
“Será que uma data, um momento, é capaz de mudar a história?” Jawaharlal Nehru, que foi primeiro-ministro da Índia, chamava esses momentos de um “encontro com o destino”. Esta frase foi citada no livro O fim do poder. A obra aborda este mundo multifacetado, polarizado, em uma época caracterizada pela abundância e grande mobilidade, o que exige uma nova mentalidade.
Levando em conta a frase do primeiro-ministro da Índia, 2020 foi o ano de encontro com o destino, de encarar nossa vulnerabilidade, ansiedade, medos. E mesmo diante de acontecimentos não lineares e imprevisíveis, tivemos de dar um “salto de fé”. Tivemos, obrigatoriamente, de colocar o ser humano no centro e usar a tecnologia não por modismo, mas por sobrevivência, ter clareza que a tecnologia é fundamental.
Mas é crucial estarmos cientes de que ela é um meio para proporcionarmos segurança em termos de saúde física e mental, acesso, agilidade, conveniência e precisão. Olhando o copo meio cheio, 2020 foi um ano riquíssimo de experiências únicas, aceleradas e com a quebra de inúmeros paradigmas e também de revisão de crenças estabelecidas.
Repensar e se reinventar deram o tom do ano. Sem opção, tivemos de praticar a máxima das startups: erramos e aprendemos rapidamente e corrigimos mais rápido ainda.
Finalizamos o ano de 2020 cansados – alguns mais esgotados que outros, mas com maior ou menor intensidade, renovados. Aprendemos sobre a importância da alteridade, da visão sistêmica, da relevância da diversidade de ideias, do pensamento crítico, o desafio de abraçarmos a incerteza e tomarmos decisões, de como a colaboração interna e externa podem fazer a diferença. Juntos somos mais fortes. Para muitos foi um ano de reinvenção e renascimento. Mas fica aqui mais uma célebre frase, agora de Albert Einstein: “A vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio, você deve continuar se movendo”.
Em 2019, Andrea Dorio, no livro 6 competências para surfar na transformação digital, descreveu atitudes que entendo continuarem válidas para 2021:
Flexibilidade cognitiva: capacidade de adaptação do nosso cérebro às situações em constante transformação geradas por um cenário Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo;
Execução inovadora: o entendimento de que inovar não significa necessariamente inventar algo novo, mas preencher uma demanda reprimida;
Especialista em comportamento humano: a identificação de tendências profundas de mudança de consumidores e não apenas na superfície;
Pensamento crítico: a atitude de desafio do status quo das coisas para identificar oportunidades de geração de valor;
Crescimento sustentável: a busca por geração de valor para o cliente que faça crescer o seu negócio de forma sustentável, agregando valor ao ecossistema;
Altruísmo digital: a priorização do ser humano ao centro da experiência de negócio focando no modelo de negócio H2H (Humano para humano).
Finalizando, para Aldous Huxley, a “experiência não é o que nos acontece; mas o que fazemos com o que nos acontece”.
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