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Os riscos da variante delta

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Apesar de a pandemia já perdurar por quase dois anos, a Covid-19 ainda é uma doença relativamente nova, que, diariamente, desafia a ciência e a medicina com as mais diversas questões.

E entre as preocupações que mais têm afligido a população está a questão das variantes do novo Coronavírus. Embora a variante Gama ainda seja predominante no Brasil, casos de infecção pela variável Delta se multiplicam no País. Acompanhe, a seguir, algumas dúvidas recorrentes sobre o tema.

Riscos, transmissão e sintomas

A nova variante, também chamada de variante Delta, é a quarta variante de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Ela é uma variante que está se disseminando pelo mundo agora, o que faz com que nós tenhamos diversos países com um número de casos progressivamente maior. A Delta é uma variante que nos preocupa, porque ela tem sete mutações e, uma delas, a mutação P681R, na proteína spike, é uma mutação que leva a uma maior quantidade de vírus nas vias respiratórias, uma maior transmissibilidade e, com isso, uma chance de disseminação mais importante na população, principalmente na parcela não vacinada”, esclarece o líder médico da Infectologia do HCor, Dr. Guilherme Furtado.

Os modos de transmissão da Delta são basicamente iguais aos das outras variantes e também da cepa inicial, que surgiu na China. “Não há um novo tipo de transmissão. O principal meio de contágio continuam sendo as secreções respiratórias. A diferença é que a variante Delta possui uma transmissibilidade maior, pois carrega uma quantidade de vírus elevada, tornando o contágio mais frequente”, aponta o médico.

Em relação aos sintomas, eles parecem diferir um pouco nessa variante. “Ela apresenta mais sintomas gripais, de via aérea superior, e também cefaleia (dor de cabeça). Um sintoma que está chamando bastante atenção é a coriza, algo que não víamos muito nas outras variantes, além de dor de garganta, podendo manifestar também febre e tosse”, pontua o especialista do HCor, acrescentando que não há uma preocupação em termos de aumento de mortalidade ou de quadros mais severos com essa nova variante.

“A princípio, a recuperação é semelhante e depende do quadro clínico do paciente acometido. O que chama atenção mesmo é a maior transmissibilidade, que provavelmente vai atingir uma população ainda menos vacinada em nosso País e podendo se disseminar mais facilmente”, afirma.

Variante mais transmissível

A variante Delta é mais transmissível, segundo explica o médico e professor de Infectologia do Centro Universitário São Camilo, Dr. Robert Fabian Crespo Rosas.

“Isso tem sido observado a partir de estudos, onde nota-se que pacientes que foram infectados pela variante Delta têm uma maior concentração de vírus, tanto na orofaringe quanto nas vias respiratórias de uma forma geral. Ou seja, o vírus se multiplica muito mais – segundo análises, de quatro a cinco vezes mais que as variantes anteriores”, comenta.

O Dr. Rosas lembra que esses resultados foram corroborados por um estudo recente feito na Coreia do Sul, onde dosaram a quantidade de vírus presente no sangue de indivíduos infectados pela variante Delta, comparando aos infectados com outras variantes ao mesmo tempo.

“Viram que a quantidade de vírus presente na corrente sanguínea de indivíduos infectados pela variante Delta é trezentas vezes maior que o das pessoas contaminadas por outras variantes. Esse fato de a variante ter uma grande multiplicação viral dentro do organismo de uma pessoa faz com que ela possa eliminar mais vírus no ambiente, o que permite transmitir para mais pessoas.”

Efeito das vacinas

A capacidade de multiplicação desse vírus, tanto no indivíduo não vacinado quanto no vacinado, é a mesma, segundo adverte o especialista do Hospital São Camilo.

“Observaram que a replicação da variante Delta no paciente não vacinado e no vacinado com as duas doses é exatamente igual”, diz.

Nesse contexto, as pessoas podem se perguntar “por que eu me vacinei então, se o vírus se multiplica em mim da mesma forma?”.

O Dr. Rosas alerta que a diferença entre quem tomou e quem não tomou a vacina é que o indivíduo vacinado tem uma redução rápida na quantidade de vírus no organismo, no decorrer de sete a oito dias. O mesmo não ocorre em quem não se vacina.

“Por isso, caso seja infectado com o Coronavírus estando imunizado, você tem uma queda rápida da quantidade de vírus no corpo até que não haja mais danos ao organismo”, diz.

A médica membro do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Dra. Clarissa Morais Busatto Gerhardt, também reforça que as vacinas não impedem a sua transmissão, mas diminuem muito a chance dos casos graves da doença.

“É provável que se espalhe rápido, porém, com boa parte da população vacinada, as comorbidades e os óbitos tendem a não aumentar tanto”, argumenta.

Ainda falando sobre a imunização, foram muitos os brasileiros que adiaram a vacina de gripe deste ano devido à vacinação para o Covid. O que não seria necessário, mantendo um intervalo de pelo menos 15 dias entre elas.

“É de extrema importância nos vacinarmos contra o influenza, pois seus sintomas se confundem com o do Covid-19 e, além disso, prevenimos as formas graves dessa doença, que também podem levar a óbito”, finaliza a Dra. Clarissa.

Foto: Shutterstock
Fonte: Guia da Farmacia

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