitavelmente vai falhar. Com o coração, o “motor” do corpo humano, a lógica é semelhante. Ele pode ser resistente, mas não é infalível. E, infelizmente, muitas pessoas só percebem isso quando já é tarde demais.
As doenças cardiovasculares continuam sendo as principais causas de morte no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são responsáveis por cerca de 17,9 milhões de mortes por ano.
No Brasil, a média é alarmante: uma morte a cada 90 segundos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). E a pergunta permanece: por que, mesmo com tantos avanços da medicina, o coração ainda é tão vulnerável?
A resposta está na vida moderna, segundo a cardiologista e cardio-oncologista e membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, Dra. Nathalia Coelho.
“As pessoas vivem mais, o que aumenta o tempo de exposição aos fatores de risco. Além disso, o estilo de vida atual, marcado por sedentarismo, alimentação ultraprocessada, estresse crônico e sono insuficiente, favorece o desenvolvimento das doenças cardíacas”, explica.
Para o cardiologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, Dr. Gustavo Lenci Marques, o próprio sucesso da medicina ajudou a modificar o cenário da mortalidade global.
“Antes, as pessoas morriam de doenças infectocontagiosas. Com a evolução sanitária e medicamentosa, vivem mais e aí as doenças cardiovasculares passam a liderar as estatísticas.”
Entre os principais vilões do coração estão a doença arterial coronariana (associada ao infarto), as arritmias cardíacas, a insuficiência cardíaca e o Acidente Vascular Cerebral (AVC).
“São condições que afetam a irrigação do coração ou do cérebro, comprometem o bombeamento do sangue ou alteram o ritmo dos batimentos”, detalha a médica e membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.
Já a médica cardiologista do Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM), Dra. Lilian Cavalheiro, destaca também a hipertensão e o diabetes como doenças de base que, se mal controladas, comprometem diretamente a saúde cardiovascular.
REALIDADE MASCULINA E FEMININA
As doenças cardiovasculares têm diferenças entre homens e mulheres, e a distinção vai além das estatísticas. “O infarto, por exemplo, é mais precoce nos homens, enquanto nas mulheres tende a surgir após a menopausa”, explica a Dra. Nathalia.
Além disso, os sinais de alerta são diferentes. “Enquanto os homens sentem dor no peito, as mulheres muitas vezes apresentam sintomas como cansaço, náuseas e falta de ar e isso pode atrasar o diagnóstico”.
A médica também chama a atenção para condições específicas do sexo feminino, como a Síndrome de Takotsubo (ou Síndrome do Coração Partido) e a dissecção espontânea das coronárias, geralmente associadas ao estresse ou ao período pós-parto.
Mas algumas situações são comuns em ambos os sexos. Segundo os especialistas entrevistados, a relação entre estilo de vida e saúde cardiovascular é direta e incontestável. Sedentarismo, alimentação ruim, estresse crônico, tabagismo e consumo excessivo de álcool são os principais fatores de risco modificáveis.
“Não é só a presença dos hábitos nocivos, mas o tempo de exposição a eles que aumenta o risco. Quanto mais cedo a pessoa adota um estilo de vida prejudicial, mais vulnerável se torna ao longo dos anos”, alerta o Dr. Marques.
Fonte: Guia da Farmacia
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