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Perdas no varejo somam R$ 1 bilhão de prejuízo

As perdas no varejo brasileiro aumentam e somam R$ 1 bilhão de prejuízo às empresas. Em tempos de crise, não há margem para tamanho desperdício

Aumentar a competência dos processos internos é uma das melhores maneiras de se proteger dos tempos turbulentos que são previstos devido à instabilidade da economia brasileira e queda na confiança do consumidor. O varejo farmacêutico passou por um forte processo de profissionalização, o que já aumentou a qualidade da gestão de farmácias e drogarias, mas uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), ao longo do ano de 2014, aponta que há ainda um longo caminho a percorrer.

Ao entrevistar 5.202 lojas, entre farmácias, supermercados, casas de material de construção e pequenos varejistas – que juntas representam cerca de 11% de todo o varejo brasileiro –, a entidade percebeu algo preocupante: o índice de perda do setor passou de 1,83% do faturamento líquido das empresas, em 2012, para 2,31% em 2013. À primeira vista, o percentual pode parecer pequeno, mas, quando somadas, as perdas resultam em prejuízo de R$ 1 bilhão.

Além da perda financeira, o montante revela que o varejo brasileiro sofre mais com roubos, furtos e problemas operacionais do que os mercados estrangeiros. Os vizinhos da América Latina têm um índice de perda menor, em torno de 1,6%. No restante do mundo, não é muito diferente: América do Norte, 1,49%; Europa, 1,27%; e Ásia, 1,16%. A média global fica em torno de 1,36%, também abaixo do percentual brasileiro.

Para o diretor de pesquisas do Programa de Administração do Varejo (Provar), professor doutor, Nuno Fouto, o crescimento do índice de perda no Brasil pode ser explicado por dois fatores. Primeiramente, pela maior eficiência na medição das perdas. Em segundo lugar, pelo descompasso entre o desenvolvimento do varejo e o investimento em medidas preventivas. “Com as informações disponíveis, é impossível saber quanto desse aumento se deve à melhora das condições de apuração e quanto é devido às dificuldades geradas pelo aumento do faturamento.”

O fato é que os índices de perda tendem a piorar ainda mais em 2014, devido a fatores externos à operação das lojas. “Condições da economia e incertezas favorecem perdas, pois investimentos em prevenção são protelados. Além disso, em momentos de crise, costuma ser registrado um aumento na taxa de furto e roubo. Torna-se um problema sociológico”, explica o presidente do Ibevar, Cláudio Felisoni de Angelo.

Varejo farmacêutico

A boa notícia é que entre todos os segmentos pesquisados, o setor farmacêutico foi o que apresentou menor taxa de perda (1,37%), contra 6,8% das pequenas e microempresas, 2,52% dos supermercados e 1,21% das lojas de material de construção. De acordo com Felisoni, o melhor desempenho das farmácias e drogarias pode ser explicado pelo modelo de negócio e natureza dos produtos comercializados.

“Existe de fato a influência de características do mercado, como o valor das mercadorias, metragem da loja e número de SKUs, que tendem a facilitar os processos e reduzir os prejuízos operacionais. Além disso, o setor é muito regulado, por isso adota medidas mais restritivas, que acabam por amenizar as perdas. É uma combinação de fatores”, avalia.

Quase 90% das farmácias que participaram da pesquisa afirmaram que possuem uma área voltada para a prevenção de perdas, o que faz com que 0,97% delas sejam identificadas, contra 0,40% que não se sabe a razão. Entre os prejuízos de origem conhecida, a maior parte deles (29%) se deve a quebras operacionais e a erros de processos (23%). Os índices revelam que há um grande espaço para melhoria interna, já que dentro das quebras na operação, 64% são relacionadas à mercadoria com data de validade vencida – problema facilmente contornado com um bom gerenciamento de estoque e maior eficiência logística.

Tecnologia X colaborador

Os furtos externos (23%) e internos (12%) também são importantes fontes de perdas. Apesar disso, 100% das farmácias entrevistadas afirmam contar com um circuito interno de câmeras, além de fazer uso de coletor de dados para fazer o inventário. Quase 90% das lojas também trabalham com alarme-acesso, enquanto 78% possuem cofre boca-de-lobo, espelhos e etiquetas antifurto.


Confira os produtos mais furtados nas farmácias

• Dorflex.
• Desodorante.
• Chocolate.
• Coristina.
• Neosaldina.
• Valda (tabletes).
• Aspirina.
• Protetor solar.
• Centrum.
• Dermacyd.

Fonte: Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar)


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Apesar do alto percentual de adoção de tecnologias, outros números da pesquisa do Ibevar sugerem que os recursos não estão sendo tão bem empregados como deveriam. A análise de soluções de Produtos de Alto Risco (PAR) ilustra o cenário. Apenas 67% das farmácias expõem ou armazenam produtos visados em áreas controladas por câmeras ou em espaços confinados. Inventários frequentes e conferência detalhada da mercadoria são praticados por 56% dos estabelecimentos, enquanto somente 22% utilizam embalagens específicas para confinamento no transporte.

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Além de subutilizadas em muitas ocasiões, as tecnologias preventivas não são uma solução isolada e única para a redução de perdas. Aparato sofisticado pode inibir o resultado final, mas há uma etapa fundamental que antecede a escolha dos recursos tecnológicos.

“O fator primordial é o comprometimento da equipe. É preciso trabalhar aspectos relacionados ao envolvimento do colaborador, como treinamento, participação nos lucros e reconhecimento de resultados. Com funcionários comprometidos, se reduzem as chances de furtos e operação ineficaz”, garante.

De acordo com os números levantados pela pesquisa do Ibevar, algumas dessas iniciativas já são aplicadas, mas em número bem menor do que as tecnologias. A comunicação de prevenção de perdas, em mural de avisos, jornais e revistas, é a medida mais adotada, mas está presente em apenas 67% das farmácias entrevistadas. Treinamentos em prevenção de perdas para colaboradores são feitos apenas em 56% das lojas. Já iniciativas como, participação nos lucros, adoção de telefone-denúncia, introdução de processos mais rigorosos de recrutamento e seleção, e criação de concursos para incentivar redução de perdas, são aplicadas em menos da metade dos estabelecimentos.

Autor: Por Flávia Corbó

Varejo estrangeiro

Edição 269 - 2015-04-01 Varejo estrangeiro

Essa matéria faz parte da Edição 269 da Revista Guia da Farmácia.

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