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O custo do dinheiro no Brasil

Os bancos comerciais que operam no Brasil dificultam o desenvolvimento das empresas de várias formas

Primeiro, oferecem crédito muito caro – o mais caro do mundo – ao empresário que, uma vez endividado, dificilmente conseguirá sobreviver ileso.

Segundo, o custo das transações bancárias – e não há empresa que possa tocar negócios sem elas – também é alto. Terceiro, o crédito é ainda mais caro para os consumidores, inibindo o consumo de bens que demandem financiamento ou comprometendo parcela importante da renda para pagar juros do crédito pessoal.

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Quarto, tudo isso junto reduz o consumo, as vendas, os lucros e os investimentos dos setores não bancários, o emprego, a renda, o consumo e assim sucessivamente. Não resta dúvida, a redução dos juros e demais custos bancários é fundamental para o crescimento da economia.

A função do sistema financeiro é intermediar as relações entre os agentes econômicos em suas operações e assim contribuir para o desenvolvimento econômico nacional. O problema começa quando diversos indicadores mostram que os bancos conseguem lucros tão elevados às custas dos demais setores da economia e, por isso mesmo, sufocam o crescimento dos negócios.

Estudo contratado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) em 2017 à consultoria Accenture mostra que as taxas cobradas pelos bancos brasileiros são as maiores do mundo em uma lista de doze países.

A situação é tão calamitosa que a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) iniciou uma campanha para a redução dos custos bancários. Usando dados do Banco Central (BC), fez a seguinte simulação para ilustrar o poder dos bancos em retirar recursos da economia: uma aplicação de R$ 100,00 em caderneta de poupança, há 10 anos, teria, hoje, R$ 198,03; o uso R$ 100,00 do cheque especial, há dez anos, hoje, “renderia” dívida de R$ 4.394.136,97!

A concentração forma um tipo de mercado chamando oligopólio, pois, aproximadamente, seis bancos detêm mais de 80% das transações. Quando isso acontece, essas empresas impõem seu preço ao consumidor que, sem alternativa, paga. Os juros e demais taxas são os preços dos produtos bancários, e todos nós, empresários e consumidores, estamos pagando preço de oligopólio.

O BC vem tentando levar os bancos a reduzir spreads, tanto por meio de diminuir custos para os bancos (redução dos depósitos compulsórios, por exemplo), como sensibilizá-los para explorar menos os demais setores econômicos.

“Trabalhando com serenidade num ambiente de inflação e juros básicos (Selic) baixos, tenho certeza de que vamos avançar consideravelmente (na redução dos spreads)”, diz o ministro Ilan Goldfajn, presidente do BC, (Valor, 10/4/2018).

por Profª. Dra. Maria Cristina Sanches Amorim – Diretora executiva da Abradilan e economista

Foto: Shutterstock

Polêmica nos fármacos

Edição 306 - 2018-05-01 Polêmica nos fármacos

Essa matéria faz parte da Edição 306 da Revista Guia da Farmácia.

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