O papel do farmacêutico na adesão do tratamento

Acompanhe, a seguir, alguns passos importantes nesse processo.

Invista no conhecimento

Estudos relatam que 50% dos pacientes não puderam descrever, corretamente, por quanto tempo deveriam tomar sua medicação; 70% não puderam relatar a frequência de administração; e 23% não puderam identificar o objetivo dos fármacos prescritos. Portanto, deve-se orientar o paciente e ajudá-lo na compreensão da sua doença e da farmacoterapia adequada.

Humanize no atendimento

O farmacêutico deve parar de focar somente no medicamento enquanto produto e passar a ser direcionado ao paciente, com a preocupação de que os riscos inerentes à utilização sejam minimizados. É preciso gerenciar melhor o tempo, diminuir as tarefas administrativas e aumentar as atividades clínicas.

Cultive uma relação próxima

O contato entre o farmacêutico e cliente torna possível traçar o perfil do paciente, permitindo avaliar suas limitações no entendimento da doença; o grau de entendimento que existe sobre o agravo à saúde; as comorbidades presentes; esquemas terapêuticos em uso; relação com o medicamento e comprometimento com a recuperação; rotina de vida e de administração de medicamentos; entre outros temas considerados pertinentes.

Esteja atendo aos polimedicados

O desenvolvimento de mapas de administração de medicamentos são providenciais na orientação ao esquema posológico, especialmente em pacientes que tomam diversos medicamentos.

Alerte sobre situações adversas

O esclarecimento das possíveis reações adversas e deixar claro que, não necessariamente, o paciente vai apresentá-las são aspectos importantes. Também é válido avisá-lo sobre a duração do tratamento.

Avise sobre a responsabilidade do paciente

O farmacêutico tem de orientar quanto à participação ativa do paciente no processo de restabelecimento de saúde. Afinal, sem comprometimento no processo, a recuperação da saúde não acontecerá.

Avalie os resultados

O Teste de Morisky-Green avalia o comportamento do paciente frente ao uso do medicamento, com base nas respostas a quatro perguntas relacionadas a horário, esquecimento, percepção de ausência de sintomas e ausência de efeitos colaterais.

Já o Teste de Batalha consiste na realização de três perguntas em relação ao entendimento da enfermidade que o usuário de medicamento possui. Os profissionais interessados podem buscar mais informações em sites e livros especializados.

Comunique sobre os riscos do abandono

É natural que, ao sentirem melhora, muitos pacientes tendam a achar que estão curados. Assim, é importante alertar que essa atitude pode representar risco à saúde, como o retorno dos sintomas, aparecimento de complicações e, em alguns casos, o surgimento de resistência ao medicamento.

Muito se tem discutido sobre a importância da adesão ao tratamento, já que vários pacientes abandonam as recomendações médicas no meio do caminho, saiba mais.

Fontes: farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti; palestrante e consultor em comportamento do consumidor e marketing de varejo, Messias Cavalcante; e coordenador do curso de Farmácia da Universidade Anhembi Morumbi, Geraldo Alécio de Oliveira

Foto: Shutterstock

As farmácias na adesão ao tratamento

Edição 298 - 2017-09-01 As farmácias na adesão ao tratamento

Essa matéria faz parte da Edição 298 da Revista Guia da Farmácia.

Sobre o autor

Guia da Farmácia

Premiado pela Anatec na categoria de mídia segmentada do ano, o Guia da Farmácia é hoje a publicação mais conhecida e lembrada pelos profissionais do varejo farmacêutico. Seu conteúdo diferenciado traz informações sobre os principais assuntos, produtos, empresas, tendências e eventos que permeiam o setor, além de Suplementos Especiais temáticos e da Lista de Preços mais completa do mercado.