Paciente responsável por si

O cuidado com a saúde deve acontecer em todos os momentos do dia, com pequenas atitudes que fazem o corpo mais saudável e livre de possíveis doenças. O conjunto desses hábitos é chamado de autocuidado, termo que envolve a tomada de decisões sobre a própria saúde, um direito do cidadão assegurado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O autocuidado envolve questões, como higiene pessoal, nutrição, práticas de atividades físicas, condições de moradia e hábitos sociais. O estilo de vida é extremamente importante para que a saúde esteja em dia. Segundo o educador físico Márcio Atalla, a OMS atribui 20% da saúde para a genética, 50% ao estilo de vida, 20% ao meio ambiente e 10% à assistência médica.

Por isso, é importante que haja a orientação correta para a prática de atividades físicas – ainda que simples, como caminhar ou subir escadas diariamente – e alimentação balanceada, dois dos pilares de uma vida saudável. 

Além disso, o autocuidado passa pelo uso consciente de medicamentos. Tomar fármacos por conta própria deve ser uma prática responsável e pautada em orientação e educação, para que o indivíduo se conheça e escolha o medicamento de maneira eficaz e segura. 

 Os sete pilares do autocuidado

1. Fontes confiáveis

Com a internet, há inúmeras informações – muitas errôneas – sobre doenças e tratamentos. É importante se consultar em fontes confiáveis, seja on-line, 

livros, jornais ou revistas.

2. Autoconhecimento

Se conhecer é fundamental para diferenciar um problema cotidiano, como um resfriado, de algo mais sério. 

3. Atividades físicas

Encontrar um exercício que seja prazeroso, como andar de bicicleta ou caminhar, ajuda no bom funcionamento do organismo e previne doenças.

4. Alimentação saudável

Assim como as atividades físicas, alimentação balanceada é um dos pontos mais importantes para ter a saúde em dia. O consumo de vitaminas, nutrientes e minerais é essencial para uma boa saúde e disposição.

5. Reduzir hábitos ruins

Fumar, tomar bebidas alcoólicas em excesso e comer alimentos artificiais e fast-foods são alguns dos costumes que podem prejudicar a saúde.

6. Higiene 

Lavar as mãos após ir ao banheiro ou usar transporte público é um costume simples, mas que pode diminuir as chances de doenças. Escovar os dentes e usar o fio dental também diminui a incidência de patologias.

7. Medicamentos Isentos de Prescrição

Se ainda assim o paciente chegou à farmácia, é importante que ele seja orientado sobre a maneira correta quanto à escolha e ao uso do Medicamento Isento de Prescrição (MIP). Se os sintomas persistirem, ele necessita buscar um médico. 

Os Medicamentos Isentos de Prescrição 

De acordo com a vice-presidente executiva da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Marli Sileci, os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) são assim chamados pelo perfil de altíssima segurança em seu uso. Ou seja, ainda que o medicamento seja usado em dose errada ou para fins equivocados, há a segurança de que o paciente não terá sua saúde danificada.

Nesse sentido, é importante frisar que os MIPs não curam doenças, mas tratam os sintomas que incomodam o paciente, como uma dor de cabeça, azia ou dor muscular. Porém, se os sintomas persistirem, vale a máxima de buscar um médico de confiança.

Essa consciência deve fazer parte de um pensamento que ainda atinge muitos brasileiros: a confusão entre os termos de autocuidado e automedicação. Quando medicamentos que necessitam de prescrição são usados pelo paciente sem orientação, podem expô-lo a efeitos adversos, que podem mascarar uma doença ou até mesmo agravá-la, além de causar intoxicação.

“Aqui, o termo é confundido com a autoprescrição, que é a prática (incorreta) de comprar e utilizar medicamentos tarjados sem a receita de um médico. Por isso, definimos a utilização responsável dos MIPs como sendo uma prática de autocuidado, que está alinhada com a classificação da OMS”, explica Marli.

 Campanha da ABIMIP

No dia 24 de julho, é comemorado o Dia Internacional do Autocuidado, data que reflete o conceito de cuidar da saúde 24 horas por dia, sete dias por semana. A Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) realiza um trabalho de abrangência não somente da data, mas da conscientização do brasileiro no âmbito de uso de
Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) para sua saúde. 

A entidade espera que o termo autocuidado seja difundido para que não mais seja confundido com autoprescrição, uma vez que os MIPs podem ser usados com segurança para aliviar sintomas já conhecidos pelo paciente, como uma dor de cabeça ou azia.

Para comemorar a data, a Abimip convidou sua vice-presidente executiva, Marli Sileci, seu primeiro vice-presidente e diretor de Assuntos Regulatórios da Pfizer Consumer, Rodrigo Garcia e o educador físico, Marcio Atalla, para debater, em São Paulo (SP), diferentes esferas da importância do autocuidado.

Para entender melhor a diferença entre o autocuidado e a automedicação, é preciso orientar os consumidores sobre a classificação existente entre os medicamentos:

• Tarja vermelha: necessitam de receita médica, pois são destinados a quadros clínicos que exigem maior cuidado e controle. Alguns precisam que a receita médica seja retida, pois são medicamentos controlados e psicotrópicos, que podem causar dependência e trazer muitos efeitos colaterais e contraindicações.

• Tarja preta: são vendidos, também, somente com receita médica, mas necessitam de maior controle, já que podem apresentar mais efeitos colaterais e reações adversas, possuem ação sedativa e podem causar dependência.

• Sem tarja: os chamados MIPs podem ser tomados e adquiridos sem prescrição médica. São indicados para tratar sintomas menores e conhecidos. 

A economia dos MIPs

A função dos MIPs não acaba no auxílio ao bem-estar das pessoas. O primeiro vice-presidente da Abimip e diretor de Assuntos Regulatórios da Pfizer Consumer, Rodrigo Garcia, demonstra em uma pesquisa que há potencial de economia de aproximadamente R$ 400 milhões pelo sistema de saúde brasileiro com o uso de MIPs. Segundo a pesquisa, para cada R$ 1,00 gasto com um MIP, foram economizados até R$ 7,00.

O estudo deduziu o custo dos MIPs para o consumidor (R$ 61,2 milhões) dos gastos desnecessários com 5,1 milhões de consultas médicas (R$ 56,1 milhões) e a perda de dias de trabalho (R$ 369,2 milhões). Os dados utilizados são do Sistema Único de Saúde (SUS) e informações de consumo de MIPs no Brasil, da QuintilesIMS.

E essa cifra tem muitas oportunidades de crescimento. Para Garcia, o Brasil ainda está defasado em relação a outros países, que já tratam diversos medicamentos como MIPs. O Omeprazol, por exemplo, não é considerado isento de prescrição somente no Brasil e na Venezuela.

Foto: Shutterstock

As farmácias na adesão ao tratamento

Edição 298 - 2017-09-01 As farmácias na adesão ao tratamento

Essa matéria faz parte da Edição 298 da Revista Guia da Farmácia.

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