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Os momentos marcantes do Guia da Farmácia

Ao longo de 300 edições, o Guia da Farmácia tornou-se referência ao registrar os momentos mais marcantes e decisivos dos últimos 25 anos do setor farmacêutico no Brasil

Por ser uma publicação independente, sem quaisquer vínculos com governo ou entidades, o Guia da Farmácia pôde, ao longo dos anos, cobrir diversos momentos decisivos para o setor farmacêutico, sempre por meio de matérias pautadas pela liberdade de opinião, que propunham debates importantes ao mercado.

A criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi um dos destaques registrados nas páginas da revista. Antes da criação da entidade, a área de vigilância sanitária brasileira se resumia a uma secretaria dentro do Ministério da Saúde (MS), com estrutura e capacidade de alcance muito menores do que o País exigia.

A necessidade da criação de um órgão regulatório forte veio de encontro ao momento pós-hiperinflação, em que o Brasil, como um todo, tentava formalizar processos e diretrizes. Em 1996, por exemplo, já havia sido aprovada uma nova lei de patentes, que se tornou instrumento fundamental para estimular a inovação tecnológica nacional.

“Estou muito feliz de fazer parte deste momento de 25 anos da revista Guia da Farmácia e todas as outras publicações que a Contento Comunicação tem. Eu me atualizo lendo a revista. É muito bom assinar e acompanhar tudo. Parabéns a toda equipe editorial e todo time da Contento Comunicação, que tem esmero e foco em entregar um conteúdo de qualidade. Parabéns ao leitor que tem uma revista conceituada para se atualizar.”

Farmacêutico e diretor da Desenvolva Consultoria e Treinamento, Marcelo Cristian Ribeiro

Três anos depois, a Lei 9.782, de 26 de janeiro de 1999, formou a Anvisa. “À medida que fomos para outro patamar, exigiu-se a criação de estrutura menos informal, mais transparente, com fila de registro, uma série de regulamentações e regras claras”, diz Mena Barreto.

Entre todos os players do mercado, a criação da Anvisa é vista como uma medida positiva, ainda que, em alguns momentos, esbarre em conflitos políticos e ideológicos.

“Como órgão regulador, traz benefícios para o paciente, em relação à fiscalização e ao controle. O crescimento desenfreado das farmácias poderia causar algumas irregularidades. Hoje, sabemos, de fato, que os produtos de saúde comercializados no Brasil têm uma boa procedência”, avalia o gerente-geral de Close-Up International, Guilherme Alfano.

Todo esse processo de formalização e amadurecimento resultou em avanços importantes para o setor farmacêutico brasileiro. “A partir do momento em que tínhamos uma lei de patentes e uma Anvisa forte e bem estabelecida, tivemos condições de trabalhar junto às indústrias de genéricos e fazer gerar fluxo suficiente para o crescimento da categoria. Passamos a ter boas práticas e, com isso, fábricas de excelência comparáveis a qualquer outro país”, destaca o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini.

“Atuo há mais de 15 anos no varejo farmacêutico e sempre tive como referência a revista Guia da Farmácia, que este ano completa 300 edições e 25 anos de existência. O Guia da Farmácia é uma referência e colabora muito para o treinamento e desenvolvimento de todo o varejo farmacêutico. Parabéns!”

Consultor empresarial e coach, Pedro Dias

A introdução dos genéricos no fim dos anos 1990 foi um marco para a história dos medicamentos no Brasil, pois contribuiu para o aumento do acesso à saúde a um preço mais acessível. Apesar de representar uma clara vitória para os brasileiros, a implantação não foi simples.

“Lembro-me de que, nos primeiros meses, a categoria não decolava. Gerava uma confusão muito grande ter uma caixa com o princípio ativo do medicamento, pois se confundia com o similar. Foi em uma reunião na Abrafarma, com o então ministro da Saúde, José Serra, que apresentamos a sugestão de embalagem específica e prateleiras separadas para deixar mais clara a comparação. Daí nasceu a ideia da embalagem amarela com o G azul”, lembra Mena Barreto.

Superadas essas intercorrências, atualmente, os genéricos já representam boa parcela das vendas das farmácias, com crescimento médio de 6,4% nos últimos anos, segundo dados da QuintilesIMS.

Os fabricantes devem muito desse resultado ao varejo farmacêutico. “Até então, a indústria nem enxergava as farmácias. O trabalho deles era todo concentrado na propaganda junto ao médico”, conta.

“A partir do momento em que foi autorizada a intercambialidade de um medicamento de referência por um genérico, dentro do ponto de venda (PDV), isto mudou radicalmente a relação da indústria com a farmácia, pois o poder de decisão foi transferido para o balcão. Os fabricantes então começaram a montar equipes focadas para entender o PDV e desenvolver ações de parceria a longo prazo.”

De obstáculo para oportunidade

Entre todos os avanços que foram obtidos a partir da criação de um setor de saúde regulado, houve alguns retrocessos. Para boa parte dos players do mercado, o maior deles foi a implantação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 44/09, que, entre diversas atribuições, determinou que os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), que até então eram expostos na área de autosserviço, fossem para trás do balcão.

A mudança de regras para a venda dessa categoria causou grandes discussões na época da implementação e deixa marcas até hoje. “Por muitos anos, a Anvisa teve uma gestão muito morosa, com cabeça muito fechada, principalmente por ter sido controlada por pessoas que não eram do setor farmacêutico. Tornou-se um órgão mais político do que técnico. Considero a RDC 44/09 um tiro no pé, que atrasou o setor farmacêutico em pelo menos cinco anos”, reclama Mena Barreto.

Polêmica, a decisão de manter os MIPs foi revogada dentro de três anos. Para o gerente sênior de marketing Consumer Health Care no Brasil da QuintilesIMS, Rodrigo Kurata, de alguma maneira, esse processo doloroso sofrido pelo varejo brasileiro trouxe benefícios, pois acabou por estimular a evolução do autosserviço farmacêutico.

“No momento em que os MIPs foram para trás do balcão, muitas outras categorias, especialmente de Higiene & Beleza (H&B), ‘tomaram’ o espaço deixado por eles, aumentando a amplitude de categorias e, por consequência, a disponibilização de maior variedade de produtos para o consumidor”, garante.

Nas grandes redes, os produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Beleza (HPC) já tinham conquistado um espaço significativo dentro da loja, baseado em modelos observados em outros mercados.

Missões internacionais organizadas pela Abrafarma apresentaram ao varejista brasileiro modelos diferenciados, com lojas amplas, sortimento variado e forte investimento na área de cosméticos. Com um consumidor cada vez mais interessado em conveniência, as grandes redes apostaram alto e começaram a replicar em território nacional os exemplos vistos lá fora. A iniciativa foi bem-sucedida e, mais tarde, aplicada também em farmácias associativistas e independentes.

Hoje, produtos de HPC já são, muitas vezes, itens de destino das farmácias brasileiras. De acordo com dados da QuintilesIMS, 37% dos shoppers do canal farmácia declaram sempre comprar itens de higiene pessoal e 20% costumam adquirir itens de beleza quando visitam uma loja.

Os resultados dessa mudança de comportamento são concretos. Nas grandes redes, os não medicamentos representam mais de 32% do faturamento total, enquanto nas farmácias independentes, onde o segmento começou a ser trabalhado mais tardiamente, o percentual chega a 17%.

Em comemoração aos 25 anos de história da revista Guia da Farmácia, Sérgio Mena Barreto (Presidente Executivo da Abrafarma), presta sua homenagem:

Ao longo de 300 edições, o Guia da Farmácia tornou-se referência ao registrar os momentos mais marcantes e decisivos dos últimos 25 anos do setor farmacêutico no Brasil.

 

Marco histórico

Edição 300 - 2017-11-01 Marco histórico

Essa matéria faz parte da Edição 300 da Revista Guia da Farmácia.