
A Opella inicia um novo capítulo no Brasil com a ambição de liderar a transformação do autocuidado no País. Após a separação da Sanofi, a companhia ganha mais autonomia para acelerar investimentos, ampliar o portfólio e fortalecer marcas já consolidadas no dia a dia dos brasileiros, como Novalgina e Enterogermina.
Em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, o diretor- geral da farmacêutica, Raul Tichauer, afirma que o grande movimento do setor é a transferência do protagonismo da saúde para o próprio consumidor.
“Queremos que o consumidor tenha as ferramentas, o conhecimento e os produtos confiáveis para gerenciar o próprio bem-estar com mais autonomia e segurança”, destaca o executivo, ao explicar a estratégia da empresa para simplificar o autocuidado e ampliar o acesso à informação de qualidade.
Com o Brasil já figurando como a terceira maior operação global da companhia, a Opella vê espaço para um crescimento expressivo em categorias ligadas à prevenção, saúde digestiva, suplementação e ao bem-estar de longo prazo.
Acompanhe, a seguir, a entrevista completa e conheça as iniciativas da Opella no País.
Guia da Farmácia • A Opella nasceu com a proposta de liderar a revolução do autocuidado. Como essa visão tem se traduzido na prática para o mercado brasileiro?
Raul Tichauer • A missão da Opella é tornar o autocuidado tão simples quanto deve ser e quando falamos: “saúde em suas mãos”, queremos dizer que o consumidor tem o protagonismo de cuidar da sua própria saúde.
Significa dar às pessoas as ferramentas, o conhecimento e os produtos confiáveis para que elas gerenciem o bem-estar diário, previnam pequenos males e tratem sintomas comuns (como uma dor de cabeça com Novalgina ou o equilíbrio intestinal com Enterogermina), sem a necessidade de depender do sistema hospitalar para absolutamente tudo.
Essa visão se traduz na nossa estratégia quando colocamos o consumidor no centro das nossas decisões e cada vez mais aceleramos o mercado para que ele esteja mais empoderado e com conhecimento para tomar decisões seguras sobre sua própria saúde, uma vez que, atualmente, 4/5 dos consumidores se sentem confusos ou inseguros sobre como cuidar da saúde, segundo dados da consultoria IQVIA.
A exemplo disso, estamos trazendo iniciativas como a Pain Zone: uma nova organização da categoria de Analgésicos nas gôndolas das farmácias para ajudar os consumidores a entender melhor a categoria e escolher os produtos corretos.
Além disso, lançamos o Wonka, estúdio interno de Inteligência Artificial (IA) generativa, que nos ajuda a escalar o “edutainment” – a combinação de educação e entretenimento – e conteúdo culturalmente relevante 20 vezes mais rápido, permitindo que a Opella alcance ainda mais consumidores.
Guia • Em relação à separação da Opella da Sanofifi, quais têm sido os principais ganhos estratégicos dessa operação e como ela impacta a atuação da empresa no mercado brasileiro?
Tichauer • A separação permite dedicar 100% do nosso foco e esforços ao mercado de saúde do consumidor (Consumer Healthcare). Como um dos maiores players globais do setor, essa autonomia garante mais agilidade na tomada de decisões e foco no direcionamento de investimentos para inovação, expansão de portfólio e fortalecimento de marcas.
O Brasil é um mercado estratégico para a companhia globalmente, sendo a terceira maior operação. Na prática, essa nova dinâmica se traduz em uma capacidade muito maior de responder rapidamente às demandas do consumidor local, impulsionando o desenvolvimento do setor de forma sustentável.
Um exemplo recente desse novo momento é o lançamento de Novalgina Flash. Em apenas quatro meses de vendas, o produto superou todas as expectativas: atingiu o dobro do market share planejado, está puxando o crescimento da categoria de Analgésicos e já se consolidou como o maior lançamento dos últimos dois anos nas principais redes de farmácias do País, segundo dados da Dunnhumby.
Nosso compromisso é manter esse ritmo, trazendo ao menos uma grande inovação por ano para o mercado de OTC no Brasil.
Guia • O consumidor está assumindo um papel mais ativo na gestão da própria saúde. Qual deve ser a próxima grande transformação do autocuidado no Brasil?
Tichauer • A próxima grande transformação do autocuidado no Brasil será a consolidação de um consumidor cada vez mais protagonista da própria saúde.
Com maior acesso à informação e a ferramentas digitais, as pessoas tendem a tomar decisões mais conscientes, buscando soluções que unam eficácia, praticidade e uma boa experiência de uso. Nesse cenário, o autocuidado deixa de ser uma ação pontual e passa a fazer parte da rotina.
Para a indústria, isso significa desenvolver produtos e serviços que simplifiquem o cuidado com a saúde, oferecendo confiança, conveniência e suporte para que o consumidor possa fazer escolhas bem-informadas.
Guia • Qual é o papel do farmacêutico na jornada de autocuidado e como a Opella tem trabalhado para apoiar esses profifissionais na orientação ao consumidor?
Tichauer • O farmacêutico é um dos principais elos de confiança e a linha de frente do autocuidado responsável no País. Em um cenário em que as pessoas buscam mais autonomia na gestão da própria saúde, a orientação técnica desse profissional é indispensável para garantir que o uso de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) ocorra de maneira segura e consciente. A Opella enxerga esses profissionais como parceiros estratégicos.
Guia • A Opella reúne marcas líderes e tradicionais no dia a dia dos brasileiros. Como a empresa equilibra a força de marcas consolidadas com a necessidade constante de inovação em formatos?
Tichauer • Manter uma marca centenária relevante exige um olhar constante para as mudanças de comportamento da sociedade.
Novalgina, por exemplo, carrega uma profunda relação de confiança com as famílias brasileiras, e também responde a um consumidor atual que lida com rotinas intensas e o impacto do excesso de telas com Novalgina Flash.
O desempenho desse lançamento recente mostra que, mesmo em uma categoria madura e altamente competitiva, sempre há espaço para a inovação quando ela resolve um problema real com agilidade.
O sucesso dessa novidade acabou impulsionando os resultados de toda a marca, que, hoje, cresce quatro vezes mais rápido que o mercado total de analgésicos.
Guia • Quais são as prioridades da companhia para o mercado brasileiro nos próximos anos?
Tichauer • Nossos investimentos estarão concentrados no fortalecimento e na expansão das nossas marcas líderes, ampliando o acesso a soluções de saúde que já fazem parte da rotina dos brasileiros. Em paralelo, aceleraremos o desenvolvimento do nosso portfólio por meio de inovações estratégicas.
Além disso, focaremos na expansão da nossa capilaridade no País, garantindo que nossos produtos e informações de qualidade cheguem a mais pessoas.
Esse movimento é indissociável do nosso compromisso com a educação e o uso responsável de medicamentos, contribuindo ativamente para o letramento em saúde e ajudando a reduzir a pressão sobre o sistema público de saúde.
Guia • Há lançamentos previstos para a empresa entre 2026 e 2027?
Tichauer • Sim, os anos de 2026 e 2027 serão altamente dinâmicos para o nosso pipeline. Como empresa independente e focada exclusivamente em saúde do consumidor, estamos acelerando a introdução de novos formatos e extensões de linha de nossas principais marcas.
O foco desses lançamentos estará em trazer mais conveniência, rapidez de ação e soluções voltadas para o bem-estar e a rotina moderna do consumidor brasileiro, consolidando nossa estratégia de expansão de portfólio.
Vemos uma grande oportunidade no segmento de Vitaminas e Suplementos, que ainda pode ser mais explorado no portfólio local.
Guia • Pensando no universo das canetas emagrecedoras, que têm mudado os hábitos de consumo no País, a Opella pretende atuar indiretamente para atender às novas demandas desses consumidores?
Tichauer • Dados da consultoria Ginger apontam que o principal efeito adverso é justamente a dor de cabeça, o que gera demanda imediata por analgésicos de venda livre.
Os efeitos gastrointestinais, como constipação, criam demanda imediata por produtos de saúde digestiva, enquanto a mudança na dieta torna a suplementação nutricional de vitaminas e minerais uma necessidade estrutural e de longo prazo.
Dados da Bain & Company mostram que no Brasil os usuários de GLP-1 já aumentaram em 26% a intenção de consumo de suplementos. Em resumo: o paciente de GLP-1 está embarcando em uma jornada de saúde mais ampla, e queremos nos posicionar cada vez mais de forma a dar suporte a esse consumidor em todos os momentos.
Guia • Na sua visão, de que forma as farmácias poderiam aprimorar a experiência no ponto de venda (PDV) em relação aos MIPs? O que ainda pode melhorar nessa jornada?
Tichauer • Acreditamos que a grande oportunidade no PDV está em transformar a jornada de compra de MIPs em uma experiência cada vez mais educativa e intuitiva para o consumidor.
O varejo farmacêutico brasileiro é extremamente moderno e dinâmico, e a indústria pode caminhar lado a lado com as farmácias para facilitar o acesso à informação correta no momento da escolha.
Isso envolve colaborar na organização de categorias por necessidades de saúde e apoiar o desenvolvimento de ambientes que valorizem o aconselhamento profissional. Quando a indústria e o varejo se unem para simplificar a jornada do consumidor, promovemos o autocuidado seguro e geramos valor para todo o ecossistema de saúde.
Guia • O mercado brasileiro de autocuidado ainda tem espaço para crescer nos mesmos níveis observados em mercados mais maduros?
Tichauer • O mercado brasileiro ainda tem um espaço de crescimento gigantesco. Enquanto já somos altamente maduros em categorias de alívio imediato, como os analgésicos, o grande motor de expansão para os próximos anos está na consolidação de uma cultura de prevenção.
Categorias como saúde digestiva, suplementação e bem-estar de longo prazo ainda têm uma penetração de mercado muito inicial por aqui se comparadas ao potencial total do País.
As principais oportunidades estão justamente na expansão dessas categorias de bem-estar de longo prazo e na consolidação do autocuidado responsável.
Guia • A Opella é certifificada B Corp globalmente. Como os compromissos ligados à sustentabilidade e ao impacto social estão inflfluenciando as decisões de negócio?
Tichauer • Na Opella, ESG não é uma agenda paralela; é a nossa estratégia de negócio. Em abril de 2025, nos tornamos a primeira empresa global de saúde do consumidor a conquistar a certificação B Corp, o que exigiu mudanças estruturais formais e missões socioambientais incorporadas à nossa governança.
O Brasil tem papel de destaque nessa agenda: nossa fábrica em Suzano (SP) opera com 100% de energia renovável e possui o Selo Aterro Zero. No pilar social, mantemos políticas como a licença parental de seis meses para todos os colaboradores (independente de gênero ou sexualidade).
Agora, com o lançamento do Health³, nossa nova plataforma global de sustentabilidade, estabelecemos metas ainda mais ambiciosas para os próximos anos, após termos superado as metas que havíamos previsto originalmente. Mostramos que é plenamente possível combinar crescimento financeiro com responsabilidade e geração de valor a longo prazo.
Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Opella