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Nutrição: Bons hábitos começam na infância

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Quem tem filhos ou convive de perto com uma criança já deve ter ouvido ao menos uma vez a máxima de que as atitudes dos filhos muitas vezes refletem o hábito dos pais. Pois bem! Essa máxima também pode prevalecer quando o assunto é nutrição. Afinal, os hábitos alimentares da família são compartilhados e vão nortear a construção do paladar dos pequenos a partir do fim da amamentação.

De acordo com a médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Dra. Marcella Garcez, metade das crianças em idade pré-escolar apresenta alguma dificuldade alimentar. “A família é a principal responsável pela formação do hábito alimentar da criança e os pais devem ser o exemplo, mantendo uma rotina de refeições saudáveis, não utilizando barganhas ou chantagens”, alerta.

Uma alimentação equilibrada deve incluir alimentos, como tubérculos e cereais, grãos, carnes, legumes, verduras, frutas, óleos vegetais e oleaginosas, segundo orientam as nutricionistas do Sabará Hospital Infantil, Michelle B. Barbosa e Giovanna Cristina J. Alves.

Importante, inclusive, que sejam evitados alimentos industrializados, excesso de sal, açúcares refinados e gorduras saturadas. “Com uma alimentação nutricionalmente completa, conseguimos garantir o fornecimento de nutrientes necessários, sendo eles carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais essenciais para o desenvolvimento e bom funcionamento do organismo”, reforçam.

Quantidade x qualidade

Uma alimentação saudável, frequentemente, é confundida com comer muito. Entretanto, uma alimentação saudável está muito mais relacionada com a variedade e qualidade do que está sendo ingerido do que com a quantidade.

“As refeições devem obedecer às necessidades do organismo, contendo, portanto, todos os nutrientes necessários, tais como vitaminas, proteínas, lipídios e carboidratos”, destaca a Dra. Marcella.

A falta de informação sobre o que é um produto ultraprocessado e o que é um produto natural são fatores que contribuem para que os adultos façam escolhas ruins.

De acordo com a pediatra especializada em alimentação infantil da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dra. Jéssica Dantas, esse fator associado à falta de habilidades culinárias por parte dos pais faz com que muitas famílias optem por alimentos mais práticos, o que, em geral, são os ultraprocessados.

“O ideal são escolhas mais naturais respeitando a composição do prato. O ideal para crianças em geral é 50% legumes e verduras, 25% de cereais ou tubérculos e 25% de proteína animal, como carne e ovos”, recomenda.

Obesidade infantil

Atualmente, os números da obesidade são impactantes e a prevalência aumentou substancialmente nas últimas três décadas, tanto nos países desenvolvidos, como naqueles em desenvolvimento. As consequências são inúmeras, pois a obesidade infantil pode afetar profundamente a saúde física e a desenvoltura social da criança.

“A obesidade nessa faixa etária pode acarretar em baixo desempenho escolar e menor qualidade de vida da criança. O aumento da prevalência de obesidade entre as crianças está associado ao aparecimento de doenças, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemias, colesterol alto, apneia do sono e além disso, pode resultar em cálculos biliares, intolerância à glicose, resistência à insulina, asma e anormalidades menstruais”, alerta a Dra. Marcella.

As notificações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, de 2019, revelam que 16,33% das crianças brasileiras entre cinco e dez anos estão com sobrepeso; 9,38% com obesidade; e 5,22% com obesidade grave.

Em relação aos adolescentes, 18% apresentam sobrepeso; 9,53% são obesos; e 3,98% têm obesidade grave, segundo o Ministério da Saúde (MS).

“Com a pandemia, as crianças deixaram de frequentar as escolas, as atividades físicas e de lazer. Certamente, esses índices, que já eram altos, podem aumentar de maneira progressiva, pois o isolamento social é capaz de levar ao aumento do acúmulo de gordura. Tecido adiposo excessivo, déficit de massa magra, resistência à insulina, dislipidemia e hipertensão são algumas das consequências”, comenta a Dra. Marcella. A pediatra da BP alerta, ainda, que o fator cultural deve ser considerado quando se fala em obesidade infantil.

“Vimos de uma cultura em que se fala que crianças gordinhas são saudáveis. Isso porque o Brasil viveu a desnutrição, com crianças morrendo por isso e, a partir daí, criou-se essa cultura e, hoje, vivemos uma epidemia de obesidade e isso tem consequências ruins”, comenta.

Nutrição infantil no ponto de venda (PDV)

A farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, esclarece a classificação de alguns alimentos e fórmulas disponíveis para o público infantil nas farmácias. Acompanhe algumas delas:

Papinhas: constituem-se em mistura de alimentos de consistência suave. No entanto, quando industrializadas, podem configurar como opção interessante para quando a mãe está em uma situação em que não é possível preparar a comidinha do bebê ou mesmo conservar.

Farinhas de cereais: instantâneas (de arroz, milho ou trigo) – contêm açúcar e, mesmo em pequenas porções, acrescentam muitas calorias ao leite ou às frutas.

Fórmula infantil: foram criadas para bebês que, por alguma razão, não podem ser amamentados. É o leite de vaca modificado e acrescido de gorduras, proteínas, vitaminas e minerais, para que fique o mais parecido possível com o leite materno.

As fórmulas são indicadas para crianças de 0 a 6 meses, 6 a 12 meses e algumas de 12 a 36 meses de idade. É importante seguir a diluição de maneira correta, pois qualquer desequilíbrio na água (que deverá ser potável e fervida) ou no pó utilizados na preparação, a criança poderá ter desconforto abdominal.

Existem diversas fórmulas infantis desenvolvidas para públicos específicos, como: prematuros, sem lactose, antirregurgitação, proteína hidrolisada, de soja, entre outras.

Composto lácteo: não pode ser chamado de leite, pois possui na composição outros ingredientes, como óleos vegetais, açúcar e prebióticos. É o produto em pó resultante da mistura do leite de vaca e produtos ou substâncias alimentícias lácteas e/ou não lácteas aptas para alimentação humana, como: óleos vegetais, fibras, vitaminas e minerais.

No entanto, a legislação permite que o produto contenha apenas no mínimo 51% de ingredientes lácteos na composição, por isso, não pode ser classificado como leite. A presença de açúcar e aditivos alimentares na composição do produto não o tornam indicado como substituto do leite materno e de fórmulas infantis.

Leite em pó: é aquele que possui na composição apenas o leite de vaca, vitaminas e minerais. Por conta da imaturidade do sistema digestório do bebê e em razão do risco à alergia à proteína do leite, o leite em pó deve ser evitado antes de um ano de vida. As fórmulas infantis possuem a proteína do leite de vaca, mas durante o processo de produção, são modificadas (hidrolisadas) para se aproximarem do leite materno.


Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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