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Qual é a taxa de câmbio ideal para o Brasil?

As variações na taxa de câmbio entre real e dólar afetam todos os negócios

Os aumentos recentes do dólar frente à nossa moeda trarão custos mais altos para o varejo farmacêutico na reposição dos estoques dos produtos importados [principalmente no segmento de Higiene & Beleza (H&B)]e em menor escala com os medicamentos, pois grande parte destes têm preços regulamentados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Em contrapartida, os produtos nacionais estarão mais competitivos.

Mas afinal de contas, a desvalorização do real é boa ou má? Vejamos.

A taxa de câmbio é um valor que expressa o preço de uma determinada moeda relativamente à outra, por exemplo, quantos reais são necessários para comprar um euro, ou um dólar, etc. O valor da taxa é dado em parte pelo porte da economia de origem da moeda, por movimentos especulativos dos mercados financeiros nacional e internacional e, por fim, pela atuação dos bancos centrais. A taxa “ideal” depende dos aspectos que se considere na análise.

Quando o dólar sobe frente ao real, perdem os que têm dívidas em dólar, os importadores, as empresas nacionais que consomem muita matéria-prima do estrangeiro, os consumidores de produtos do exterior e há o risco de algum aumento nas expectativas de inflação.

Em contrapartida, ganham os exportadores, as indústrias e o turismo – os primeiros por receber em dólar, ter custos em reais e preços mais competitivos no exterior; os segundos e terceiro porque os produtos importados (viagens, inclusive) encarecem, tornando os nacionais mais competitivos.

Quando aumentam exportações e produção nacional de bens e serviços, há mais empregos, mais consumo e mais desenvolvimento econômico em nosso País. Por esse motivo, os países com políticas de desenvolvimento devem operar com câmbio desvalorizado, isto é, dólar caro. Essa é, por exemplo, a opção da China há mais de quatro décadas.

Nesse mundo de relativismos, há uma certeza: oscilações súbitas da taxa de câmbio são ruins, o crescimento econômico precisa de estabilidade cambial. Por esse motivo, os bancos centrais acumulam um estoque de moedas estrangeiras e títulos do governo americano para comprar ou vender e tentar manter a estabilidade da taxa de câmbio.

O varejo farmacêutico pode enfrentar custos mais elevados para reposição do estoque tanto quanto comercializar produtos importados, cuja demanda tende a ser menor. Se o real se estabilizar em um nível, mas desvalorizado por longo período, haverá mais demanda pelos produtos nacionais, e valeria avaliar estratégias de compras.

Por Maria Cristina Sanches Amorim – Diretora executiva da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), economista, professora titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP)
Foto: Shutterstock

Terceira idade em destaque

Edição 307 - 2018-06-01 Terceira idade em destaque

Essa matéria faz parte da Edição 307 da Revista Guia da Farmácia.

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